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quinta-feira, 28 de abril de 2011

VACA ESTRELA E BOI FUBÁ - Patativa do Assaré




VACA ESTRELA E BOI FUBÁ - Patativa do Assaré

Seu doutor me dê licença
pra minha história contar.
Se hoje eu tô na terra estranha,
é bem triste o meu penar
Mas já fui muito feliz
vivendo no meu lugar.
Eu tinha cavalo bom
e gostava de campear.
E todo dia aboiava
na porteira do curral.
Ê ê ê ê la a a a a ê ê ê ê Vaca Estrela,
ô ô ô ô Boi Fubá.

Eu sou filho do Nordeste ,
não nego meu naturá
Mas uma seca medonha
me tangeu de lá pra cá
Lá eu tinha o meu gadinho,
num é bom nem imaginar,
Minha linda Vaca Estrela
e o meu belo Boi Fubá
Quando era de tardezinha
eu começava a aboiar
Ê ê ê ê la a a a a ê ê ê ê Vaca Estrela,
ô ô ô ô Boi Fubá.

Aquela seca medonha
fez tudo se atrapalhar,
Não nasceu capim no campo
para o gado sustentar
O sertão esturricou,
fez os açude secar
Morreu minha Vaca Estrela,
já acabou meu Boi Fubá
Perdi tudo quanto tinha,
nunca mais pude aboiar
Ê ê ê ê la a a a a ê ê ê ê Vaca Estrela,
ô ô ô ô Boi Fubá.

Hoje nas terra do sul,
longe do torrão natá
Quando eu vejo em minha frente
uma boiada passar,
As água corre dos olho,
começo logo a chorá
Lembro a minha Vaca Estrela
e o meu lindo Boi Fubá
Com saudade do Nordeste,
dá vontade de aboiar
Ê ê ê ê la a a a a ê ê ê ê Vaca Estrela,
ô ô ô ô Boi Fubá.

A MORTE DE NANÁ - Patativa do Assaré




A MORTE DE NANÁ - Patativa do Assaré

Eu vou contá uma histora
Que eu não sei como comece,
Pruquê meu coração chora,
A dô no meu peito cresce,
Omenta o meu sofrimento
E fico uvindo o lamento
De minha arma dilurida,
Pois é bem triste a sentença
De quem perdeu na isistença
O que mais amou na vida.

Já tou velho, acabrunhado,
Mas inriba dêste chão,
Fui o mais afortunado
De todos fios de Adão.
Dentro da minha pobreza,
Eu tinha grande riqueza:
Era uma querida fia,
Porém morreu muito nova.
Foi sacudida na cova
Com seis ano e doze dia.

Morreu na sua inocença
Aquêle anjo incantadô,
Que foi na sua isistença,
A cura da minha dô
E a vida do meu vivê.
Eu bejava, com prazê,
Todo dia, demenhã,
Sua face pura e bela.
Era Ana o nome dela,
Mas, eu chamava Nanã.

Nanã tinha mais primô
De que as mais bonita jóia,
Mais linda do que as fulô
De un tá de Jardim de Tróia
Que fala o dotô Conrado.
Seu cabelo cachiado,
Prêto da cô de viludo.
Nanã era meu tesôro,
Meu diamante, meu ôro,
Meu anjo, meu céu, meu tudo,

Pelo terrêro corria,
Sempre sirrindo e cantando,
Era lutrida e sadia,
Pois, mesmo se alimentando
Com feijão, mio e farinha,
Era gorda, bem gordinha
Minha querida Nanã,
Tão gorda que reluzia.
O seu corpo parecia
Uma banana-maçã.

Todo dia, todo dia,
Quando eu vortava da roça,
Na mais compreta alegria,
Dento da minha paioça
Minha Nanã eu achava.
Por isso, eu não invejava
Riqueza nem posição
Dos grandes dêste país,
Pois eu era o mais feliz
De todos fio de Adão.

Mas, neste mundo de Cristo,
Pobre não pode gozá.
Eu, quando me lembro disto,
Dá vontade de chorá.
Quando há sêca no sertão,
Ao pobre farta feijão,
Farinha, mio e arrôis.
Foi isso que aconteceu:
A minha fia morreu,
Na sêca de trinta e dois.

