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terça-feira, 21 de junho de 2011

Revolução de 1930 Contada Através da Música da Época



Temos o prazer de disponibilizar 50 músicas compostas durante os anos de 1929-1933. São áudios que constituem documentos históricos do período da “Revolução” de 1930.

O conjunto de áudios exposto foi encontrado em diversos sites da internet, mas, teve como ponto de partida, um trabalho já realizado por Franklin Martins em sua página “Conexão Política”. As letras das músicas estão precedidas por comentários feitos pelo jornalista, aspecto importante, pois, ajuda a entender o contexto a que se relacionam. Meu trabalho foi tão somente reuni as letras no arquivo de PDF, bem como, disponibiliza as músicas adquiridas para o download.

O material é importante não só para quem se interessa pela História do Brasil, mas, igualmente, para aqueles que desejam compreender a relação da cultura fonográfica com a política e a conjuntura em que se manifestam. Se por um lado a música se inter-relaciona neste campo, por outro, vincula-se com os meios de comunicação do momento histórico que são as rádios e, conseqüentemente, seu público alvo; formando opiniões e idéias, ideologicamente, falando.

Sem mais delongas - em outra situação, podemos voltar a apreciar os diversos meandros do assunto -, pelo momento, gostaria de dizer tão somente que vale apenas conferir.

01 - Francisco Alves - Seu Julinho Vem (1929)

