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sábado, 30 de abril de 2011

Max Gonzaga - Classe Média


A letra da música denominada “Classe Média” trás uma critica sociológica dos valores culturais (consumista, preconceituoso, salve exceção) deste setor da sociedade.




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Max Gonzaga - Classe Média


Sou classe média

Papagaio de todo telejornal

Eu acredito

Na imparcialidade da revista semanal

Sou classe média

Compro roupa e gasolina no cartão

Odeio "coletivos"

E vou de carro que comprei a prestação

Só pago impostos

Estou sempre no limite do meu cheque especial

Eu viajo pouco, no máximo um pacote cvc tri-anual

Mais eu "to nem ai"

Se o traficante é quem manda na favela

Eu não "to nem aqui"

Se morre gente ou tem enchente em Itaquera

Eu quero é que se exploda a periferia toda

Mas fico indignado com estado quando sou incomodado

Pelo pedinte esfomeado que me estende a mão

O pára-brisa ensaboado

É camelo, biju com bala

E as peripécias do artista malabarista do farol

Mas se o assalto é em Moema

O assassinato é no "Jardins"

A filha do executivo é estuprada até o fim

Ai a mídia manifesta a sua opinião regressa

De implantar pena de morte, ou reduzir a idade penal

E eu que sou bem informado concordo e faço passeata

Enquanto aumenta a audiência e a tiragem do jornal

Porque eu não "to nem ai"

Se o traficante é quem manda na favela

Eu não "to nem aqui"

Se morre gente ou tem enchente em Itaquera

Eu quero é que se exploda a periferia toda

Toda tragédia só me importa quando bate em minha porta

Porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida

Fonte: Vídeo - http://www.youtube.com/watch?v=KfTovA3qGCs

Fonte: Letra - http://www.letras.mus.br


Para completar o tema, ai vai uma poesia de Patativa do Assaré, que faz uma analise sociológica das classes sociais do sistema capitalista. As formas do conteúdo poético são de chamar a atenção de muitos estudiosos pelo fato desse artista nunca ter cursado uma faculdade na vida, mais, que, no entanto, soube tirar da vida faculdade sabedoria suficiente para ser aprovado a uma vaga de mestrado ou doutorado em qualquer universidade do país, sem precisar de projeto de pesquisa. Se os catedráticos não aprovarem seu projeto, não tem importância, nos o povo o aprovamos com louvor.

O INFERNO, O PURGATÓRIO E O PARAÍSO

1. Pela estrada da vida nos seguimos,

Cada qual procurando melhorar,

Tudo aquilo, que vemos e que ouvimos,

Desejamos, na mente, interpretar,

Pois nós todos na terra possuímos

O sagrado direito de pensar,

Neste mundo de Deus, olho o diviso

O Purgatório, o Inferno e o Paraíso.

2. Este Inferno, que temos bem visível

E repleto de cenas de ternura,

Onde nota-se o drama triste e horrível

De lamentos e gritos de loucura

E onde muitos estão no mesmo nível

De indigência, desgraça e desventura,

É onde vive sofrendo a classe pobre

Sem conforto, sem pão, sem lar, sem cobre.

3. É o abismo do povo sofredor,

Onde nunca tem certo o dormitório,

É sujeito e explorado com rigor

Pela feia trapaça do finório

É o Inferno, em plano inferior

Mas acima é que fica o Purgatório

Que apresenta também sua comédia

E é ali onde vive a classe média.

4. Este ponto também tem padecer,

Porém seus habitantes é preciso

Sumularem semblantes de prazer,

Transformando a desdita num sorriso.

E agora, meu leitor, nós vamos ver,

Mais além, o bonito Paraíso,

Que progride, floresce e frutifica,

Onde vive gozando a classe rica.

5. Este é o Éden dos donos do poder,

Onde reina a coroa da potência,

O Purgatório ali tem que render

Homenagem, Triunfo e Obediência,

Vai o Inferno também oferecer

Seu imposto tirado da indigência

Pois, no mastro tremula, a todo instante,

A bandeira da classe dominante.