Vendo que não tinha inverno,
O meu patrão, um tirano,
Sem temê Deus nem o inferno,
Me deixou no desengano,
Sem nada mais me arranjá.
Teve que se alimentá
Minha querida Nanã,
No mais penoso matrato,
Comendo caça do mato
E goma de mucunã.

E com as braba comida,
Aquela pobre inocente
Foi mudando a sua vida,
Foi ficando deferente.
Não sirria nem brincava,
Bem pôco se alimentava
E inquanto a sua gordura
No corpo diminuía,
No meu coração crescia
A minha grande tortura.

Quando ela via o angu,
Todo dia demenhã,
Ou mesmo o rôxo beju
De goma de mucanã,
Sem a comida querê,
Oiava pro dicumê,
Depois oiava pra mim
E o meu coração doía,
Quando Nanã me dizia:
Papai, ô comida ruim!

Se passava o dia intêro
E a coitada não comia,
Não brincava no terrêro
Nem cantava de alegria,
Pois a farta de alimento
Acaba o contentamento,
Tudo destrói e consome.
Não saía da tipóia
A minha adorada jóia,
Infraquecida de fome.

Daqueles óio tão lindo
Eu via a luz se apagando
E tudo diminuindo.
Quando eu tava reparando
Os oínho da criança,
Vinha na minha lembrança
Um candiêro vazio
Com uma tochinha acesa
Representando a tristeza
Bem na ponta do pavio.

E, numa noite de agosto,
Noite escura e sem luá,
Eu vi crescê meu desgôsto,
Eu vi crescê meu pená.
Naquela noite, a criança
Se achava sem esperança
E quando vêi o rompê
Da linha e risonha orora,
Fartava bem pôcas hora
Pra minha Nanã morrê.

Por ali ninguém chegou,
Ninguém reparou nem viu
Aquela cena de horrô
Que o rico nunca assistiu,
Só eu a minha muié,
Que ainda cheia de fé
Rezava pro Pai Eterno,
Dando suspiro maguado
Com o rosto seu moiado
Das água do amó materno.

E, enquanto nós assistia
A morte da pequenina,
Na menhã daquele dia,
Veio um bando de campina,
De canaro e sabiá
E começaro a cantá
Um hino santificado,
Na copa de um cajuêro
Que havia bem no terrêro
Do meu rancho esburacado.

Aqueles passo cantava,
Em lovô da despedida,
Vendo que Nanã dexava
As misera desta vida.
Pois não havia ricurso,
Já tava fugindo os purso.
Naquele estado misquinho,
Ia apressando o cansaço,
Seguido pelo compasso
Da musga dos passarinho.

Na sua pequena bôca
Eu via os laibo tremendo
E, naquela afrição lôca,
Ela também conhecendo
Que a vida tava no fim,
Foi regalando pra mim
Os tristes oínho seu,
Fêz um esfôrço ai, ai, ai,
E disse: "Abença, papai!"
Fechó os óio e morreu.

Enquanto finalizava
Seu momento derradêro,
Lá fora os passo cantava,
Na copa do cajuêro.
Em vez de gemido e choro,
As ave cantava em coro.
Era o bendito prefeito
Da morte do meu anjinho.
Nunca mais os passarinho
Cantaro daquele jeito.

Nanã foi, naquele dia,
A Jesus mostrá seu riso
E omentá mais a quantia
Dos anjo do Paraíso.
Na minha maginação,
Caço e não acho expressão
Pra dizê como é que fico.
Pensando naquele adeus
E a curpa não é de Deus,
A curpa é dos home rico.

Morreu no maió matrato
Meu amô lindo e mimoso.
Meu patrão, aquele ingrato,
Foi o maior criminoso
Foi o maió assassino.
O meu anjo pequenino
Foi sacudido no fundo
Do mais pobre cimitero
E eu hoje me considero
O mais pobre dêste mundo.