02 - Jayme Redondo - Mas que Trapaiada 1929

03 - Francisco Alves - É sim, senhor 1929

04 - Francisco Alves - Eu ouço falar, seu julinho 1929

05 - Jayme Redondo - Se eu fosse presidente 01-01-1929

06 - Pinto Filho (autor da paródia) - Casa de caboclo 1929

07 - Francisco Alves - É sopa 1929

08 - Jaime redondo - Harmonia, harmonia 1929

09 - Jaime redondo - Comendo bola 1929

10 - Francisco Alves e Aracy Cortes - é no toco da goiaba 1929

11 - Mandi e Sorocabinha - Paulista e gaúcho 1929

12 - Silvio Salema - Eu sou Júlio 1930

13 - Mandi e Sorocabinha - Depois das eleições 1930

14 - Mandi e Sorocabinha - Rebentô a revolução 1930

15 - Jararaca - Itararé 1930

16 - Januário de Oliveira - Olha o pingo 1930

17 - Mandi e Sorocabinha - Isidoro já vortô 1930

18 - Paraguassu - Taí seu Getúlio se foi 1930

19 - Cornélio Pires, Mariano e Caçula - O meu viva quero dar 1930

20 - Gastão Formenti - Os 18 de Copacabana 1930

21 - Cornélio Pires, Mariano e Caçula - Se os revortoso perdesse 1930

22 - Paraguasu - Leão do norte 1930

23 - Gê-Gê 1930

24 - Paraguassu - Legião revolucionária 1930

25 - Cornélio Pires, José Eugênio e seu grupo - legionários, alerta 1930

26 - Ubirajara - Heróis brasileiros 1930

27 - Mandi e Sorocabinha - Tempo ruim 1930

28 - Gastão Formenti - Hino 24 de outubro 1930

29 - Ubirajara - Hino a Juarez 1930

30 - Zico Dias e Ferrinho - Revolução de Getúlio Vargas; dezembro de 1930

31 - Almirante - O barbado foi-se; dezembro de 1930

32 - Alvinho - Bico de lacre não vem mais; dezembro de 1930

33 - Almirante, com o Bando de Tangaras - Seu Getúlio ou Gê-Gê 1931

34 - Juó Bananére - O Cavagnac 1931

35 - Francisco Alves e Norma Bruno - Verbo ser 1931

36 - Elisa Coelho - Nega baiana 1931

37 - Francisco Pezzi - Três de outubro 1931

38 - Leonel Faria - Cavanhaque 1931

39 - Augusto Calheiros - Lalá 1931

40 - Castro Barbosa - O teu cabelo não nega 1931

41 - Álvaro de Miranda Ribeiro - Ode a revolução 1931

42 - Juó Bananère - Non fui ista a inrevoluçó que io sugné 1931-1932

43 - Augusto Calheiro - A canoa virou 1931

44 - Elisa Coelho - Nega Maria 1932

45 - Turma do Bonfim - Governador 1932

46 - Alvinho - A canoa afundou 1932

47 - Manezinho Araújo - Se eu fosse interventor 1933

48 - Manezinho Araújo; A minha prantaforma 1933

49 - Eduardo Souto e Osvaldo Santiago - A morte de João Pessoa

50 - Francisco Alves - Hino a João Pessoa 1930




sexta-feira, 27 de maio de 2011

A História das Lutas Populares cantada pelo Grupo Face da Morte




Luis Carlos Costa Nascimento


Face da Morte é um grupo de rap e hip hop brasileiro criado em 1995, na cidade de Hortolândia, interior de São Paulo.

O grupo é formado por três integrantes: Aliado G (vocal), Mano ED (vocal) e Viola (DJ), onde o último é responsável por toda a parte musical dos shows, com mixagens, colagens e screcths ao vivo.

Formado em 1995 a partir da desistência de outros grupos, todos com grande bagagem no movimento Hip Hop. Graças ao seu sucesso, hoje o grupo faz 12 Shows por mês, por todo o interior de SP e Capital, inclusive representando o rap em eventos como as Conexões da 105, 1 FM, que reúnem os maiores nomes do cenário musical, com públicos de 8.000 pessoas em média. A vendagem expressiva dos dois primeiros álbuns, chamou a atenção de gravadoras e distribuidoras, foi quando o selo Face da Morte Produções assinou distribuição com a RDS. Hoje os CD’s são encontrados em todo o Brasil e alguns países do Mercosul, Europa e Ásia.

Em 1995 foi lançado o 1º álbum do grupo Face da Morte com o título Meu Respeito Eu Não enrola Numa Seda, onde se destacaram as músicas Carruagem da Morte e Quatro Manos, que se revezaram por 60 dias em 1º lugar na parada do programa MISTER RAP (rede CBS) projetando o grupo no cenário do Rap Nacional e alcançando a marca de 15.000 cópias só no ano de 1996.

A solidificação do grupo se concretizou em 1998 quando foi lançado o álbum Quadrilha da Morte onde se destacaram as faixas: O Crime, A Carta e o hit A Vingança que se manteve por 200 dias entre as 10 mais da 105, 1 FM (Rádio de SP). O álbum contou ainda com a regravação de Carruagem da Morte e uma versão de Quatro Manos. O sucesso nas FMs se traduziu em vendagem que ultrapassou a marca de 30.000 cópias (Totalmente Independente). O terceiro trabalho do grupo lançado em 1999, intitulado o Crime do Raciocínio veio altamente crítico, abordando a mídia, política, polícia, e crise social em geral. Foi lançado em Dezembro de 1999 e ultrapassou a marca das 45.000 cópias já no primeiro mês, alcançando com isso, a posição de CD mais vendido do Rap Nacional no 1º trimestre de 2000. Tem como destaque as músicas: Televisão (Conta com a participação de GOG), Tático Cinza (Conta com a participação de Douglas do Realidade Cruel) e o grande sucesso, que arrebentou nas rádios, Bomba H.

Além destes dados fornecidos pelo http://pt.wikipedia.org/wiki/Face_da_Morte, destacaria quatro outras letras que fazem parte de uma mesma história. Essa História é a das Lutas Populares ocorridas no Brasil. O Grupo Face da Morte classificou tais lutas a partir dos meses do ano. Assim, temos a primeira letra: Janeiro, Fevereiro, Março; a segunda: Abril-Maio, Junho; a terceira: Julho, Agosto, Setembro; Por fim, a quarta: Outubro, Novembro e Dezembro.

