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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

"Consumir prejudica gravemente a sua saúde... e a do planeta"

Por: Esther Vivas

"A mulher, desesperada por obter as melhores ofertas na loja de desconto Wallmart, borrifou com um spray de pimenta as pessoas que esperavam, com a intenção de mantê-las afastadas da mercadoria que ela queria". Esta poderia ser a cena de um filme de Pedro Almodóvar, mas trata-se de um fato real e foi publicado no dia 25/11/2011 pelo jornal Los Angeles Times.

Diante disto, poderíamos sugerir que na frente dos grandes shoppings, e ainda mais na época de liquidação, colocassem grandes cartazes advertindo que "consumir prejudica gravemente a sua saúde", no mesmo estilo das Autoridades Sanitárias. É que o consumismo irracional, supérfluo e desnecessário promovido pelo sistema capitalista, não só pode afetar de maneira inesperada e contundente a nossa saúde através de um "ataque de spray de pimenta", mas também atinge a "saúde" do planeta.

Só para citar um exemplo, se todos consumissem como um estadunidense médio, seriam necessários cinco planetas Terra para satisfazer a nossa voracidade. Mas planeta Terra só temos um, embora para nós seja pequeno. Nós nos acostumamos a viver sem considerar que habitamos um mundo finito e o capitalismo se encarregou muito bem disso. Associa-se progresso à sociedade de consumo, mas teríamos que nos perguntar: progresso para quê? Para quem? A que custo?

Os cantos das sereias da modernidade nos dizem que consumir vai nos fazer mais felizes, mas essa felicidade nunca chega, por mais que compremos. "Afogue suas mágoas com uma boa compra" parece o slogan do capitalismo de hoje, mas nossa insatisfação nunca se sacia. A felicidade não chega às custas de um talão de cheques.

Dizem que compremos uns óculos Channel, um ursinho Tous ou umas calças Mango para nos sentirmos como Claudia Schiffer, Jennifer López ou Gerard Piqué. A época de vender um produto passou à história. Agora, como ensinam as boas escolas de marketing, vendem o famoso da vez junto com a promessa de "saúde, dinheiro e amor". E nós pagamos encantados o preço dos nossos sonhos.

Vendem o anedótico como imprescindível e o banal como necessário, criando uma série de necessidades artificiais. Mudar de roupa a cada temporada, um celular de última geração, uma televisão de plasma, etc., etc., e etc. Com a correspondente soma de resíduos tecnológicos, de vestir, eletrônicos, etc., que desaparecem além das nossas portas e que passam a aumentar as pilhas de lixos nos países do Sul, contaminando águas, terra e ameaçando a saúde das comunidades.

Ou o sistema contra-ataca com seu obsoletismo programado... planejando a data de vencimento de tudo o que compramos para que ao término de X tempo estrague e tenhamos que adquirir outro novo. Para quê uma lâmpada que nunca se apaga, umas meias que não desfiam ou um computador que não para de funcionar? Mal negócio. Aqui só ganha quem vende.

Talvez já seja a hora de pensar que podemos "viver melhor com menos". E ser conscientes de como querem que sejamos cúmplices de um sistema que nos impuseram e que só beneficia os mesmos de sempre. Dizem que a sociedade de consumo existe porque queremos consumir, mas, além da nossa responsabilidade individual, ninguém, que eu saiba, escolheu esta sociedade onde temos que viver, ou pelo menos não nos perguntaram... Pois desde que usamos fraldas até quando nossos dentes caem somos bombardeados com o "comprar, comprar e comprar". Agora nos dizem que sairemos desta crise "consumindo". Eu me pergunto se "consumindo" ou "nos consumindo".

*Esther Vivas é autora "Del campo al plato" (Icaria ed., 2009) y "Supermercados, no gracias" (Icaria ed., 2007).

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