Soluçando, pensativo,
Sem consôlo e sem assunto,
Eu sinto que inda tou vivo,
Mas meu jeito é de defunto.
Invorvido na tristeza,
No meu rancho de pobreza,
Tôda vez que eu vou rezá,
Com meus juêio no chão,
Peço em minhas oração:
Nanã, venha me buscá!



O SÉCULO - CASTRO ALVES (VÉDEO E POESIA)




O Século


Soldados, do, alto daquelas pirâmides
quarenta séculos vos contemplam!
Napoleão


o século é grande e forte. Alinhar ao centro
V. Hugo


Da mortalha de seus bravos
Fez bandeira a tirania
Oh! armas talvez o povo
Deseus ossos faça um dia

J. Bonifácio


O séc’lo é grande... No espaço
Há um drama de treva e luz.
Como o Cristo — a liberdade
Sangra no poste da Cruz.
Um corvo escuro, anegrado,
Obumbra o manto azulado,
Das asas d'águia dos céus...
Arquejam peitos e frontes...
Nos lábios dos horizontes
Há um riso de luz... É Deus.

Às vezes quebra o silêncio
Ronco estrídulo, feroz.
Será o rugir das matas,
Ou da plebe a imensa voz?...
Treme a terra hirta e sombria. . .
São as vascas da agonia
Da liberdade no chão?...
Ou do povo o braço ousado
Que, sob montes calcado,
Abala-os como um Titão?!...

Ante esse escuro problema
Há muito irônico rir.
Pra nós o vento da esp'rança
Traz o pólen do porvir.
E enquanto o cepticismo
Mergulha os olhos no abismo,
Que a seus pés raivando tem,

Rasga o moço os nevoeiros,
Pra dos morros altaneiros
Ver o sol que irrompe além.
Toda noite — tem auroras,
Raios — toda a escuridão.
Moços, creiamos, não tarda
A aurora da redenção.
Gemer — é esperar um canto...
Chorar - aguardar que o pranto
Faça-se estrela nos céus.
O mundo é o nauta nas vagas...
Terá do oceano as plagas
Se existem justiça e Deus.

No entanto inda há muita noite
No mapa da criação.
Sangra o abutre — tirano
Muito cadáver — nação.
Desce a Polônia esvaída,
Cataléptica, adormida,
À tumba do Sobieski;
Inda em sonhos busca a espada ...
Os reis passam sem ver nada ...
E o Czar olha e sorri...

Roma inda tem sobre o peito
O pesadelo dos reis!
A Grécia espera chorando
Canaris... Byron talvez!
Napoleão amordaça
A boca da populaça
E olha Jersey com terror;
Como o filho de Sorrento,
Treme ao fitar um momento
O Vesúvio aterrador.

A Hungria é como um cadáver
Ao relento exposto nu;
Nem sequer a abriga a sombra
Do foragido Kossuth.
Aqui — o México ardente,
— Vasto filho independente
Da liberdade e do sol —
Jaz por terra... e lá soluça
Juarez, que se debruça
E diz-lhe: "Espera o arrebol!"

O quadro é negro. Que os fracos
Recuem cheios de horror.
A nós, herdeiros dos Gracos,
Traz a desgraça — valor!
Lutai... Há uma lei sublime
Que diz: "À sombra docrime
Há de a vingança marchar."
Não ouvis do Norte um grito,
Que bate aos pés do infinito,
Que vai Franklin despertar?

É o grito dos Cruzados
Que brada aos moços — "De pé"!
É o sol das liberdades
Que espera por Josué!...
São bocas de mil escravos
Que transformaram-se em bravos
Ao cinzel da abolição.
E — à voz dos libertadores —
Reptis saltam condores,
A topetar n'amplidão!...

E vós, arcas do futuro,
Crisálidas do porvir,
Quando vosso braço ousado
Legislações construir,
Levantai um templo novo,
Porém não que esmague o povo,
Mas lhe seja o pedestal.
Que ao menino dê-se a escola,
Ao veterano — uma esmola...
A todos — luz e fanal!