Não vou nesta postagem fazer conclusão, mas, as pessoas que tiverem paciência de ouvir as músicas e acompanhar as letras, tirarão por si só suas conclusões. E fica, aqui, o convite, para contribuir com o blog http://opovonalutafazhistoria.blogspot.com/.

Só mais um lembrete, no vídeo estão às quatro músicas.

101. Face da Morte - Janeiro-Fevereiro-Março

Clik no seu rádio
Bum, volume máximo
Acesso ilimitado a internet da favela
Face da Morte.com você que faz parte dela
Minha missão é a informação, então se liga sangue bom
Que eu cheguei pra resgatar algumas datas importantes da memória popular
O povo que não foi herdeiro
Em 21 de Janeiro, 1984, realizaram o ator, fundando o MST, pode crer, fruto popular pela reforma agrária, hoje estar organizado em 24 Estados, empunhado suas bandeiras, levando seus estandartes.
Aproveito pra citar Manuel Calafates, Pacifico Licutan, isso sim é que é que é bambambam.
Ainda tem Belchior diz que lutar é bem melhor.
Enfim não esqueci GG Marrir, Luis Salin, me lembro de vocês na revolta do Malês.
Tenho respeito pelos cincos de 1835, pelos lados da Bahia, na terra do meu avô, lutaram pela honra e liberdade dos Magos.
Pedro Ivo, hum, inesquecível, quebrou correntes, lutou por nossa gente, não respeitou barreiras, o importante líder da Revolução Praieira, 1849, que a esperança se renova, em Pernambuco, no Recife, maluco acredite, que na terra do sol, um Manifesto exigia voto livre universal, mais uma vez nosso povo, lutando com arrocho em busca de dignidade, evadiram a cidade enfrentando a repressão na luta por trabalho e liberdade de expressão.
1874, revolução, feitas peste se espalhou pelo Nordeste, Rio Grande do Norte, Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Ceará, aumentaram os impostos, mudaram as medidas, não concordando com aquilo, surgiu então a Revolta chamada de Quebra-Quilo.
Beato Severino, discípulo de Padre Cícero, em 1937, pos lado de São Francisco, na Bahia, bateu de frente com a oligarquia dos Vianas, em pleno natal, fundou a comunidade chamada Colher de Pau ou Pau de Colher, chamem como quiser o importante é o brilho.
Manuel Fiel Filho funcionário da Metal, arte de São Paulo, é preso em seu lugar de trabalho, em 17/01/1976, vejam vocês, encontrado três dias depois, torturado e morto num dos muitos calabouços, onde calavam a voz do povo.
Brasileiro, e por aqui encerro janeiro.

Eu não sou daqui - Marinheiro só - Eu não tenho amor - Marinheiro só - Eu sou da Bahia - Marinheiro só - Em são Salvado - Marinheiro só

Fevereiro muito abalo
No eixo Rio - São Paulo
Na luta contra a escravidão e a matança, os povos indígenas formaram uma grande aliança – Confederação dos Tamoios – contou com apoio Tupiniquim, Tupinambá, Karijó e Goianá, liderados por Emberé e Curambebé, a luta segue, em 1562 a 1567.
Na Guerra das Missões, 1756, vejam vocês, no Rio Grande do Sul uma matança tão terrível quanto à do Carandiru, lutando contra as tropas Luso-Espanholas sob um saúdo negativo 2500 índios mortos de uma só vez, fora os que morreram de 1553 a 1556.
Não sei se você sabia, 1814, em Salvador, Bahia, outra rebelião explodiu famoso levante negro, futuro do desespero, ansiedade, cede de liberdade, justiça, de 1807 a 1830, cheio de luta e dor, além de Salvador, Santo Amaro, Nazaré, Itaparica, Cachoeirinha, Ilhéus, porque a liberdade não cai do céu se conquista no dia a dia.
1975, foi fundado o movimento feminino pela anistia formado por mães e filhas de presos políticos.
Aflitos, atritos greves no ABC, o sindicalismo moderno, a esquerda do MDB, em 1980, fizeram nascer o PT