6. É o Inferno o teatro do agregado

E de todos que vivem na pobreza,

Do faminto, do cego e do aleijado,

Que não acham abrigo nem defesa

E é também causador do triste fado

Da donzela repleta de beleza

Que, devido a cruel necessidade,

Vende as flores de sua virgindade.

7. Que tristeza, que mágoa, que desgosto

Sente a pobre mendiga pela rua!

O retrato da dor no próprio rosto,

Como é duro e cruel a sorte sua!

Com o corpo mirrado e mal composto,

A coitada chorosa continua

A pedir, pelas praças da cidade:

<>.

8. Para que outro estado mais precário

Do que a vida cansada do roceiro?

Sem gozar do direito do salário,

Trabalhando na roça o dia inteiro,

Nunca pode ganhar o necessário,

E, se o inverno não vem molhar o chão,

Vai expulso da roça do patrão.

9. Como é triste viver sem possuir

Uma faixa de terra para morar

E um casebre, no qual possa dormir

E dizer satisfeito: <>.

Ninguém pode, por certo, resistir

Tal desgraça na vida sem chorar.

Se é que existe inferno no outro mundo

Com certeza, o de lá é o segundo!

10. Veja bem, meu leitor, que quadro triste,

Este inferno que temos nesta vida,

O sofrimento atroz dele consiste

Em viver sem apoio e sem guarida.

Minha lira sensível não resiste

Descrever tanta coisa dolorida

Com as rimas do mesmo repertório,

Quero um pouco falar do Purgatório.

11. Purgatório da falsa hipocrisia,

Onde vemos um rosto prazenteiro

Ocultando uma dor que o excrucia

E onde vemos também um cavalheiro

Usar terno de linda fantasia,

Com o bolso vazio de dinheiro:

Pra poder trajar bem, até se obriga

Dar, com jeito, uma prega na barriga.

12. Purgatório infeliz do desgraçado,

Que trabalha e faz tudo o que é preciso

No comércio, lutando com cuidado,

Com desejo de entrar no Paraíso,

Porém, quando termina derrotado,

Fracassado, com grande prejuízo,

Desespera, enlouquece, perde a bola

E no ouvido dispara uma pistola.

13. Ali vemos um gesto alegre e lindo

Disfarçando uma dor, uma aflição,

Afirmando gozar prazer infindo

De esperança, de sonho e de ilusão.

Mas, enquanto estes lábios vão sorrindo,

Vai chorando repleto de amarguras,

Com bastante aparência de venturas.

14. Veja agora, leitor, que diferença

Encontramos no lindo Paraíso:

O habitante não fala de sentença

Tudo é paz, alegria, graça e riso.

Tem remédio e conforto, na doença

E, se a morre inda deixa por memória

Uma lousa, contando a sua glória.

15. Neste reino, que cresce e que vigora,

Vive a classe feliz e respeitada,

Tem tudo o que quer, a toda hora,

Pois do belo e do bom não falta nada,

Tem estrela brilhante e linda aurora,

Borboletas azuis, contos de fada

E, se quer gozar mais a vida sua

Vai uns dias passar dentro da lua.

16. O Paraíso é o ponto culminante

De riqueza, grandeza e majestade,

Vive em plena harmonia e liberdade,

Tem sossego, conforto e tem amante,

Tudo quanto há de bom tem a vontade

E a mulher, que possui corpo de elástico,

Para não ficar velha, vai ao plástico.

17. Já mostrei, meu leitor, com realeza,

Pobres, médios e ricos potentados,

Na linguagem sem arte e sem riqueza.

Não são versos com ouro burilados,

São singelos, são simples, sem beleza,

Mas, nos mesmo eu deixo retratados,

Com certeza, verdade e muito siso,

O Purgatório, o Inferno e o Paraíso.

Patativa do Assaré



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