Luz!... sim; que a criança é uma ave,
Cujo porvir tendes vós;
No sol — é uma águia arrojada,
Na sombra — um mocho feroz.
Libertai tribunas, prelos ...
São fracos, mesquinhos elos...
Não calqueis o povo-rei!
Que este mar d'almas e peitos,
Com as vagas de seus direitos,
Virá partir-vos a lei.

Quebre-se o cetro do Papa,
Faça-se dele — uma cruz!
A púrpura sirva ao povo
Pra cobrir os ombros nus,
Que aos gritos do Niagara
— Sem escravos, — Guanabara
Se eleve ao fulgor dos sóis!
Banhem-se em luz os prostíbulos,
E das lascas dos patíbulos
Erga-se a estátua aos heróis!

Basta!... Eu sei que a mocidade
É o Moisés no Sinai;
Das mãos do Eterno recebe
As tábuas da lei! — Marchai!
Quem cai na luta com glória,
Tomba nos braços da História,
No coração do Brasil!
Moços, do topo dos Andes,
Pirâmides vastas, grandes,
Vos contemplam séc'los mil!

Castro Alves


quarta-feira, 27 de abril de 2011

HISTÓRIA E SUA IMPORTÂNCIA

Luis Carlos

Professor de história

Em homenagem ao belo artigo “Onde está o povo nas lutas da história do Brasil!?!”, postado no seguinte blog: http://budegadohistoriador.blogspot.com/2011/04/onde-esta-o-povo-nas-lutas-da-historia.html

INTRODUÇÃO

Este artigo foi produzido para as aulas de introdução a História do Ensino Fundamental e Médio. Servia como um guia itinerário aos conteúdos dos livros didáticos, que tinha de segui-los ao pé da letra dado a exigência da “coordenação pedagógica da disciplina (controle do saber e poder nas relações pedagógicas?).

Então, na pratica de ensino, não deixava de segui formalmente os conteúdos, nas cadernetas existia sempre o registro dos mesmos, no entanto, os usava como suportes aos “princípios norteadores” do texto abaixo usando o método de “desconstrução” dos conteúdos didáticos (até que os engodos dos textos Pós Modernos da época de graduação me serviu de alguma coisa: o método de “desconstrução expositiva dos textos escritos”), ao tempo em que, relacionava as informações necessárias aos “princípios norteadores”. Como se operava isso? Através de ESTUDOS DIRIGIDOS. Nesses estavam presentes, de um lado, os “princípios norteadores”, de outro os alunos e os livros: os alunos e alunas tinham que pesquisar (identificar e reconhecer) nos CONTEÚDOS as informações aproximadas deles, se focando apenas naquilo que era essencial. Daí seguia todo um processo de método de ensino que não vem ao caso expor.

O importante é apenas observa os motivos que impulsionaram o surgimento do texto, motivos esses, precedidos de muitas inquietações pessoas, dado aos limites que encontramos na escola publica. Um deles ainda é a existência de um controle ideológico proveniente da seleção dos livros didáticos pelo MEC, Secretarias de Educação dos Estados da Federação, Secretarias Municipais, bem como, por alguns professores e professoras (dentre elas a minha ex-coordenadora) formados nos cursos de licenciaturas em História, que saem das Universidades, senão de Pós Graduação, cheios de “Novas idéias” Pós Modernas. Alguns (não todos certamente) desses professores e professores são intolerantes e preconceituosos com professores que seguem a teoria marxista no ensino de História. Parece que não aprenderam nada com as teses pós-moderna da “tolerância” em relação ao “outro” ou de “saber e poder”, etc.

HISTÓRIA E SUA IMPORTÂNCIA

A História é uma ciência social. Como tal, implica dizer que, o conhecimento do processo de transformação da sociedade humana ao longo do tempo é seu objeto de estudo.