Eu não sou daqui - Marinheiro só - Eu não tenho amor - Marinheiro só - Eu sou da Bahia - Marinheiro só - Em são Salvado - Marinheiro só

Começo março já citando arregaço
1981, a Greve da PM no governo ACM, o próprio órgão repressor padeceu com a repressão, convocados então os fuzileiros navais a fim de estabelecer a paz da elite, atiraram no piquete matando um tenente grevista.
Em 1922 é fundado o Partido Comunista do Brasil, quem te vê quem te viu, fruto da elevação do grau de organização e consciência da classe operaria a beira da falência.
Por ela que eu trabalho, sofro, choro e sinto, mas sinto que 1935, Aliança Nacional Libertadora nasceu pra luta contra a classe opressora.
A greve dos 300 mil, em 1953, contou com os testes, metalúrgicos, marceneiros, videiros e os gráficos.
Em 1979, 180 mil operários entraram em greve em São Bernardo dos Campos.
Revolta de Porecatú, em 1951, latifúndios pra lá, posseiros pra cá, lutando pela terra no Norte do Paraná.
1968, Edson Luis foi morto pela polícia do Rio, sua morte gerou a passeata dos cem (100) mil
1987 a maior greve dos bancários do Brasil, 750 mil mobilizados, por aqui encerro março.
Pergunta do Jornalista: Eu queria que o senhor falasse pra gente o nome do senhor, onde é que está acampado e por que o senhor esta participando desta caminhada?
Resposta do entrevistado: Muito bem, João Marciliano de Carvalo, João sem terra das mãos arrebentadas, to acampado em promissão na terra desapropriada pra nós trabanhador trabaia, nee, e hoje estou participando dessa caminhada porque o governo não quer liberar o que já é nosso, a terra já tá desapropriada, já tamos na área e ele que se arda, porque ele ou abra mão da terra ou vamos fica lá mesmo, por que trabaia pra nossos filhos comer, nos precisamos trabaia. Por que? Se nós somos trabaiador não presta, se nos fomos rouba não preta. E como agente é bom pro governo? Então. Então o negocio é esse agora agente tem que corre pra quebrar ou ele ache bom ou ache ruim, ele que se cuide. Por que agente estamos cuidado faz é muito tempo.
Pergunta do Jornalista: Você que terra pra que Silvana?
Resposta do entrevistado Pra planta e colher. Tô pra vê se vê se agente consegue um pedaço de terra pra pranta, pra gente não morre de fome, case as coisas tudo ta cara, todo dia que agente, vai no mercado o preço ta almetado, pra isso é melhor a gente pranta pra gente, mio que agente ir lá no mercado compra coisa cara. Quero a terra pra pranta, comer comida. É porque agente queremos terra.