Esta definição aponta para um elemento essencial: seu caráter de sociedade, e, não de indivíduos. Os fatos isolados que exaltam as individualidades dos grandes generais e presidentes, destacando que os que se revoltam são enforcados ou fuzilados; dos donatários e suas capitanias hereditárias sem destacar por que elas foram organizadas ou como viviam os homens da sociedade colonial; a sucessão de governantes sem qualquer referência aos governados; os dirigentes como verdadeiros heróis em contraste com a participação popular: tudo isso não pertence ao domínio da história, porque essa é a maneira que a classe dominante vê a si mesma. E o que é mais grave (pernicioso), impõe ao povo trabalhador sua imagem como sendo de uma classe salvadora, sem a qual a classe dominada e oprimida não pode ser capaz de ter um destino próprio, uma sociedade nova, sem exploradores e sem explorados. Tal idéia é contada através da Historia Oficial e, conseqüentemente, transmitida pelos meios de comunicação, escolas etc. segundo Aquino, esta é a “História dos vencedores e não dos vencidos”.

Ao contrário desta história individualista, a sociedade, em primeiro lugar, é o que a História estuda. As relações sociais de produção é seu objeto de conhecimento. Uma vez que, a base da vida em sociedade é a produção. Pra viver é preciso produzir; para produzir é preciso trabalhar. Os homens trabalham juntos, vivem juntos – constituem a sociedade.

Você há de concordar que o modo como conseguimos os bens necessários a sobrevivência – alimentos, habitação, vestuário etc. – é um dos aspectos mais importante da vida em sociedade. De um modo geral, as pessoas passam a maior parte de seu tempo trabalhando. Daí, a forma de trabalho determinar a maneira de ser e de agir das pessoas. E é através do processo de produção da sociedade que estabelecemos determinados vínculos sociais, políticos e ideológicos.

Quando usamos a expressão processo de produção, estamos falando da maneira pela qual os homens produzem os meios de subsistência, isto é, como os elementos encontrados na Natureza são transformados, pelo trabalho humano, em produtos úteis a sobrevivência. O modo de agir sobre a Natureza (produzir) e as relações sociais que se estabelecem entre os homens no processo de produção constituem uma determinada maneira de viver. Isso é o mesmo que dizer que você vive em sociedade e que todos os indivíduos ativos na produção estabelecem determinados vínculos.

Sociais – os colegas de trabalho, o patrão e seus empregados, a família. Políticos – o poder de mando do patrão, as leis criadas por determinado tipo de governo. Ideológicas – as explicações para nossos atos, nossas idéias, nossas atitudes, nossos valores, nossa visão de mundo.

Agora responda: qual é hoje a forma de sobrevivência da maioria das pessoas em nossa sociedade? Isso você pode identificar facilmente.

Nossa forma de sobrevivência tem por base, de um modo geral, o trabalho assalariado. Esse trabalho é realizado por pessoas que, não sendo proprietárias de coisa alguma, para sobreviver tem de vender a única coisa que possuem – a sua força de trabalho. Vender para alguém que, dispondo de dinheiro e de todos os meios necessários a produção (matérias-primas, instrumentos de trabalho) lhe paga um salário. Por isso que, o trabalho assalariado é característica essencial do sistema capitalista em que vivemos.

Em linhas gerais, o que é o sistema capitalista?

Em nossa sociedade o trabalhador emprega o salário que recebe na aquisição do que é necessário a sobrevivência. Nenhum dos produtos feitos no local de trabalho lhe pertence, nem aos seus companheiros; todos vendem a sua força de trabalho para o dono dos meios de produção, que se apropria das mercadorias resultantes do trabalho daquelas pessoas.

O dono dos meios de produção obtém lucro na produção e comercialização das mercadorias, na medida em que, o valor do salário pago aos trabalhadores é menor que o valor das mercadorias. Seus produtores diretos, os trabalhadores, só posteriormente, caso o salário seja suficiente, poderão comprá-las.

Qual a diferença, então, entre o dinheiro-lucro dos donos dos meios de produção e o dinheiro-salário dos trabalhadores?

O que distingue é a forma como é usado: o salário é empregado na aquisição do que é necessário a sobrevivência, e, o lucro é investido na reprodução desses mesmos lucros.

Por isso, o dinheiro só se torna capital quando é usado para adquirir mercadorias ou trabalho com a finalidade de lucro.