102. Face da Morte - Abril-Maio-Junho

No mês de abril a casa caiu
Eu vou lembrar a vocês
1996, Eldorado dos Carajás, 200 polícias espalharam o medo, causaram tormento, invadiram o acampamento do MST, prontos pra bater e pra matar, 19 trabalhadores morreram por lá.
Guerrilha do Araguaia, no Pará, começou em 72, terminou em 1974, com a morte dos guerrilheiros muitos deles degolados, na luta contra a Ditadura, um grande movimento armado. 69 guerrilheiros contra 20 mil das Forças Armadas da pátria amada Brasil, ouviu?
1954, camponeses contra latifundiários e polícia militar do Estado de Goiás, Tombas e Formosos, eu sigo orgulhoso, o líder José Porfírio, de 1964 foi cassado, preso e torturado.
Já ouviu falar em Lamarca, mais um que deixou marcas, ex-capitão do exército, abandonou a patente pra lutar por nossa gente, revolução ele queria, fugiu do 4º Regimento de Infantaria com um caminhão cheio de armas, enquanto o país cantava Pra Frente Brasil, Lamarca metia bala, lutava nas trincheiras do Vale da Ribeira.
1959, saindo das trincheiras, já estamos em maio, Revolta da Cantareira, os grevistas enfrentavam a marinha brasileira.
1823 a 1831, o sentimento comum anti-colonial levou ao choque mortal, Matamarouto explodia no Estado da Bahia, depois das surras, das prisões das famosas rebeliões, 1888 abriram as portas das senzalas, forçosamente assinada Lei Aérea, que não veio de graça, mas do primeiro movimento político de massa que se viu na nossa amada pátria amada Brasil.
1978, no ABC Paulista, outra pagina era escrita, mais de 100 mil operários no dia 1 de Maio, na manifestação contra a prisão do Lula chague bom, Devanir Ribeiro, (...), Djalma Bom, entre outros, lideres do povo.
1998, o cacique Chucuru, Francisco de Assis Araujo, foi morto em Pesqueira, Pernambuco, lutando pelas terras ancestrais de seu povo.
Eu juro que em junho, 1893, mais uma vez, o sonho de liberdade se tornou realidade, Velho Antonio Conselheiro, guerreiro, fez da fé o seu escudo, fundou o Belo Monte, conhecido por Canudos.
Aproveito este mês pra citar a vocês algumas das proezas de nossa imprensa negra que trazia conteúdo realidade brasileira, Clarim da Alvorada, Chibata, O Exemplo, Quilombo, A Liberdade, O Alfinete, Medelique, A Raça, Alvorada e a Voz da Raça, levando informação em lar em lar.
Face da Morte.com é só clicar, primeiro semestre na história da memória popular.

103. Face da Morte - Julho-Agosto-Setembro

Em Julho de 1934, eu relato a morte do lendário Padre Cícero que continua vivo nas orações, nas preces, no coração dos irmãos lá do Nordeste.
Em 1938, 28/07, acontece a emboscada comanda por José Bezerra matando o capitão Virgolino Ferreira, o Lampião, que foi o rei do Cangaço no Sertão.
1969, o ano que levaram o cofre com 2 milhão e meio de dólares da casa de uma amante do governador Ademar, 13 homens da Vara Palmares realizaram a empreitada o dinheiro fortalece ainda mais a luta armada. No ano seguinte, nas escadas do Teatro Municipal, é lançado em Minibú, em São Paulo, capital.
Em 1926, no mês de agosto segue a luta do povo, vamos de novo pra Bahia, pois lá se constituía o Quilombo do Capula lugar de muita luta onde os negros seqüestrados filhos dos senhores brancos pra vendê-los aos ciganos, revidar o que aconteceu antes da morte dos irmãos do Quilombo de Abrantes.
União Nacional dos Estudantes nasceu no 7/08/1937 e até hoje segue na luta popular, coisa que me faz lembrar quebra-quebra dos ônibus da Bahia contra aumento de 61% das tarifas, mais uma patifaria, nunca se esqueça maluco sempre se lembre no mesmo ano apedrejaram ACM.
1983, parabéns a vocês fundadores da CUT, felicidade aos trabalhadores do campo e também os da cidade.
1897, 22 de setembro, eu me lembro da morte do velho guerreiro Antonio Conselheiro
1931, Frente Negra Brasileira
1971, a morte de Lamarca, mas que um homem uma bandeira que nunca mais se apaga da memória brasileira
A Ditadura fechou o acesso aos estandes, 1980, a greve dos estudantes promovida pela UNE, durante três dias mobilizou um milhão na luta contra a covardia.
Em 1999, não se viu, mas em Brasília aconteceu a Marcha dos 100 mil.