Você deve ter percebido o que significa dizer que vivemos em um sistema capitalista. Poderia, então, identificar os elementos essenciais deste sistema?

O capitalismo tem dois elementos essenciais: capital e trabalho. O capital dos donos dos meios de produção e o trabalho das pessoas que possuem um único bem – sua força de trabalho, que o capital compra, pagando salários. O trabalhador produz as mercadorias e o capital se apropria delas.

Construir nossa consciência como homens e mulheres desta sociedade presente, a partir do passado, é de fundamental importância para que a História tenha sentido para nós. Como diz Marc Bloch: “A incompreensão do presente nasce da ignorância do passado”. Porque este grande Historiador fala isto? Porque de nada adianta conhecermos o passado se nada sabemos do presente. Isto significa também que não se pode perder de vista o compromisso com os problemas e indagações do tempo presente. Por essa razão, devemos utilizar o método do duplo movimento: conhecer o passado através do presente e conhecer o presente através do passado.

Já sabemos que a expressão presente é a sociedade capitalista, na qual vivemos manifestando vida. E o passado? Ah! Falar do passado significa dizer que antes da sociedade capitalista nascer a partir do séc. XVI e XVIII na Europa, e, no Brasil a partir da segunda metade do séc. XIX outras sociedades existiram tanto no Velho Continente Europeu quanto na África, Oriente Médio e Ásia, que foram, respectivamente, as sociedades de comunidade primitivas, comunidades de modo asiático, as sociedades escravistas, as sociedades feudais. No caso da América, houve as sociedades que vai das comunidades primitivas e de modo asiática até chegar às sociedades de modo capitalistas. Por isso, comparar o presente com o passado e o passado pelo presente é fundamental para a construção de nossa consciência histórica, pois, conhecer as diversas formas de o homem manifestar vida no passado é um suporte para refletir sobre nossa forma de compreender e explicar o Mundo. Ao conhecer os diferentes modos de vida, organizados pelos homens, estaremos construindo nossa consciência histórica e nos sentindo mais seguros quanto aos rumos para a construção de um novo mundo.

Ao Identificar e reconhecer o conhecimento do processo de transformação da sociedade humana ao longo do tempo, podemos conhecer como aquelas diferentes sociedades organizavam suas vidas, se relacionavam com a natureza ou explicavam a origem do mundo, as doenças, o sofrimento e a morte. Conhecer o passado nos permite compreender melhor a realidade em que vivemos, descobrir os limites, as potencialidades e as conseqüências dos atos humanos e, a luz de uma analise criteriosa das tendências, apontar o caminho para onde estamos indo.

Enfim, ter consciência histórica, como foi mencionado acima, é conhecer as transformações vividas na sociedade em que se atua. Muito bem! Portanto, ter consciência histórica significa ter consciência do nosso poder de transformação, do nosso poder de sermos os agentes da História e não seres passivos, acomodados, que sofrem a História. Por isso, ter consciência histórica significa sermos verdadeiros homens, homens conscientes para podermos construir um mundo melhor – não como objeto, não como instrumentos de trabalho de uma classe dominante, mas como seres humanos inteiros e criativos que trabalham realizando tarefas produtivas, intelectuais ou braças, que atendam as necessidades da coletividade.

BIBLIOGRAFIA

AQUINO, Rubim Santos Leão de et ali. Et ali. Liberdade? Nem Pensar!: O Livro das Conjurações. Rio de Janeiro: Editora Record, 2001.

_________ et ali. Sociedade Brasileira: Uma história através dos movimentos sociais. Rio de Janeiro: Editora Record, 2000.

_________. et ali. História das Sociedades: das sociedades modernas às sociedades atuais. Rio de Janeiro: Editora Record, 2001.

_________. et ali. Uma História Popular. Rio de Janeiro, 2003.

_________. et ali. História das Sociedades: das comunidades primitivas às sociedades medievais. Rio de Janeiro: Editora Ao Livro Técnico,1980.

Cardoso, Ciro Flamarion. Domínio da Historia – Ensaios de teoria e metodologia. Editores Campos, 5º Edição.

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