104. Face da morte - Outubro-Novembro-Dezembro

Pisa nesse chão com força, sócia - Pisa nesse chão com força

Pesquisando, pesquisando olha só o que eu descubro em 1665, durante o mês de outubro Portugal proibiu a extração de sal no Brasil-Colonial, o povo se revoltou, incendiou, saqueou a casa dos contratadores, os lusos exploradores.
29/10/1925, então seja bendito o invicto Luis Carlos Prestes, o líder vitorioso da nossa Coluna Prestes que percorreu a pé ou a cavalo 25 mil Km em mais de 12 Estados, enfrentando oligarquias locais, as forças federais, tornando presos livres, pregando o voto livre, distribuindo terras, agindo contra a miséria, sacudiram a estrutura, onde passavam destruíam instrumento de tortura, por 24 meses ainda queimaram documentos anulando dividas dos camponeses.
Ainda esse mês, eu lembro a vocês, o Congresso da UNE em Ibiúna, olha só o que aconteceu, prenderam mais de 1000 estudantes, entre eles José Dirceu, Vladimir (o extravaso), um tremendo arregaço.

Pisa nesse chão com força, sócia - Pisa nesse chão com força

Caminhando contra o vento, começo novembro, dia 07/11/1837, se liga no que acontece, a Sabinada declarava a independência da Bahia.
Em 1910, no Rio acontecia a Revolta da Chibata maior da nossa marinha
Em 1912, o Contestado liderado pelo monge João Maria, em Santa Catarina, também já passei por lá.
1969, me lembra Mariguela figura lendária na luta pela causa, um grande militante pensador da luta armada
1936, vêm na memória outra vez, Caldeirão da Santa Cruz, louvado seja meu Jesus, comunidade que crescia, igualdade prevalecia, incomodou oligarquias que aliadas ao governo apontaram seus cachões, utilizaram aviões pra metralhar bombardear o povo de José Lourenço.
É muito triste, mas eu lembro e continuo dizendo que em 14 de novembro, 1991, aconteceu mais um ato em favor do bem, as entidades as entidades negras se reúnem no ENEN fundando o CONEN, pra quem não sabe Coordenação Nacional das Entidades Negras, firmeza.

Pisa nesse chão com força, sócia - Pisa nesse chão com força

Já chegamos em dezembro, daqui a pouco a letra acaba, mas dá tempo de lembrar a Revolta de Juriacaba, no Amazonas, as margens do Rio Negro, onde morreram milhares de índios, verdadeiros brasileiros
Não posso ir embora sem passar no Maranhão, mandar um çalve pra os meninos sangue B, nordestino e muitos outros camaradas dessa terra abençoada, onde ocorreu a tão famosa inesquecível Balaiada, em 1938, muita luta muito esforço acabaram derrotados pelo duque puxa-saco, conhecido por Caxias, quem diria que hoje em dia vira nome de pracinha, caquete traidor, metido a esperto, pior que hoje em dia ele é patrono do exercito, não poupou e fuzilou, e nem teve tempo de rezar, pobre Anjo Pomar, 1976, quando tinha 63 e Anjo Arroio que tinha 48 - em reunião do Comitê do PCdoB
É... Só pra lembrar a vocês, foi no dia 16 o massacre da Lapa, sem esquece de outro cara que foi muito valioso, 1988, foi morto outro líder de minha gente, meu registro é em memória deste homem competente, que Jesus guarde sua alma, glorioso Chico Mendes.
Foram três dias pra escrever, mas tenho orgulho de saber que estou passando pro meu povo um pouco de informações, de conscientização, auto-valorização, obrigado sangue bom pelo dom de me entender.
Face da Morte sempre, sempre, ponto com você.

Pisa nesse chão com força, sócia - Pisa nesse chão com força

domingo, 22 de maio de 2011

OLODUM: LETRAS COM CONTÉUDOS DE HISTÓRIA


Luis Carlos


Nas atividades de sala de aula de História e Filosofia, uso constantemente a música como instrumento pedagógico. Então “conhecedor” da Banda Olodum (disponho de aproximadamente 145 letras e músicas em mp3, seleciono 30 que dão para relacionar com conteúdos de história) fui procurar no Youtube um vídeo da música “Madagascar Olodum” para fazer uma ponte com a temática “História da África”. O resultado da busca, no referido site, foi positivo: encontrei um vídeo com o áudio que objetivava encontrar. Para a minha surpresa, também encontrei 338 comentários sobre a letra.

O que me chamou a atenção, de um lado, foi à confusão criada a partir de um comentário que diz que: “Musica de religião é uma coisa, axé é outra coisa, essa música não mostra bundas e nem tem TV como dono, que os evangélicos que o digam, isso é música”. Daqui em diante há uma seqüência de opiniões sobre a utilização das palavras evangélica e Deus. De outro lado, foi que dentre as mesmas idéias, existem falas interessantes sobre o conteúdo da letra, que se manifestam da seguintes formas:

“Essa musica se refere a história de uma nação que lutou pela liberdade até o fim, destacando seus principais governantes e suas cidades”.

“Uma aula de história, de boa música, de versos que teem o que dizer!!!

Bons tempos os das letras que ensinavam alguma coisa.

Triste ter que ouvir hj coisas como " dar uma fugidinha..", "rebolation tion" entre outras bestialidades!

Embora a gente saiba que o que existe e sempre existiu foram apenas dois tipos de música: a boa e a ruim, mas dávamos mais valor à boa!”.

“Nossa! quanta ignorância por causa de uma musica. S Egito é ou foi negro sim , que tal aprender um pouco de História? Não a Historia Eurocentrica. que dividiu e dizimou a Africa, de acordo com as sua politica que implantou o colonialismo! Se um continente tão vasto foi assim devastado por um outro (que não chega ao tamanho da Nigeria, Congo e Madagascar e Africa do Sul juntos) qual o real interesse deles?

A questão aqui é historiográfica e não religiosa.....”.

“Sou baiano e gosto de poprock mas coloquei essa música para mostrar para meu filho de 16 anos que nós tinhamos aula de história em nossas músicas. Maravilha!”.

“è isso ai, isso era musica bahiana de verdade, agora são só esses axezeiros medíocres, bunda, latinha, abridor de lata, tesoura, tubo de cola, caixa de som, durex, pirex, panela, e outras danças ridiculas que surgem todos os dias, que vergonha!!!!”.

“Ignorância doi mas fazer o que né? o Brasil é um País de branco europeu e escravisador né? ou é um país mestiço afrodescendente que faz festa no terreiro mesmo salve a Reflexu´s salve as tradições africanas salve o candomblé!”.

“Gente,axé é uma palavra de origem africana da nação yorubá...então vem uns playboys e patricinhas da barra com um rock adaptado e uma batida mais rápida dizendo que cantam axé!!!Axé pessoal é Marinez,Olodum ,Ilê,Araketu,rouparam nossa cultura quando perceberam que daria dinheiro!!!I”.

“ela conta um pouco da história de madagascar e aproveita para exaltar o olodum e madagascar que fazem sempre protesto evocando igualdade e liberdade”.

“Grande letra,essa foi a melhor e mais culta fase das letras de axe,mais do axe como base de inclusao social e nao apenas como musica de fazer pular com refroes faceis como hoje em dia ,grande letra essa de madagascar.Viva olodum,Reflexus e margaret menezes,remanescente desse estilo de composição”.

“O nome da Música é madagascar Olodum, música de Rey Zulu gravada primeiramente pelo Olodum e em 1987 pela banda Reflexus que se tornou sucesso no brasil inteiro na bela voz da cantora Marinês”.

“na minha sala,quem não soubesse está letra todinha estava completamente por fora,como nossa música baiana empobreceu,mas valeu por ter sido adolescente nesta época!!!!”.

”Se alguém procurar entender o significado da letra desta canção, entenderá e reconhecerá a grandeza e majestade da raça negra. Reinos de explendor, povos poderosíssimos e cheios de sabedoria, que tiveram contato com assírios, fenícios, egípcios, babilônios, persas, hebreus, gregos, romanos e árabes, e segundo pesquisas, até com chineses”.

“puts!!!! Isso que era musica baiana de qualidade...ta!!, faziam musica boa...hj agente só ve porcaria na musica baiana, salvo alguns é claro...mas a maioria é lixo..Salve Banda reflexus, até hj tenho o disco, velhinho mas da pra matar a saudade”.

Fonte: http://www.youtube.com/all_comments?v=PzOtPwZDKW8

Se estas idéias dos comentários expostos, de uma forma ou de outra, apontam para “alguns” aspectos importantes da história da África, que podem ser vinculados a outros textos mais aprofundados sobre o assunto (como pretendo realizar em sala de aula), vejamos outras quatros letras que escolhi da Banda Olodum, para termos outras idéias da produção cultural desse grupo.

Na letra “Um povo comum a Pensar”, de Suka, o tema central é Cuba. Diz que na Ilha “(...) prá ter direitos nada nos custa (...)”. É “Latinamente um povo, Negro carxaxe a cantar (...)”. Neste sentido, bate na mente do compositor, e conseqüentemente, da Banda Baiana, que o povo de Cuba é “Um povo comum a pensar”. Pensa a partir de quem? De “Che Guevara”. Tem, igualmente, uma “Mente, Fortemente revolucionaria” com “(...) Fidel Castro, Em pró de uma classe sofrida, Proletária, Leninista”. Termina a letra dizendo: “Onde não tem mendigos, Nem tanto vilão, Aonde o dinheiro, Não é uma obsessão”.

Em “Sueños Lejos” (composição de Tosta Passarinho), a Banda é chamada a cantar Cuba, porque ela “(...) encanta, Espanta os males, pra beleza, conquistar”. Do Brasil, se vê Cuba, tem um passaporte, no entanto, “Me proibindo em Cuba entrar”. Diz a Banda Olodum que tal situação proibitiva “É uma ofensa a Cuba, Um desrespeito a mim”. Após, levanta a questão do Projeto Mamnba, que segundo o site Wikipédia, era um Mapeamento de Sítios e Monumentos Religiosos Negros da Bahia:

coordenado pelo Dr. Ordep Serra antropólogo da Universidade Federal da Bahia (UFBA), e por seu irmão o antropólogo Olympio Serra, através de um convênio entre a antiga Fundação Nacional Pró-Memória e a Prefeitura Municipal de Salvador, o levantamento realizado entre os anos de 1982 e 1987, totalizou cerca de duas mil sedes de cultos afro-brasileiros (Terreiros) somente na cidade de Salvador. O IPHAN, já oficializou o tombamento de vários Templos afro-brasileiros.

Termina a letra em um tom de revolta, e, solicitando a ajuda da liderança cubana: “(...) Mambo Cuba, Manda um Fidel, Fidel, voar, prá cá, Pra essa zorra melhorar”.

As outras duas letras trazem a tona os acontecimentos que giraram em torno da Chacina da Candelária (Composição de Lazinho, Guiguio e Jaccy Lee – Candelária), faz referência também a morte de índios Yanomami. Por fim, a Composição de Fernando de Itapuã e Neuber Moreno (Cara Pintada), aludindo ao movimento dos Caras Pintadas. A Banda Olodum se posiciona politicamente ao afirma que, assim, como o movimento: quer “educação” e acabar com a “corrupção”, pois, “Se o futuro nos pertence, Então temos que lutar”, dado que, “Se ficarmos de braços cruzados, Nada vai adiantar”. E arremata: “Se for pra pintar, Eu pintarei, Para conseguir educação, Eu pintarei o meu rosto, Prá acabar com a corrupção”.


Além destas ainda há outras letras da Banda Olodum, que, após garimpadas, dão para se trabalhar em sala de aula, e, em outros contextos alhures, dependendo da situação. Falando em “garimpagem”, a pesar do “enlatamento” da produção artística da música brasileira feito pela Indústria Cultural, dá para encontra algumas coisas que preste, pouco, diga-se de passagem. Ademais, também existe, ai, sim, muita coisa boa, fora do monopólio da indústria música.
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