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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Desenho Animado de Morte e Vida Severina


O blog o povo na luta faz historia tem o prazer em disponibilizar, depois de longo trabalho de ripagem e conversão do vídeo, a versão em desenho animado da obra prima de João Cabral de Melo Neto, Morte e Vida Severina.

A versão audiovisual em 3D mantém o texto original dando vida e movimento aos personagens do alto de natal pernambucano. Ao contrario da peça apresentada em 1956, da qual participou Chico Buarque (o álbum com as músicas e as poesias já disponibilizamos neste blog) e da versão teleteatral musical produzida pela TV Globo em 1981, o longa metragem em preto e branco é fiel ao texto do grande poeta pernambucano, narrando a dura caminhada de Severino, um retirante nordestino, que migra do sertão para o litoral em busca de uma vida melhor.

A excelente produção que resgatou uma das maiores obras da literatura brasileira em puro entretenimento visual e educacional tem 56 minutos. Conta com a participação de Vanda Phaelante que dá voz a Velha das Caveiras, de Lívia Falcão e Eduardo Japiassu que assumem o papel dos ciganos, de João Augusto Lira que interpreta o Coveiro Velho, Jones Melo o Coveiro Negro, enquanto as vozes de Fábio Caio e Vavá Schon Paulino representam os irmão das Almas.

Produzido para a TV Escola, o filme já está sendo distribuído para as bibliotecas escolares de todo o Brasil, disso sou testemunha, pois chegou à Escola em que trabalho como mediador de leitura.

Porquanto não deixem de olhar, Depois que assistir e apreciar, Sei que também vão divulgar, Para outros igualmente se aculturar.


Morte e Vida Severina - Desenho from http://opovonalutafazhistoria.bl on Vimeo.


Para fazer o Download do vídeo faça o seguinte: Clique no nome do vídeo (Morte e Vida Severina - Desenho) ou no endereço (http://opovonalutafazhistoria.bl), após isso, vai abrir uma janela do site Vimeo, onde está postado o Vídeo. Em baixo dela vai ter a imagem seguinte na qual se identifica o formato, largura e tamanho e logo a palavra Download: é só dá um clique e pronto.



Observação: Às vezes mudam a imagem, mas aparecem os mesmos dados abaixo.

domingo, 10 de julho de 2011

BANDEIRA NORDESTINA - JESSIER QUIRINO



Eu, lá de Campina Grande
Campinagrandense puro
Serrense da Borgorema
Paraibano da gema


Jessier Quirino Arquiteto por profissão, poeta por vocação, matuto por convicção. Apareceu na folhinha no ano de 1954 na cidade de Campina Grande, Paraíba e é filho adotivo de Itabaiana também na Paraíba, onde reside desde 1983.

Filho de Antonio Quirino de Melo e Maria Pompéia de Araújo Melo e irmão mais novo de Lamarck Quirino, Leonam Quirino, Quirinus Quirino e irmão mais velho Vitória Regina Quirino.

Estudou em Campina Grande até o ginásio no Instituto Domingos Sávio e Colégio Pio XI. Fez o curso científico em Recife no Esuda e fez faculdade de Arquitetura na UFPB – João Pessoa, concluindo curso em 1982. Apesar da agenda artística literária sempre requisitada, ainda atua na arquitetura, tendo obras espalhadas por todo o Nordeste, principalmente na área de concessionárias de automóveis. Na área artística, é autodidata como instrumentista (violão) e fez cursos de desenho artístico e desenho arquitetônico. Na área de literatura, não fez nenhum curso e trabalha a prosa, a métrica e a rima como um mero domador de palavras.

Preenchendo uma lacuna deixada pelos grandes menestréis do pensamento popular nordestino, o poeta Jessier Quirino tem chamado a atenção do público e da crítica, principalmente pela presença de palco, por uma memória extraordinária e pelo varejo das histórias, que vão desde a poesia matuta, impregnada de humor, neologismos, sarcasmo, amor e ódio, até causos, côcos, cantorias músicas, piadas e textos de nordestinidade apurada.

Dono de um estilo próprio "domador de palavras" - até discutido em sala de aula - de uma verve apurada e de um extremo preciosismo no manejo da métrica e da rima, o poeta, ao contrário dos repentistas que se apresentam em duplas, mostra-se sozinho feito boi de arado e sabe como prender a atenção do distinto público.

Nos espetáculos com fundo musical, apresenta-se acompanhado de músicos de primeira grandeza, entre os quais, dois filhos, que dão um tom majestoso e solene ao recital. São eles: Vitor Quirino (violão clássico), e Matheus Quirino (percussão). Os músicos Letinho (violão) e China (percussão) atuam nos espetáculos mais elaborados.

Apesar de muitos considerá-lo um humorista, opta pela denominação de poeta, onde procura mostrar o bom humor e a esperteza do matuto sertanejo, sem, no entanto fugir ao lirismo poético e literário.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jessier_Quirino



EXTRAS 1/6 - JESSIER QUIRINO: BANDEIRA NORDESTINA - LITERATO


EXTRAS 2/6 - JESSIER QUIRINO: BANDEIRA NORDESTINA - LITERATO

EXTRAS 3/6 - JESSIER QUIRINO: BANDEIRA NORDESTINA - LITERATO

EXTRAS 4/6 - JESSIER QUIRINO: BANDEIRA NORDESTINA - LITERATO


EXTRAS 5/6 - JESSIER QUIRINO: BANDEIRA NORDESTINA - LITERATO


EXTRAS 6/6 - JESSIER QUIRINO: BANDEIRA NORDESTINA - LITERATO




BANDEIRA NORDESTINA (CD)





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Músicas com análises, críticas e reflexões é com Gabriel, O Pensador


"A música é o barulho que pensa." Victor Hugo

Por Luis Carlos

As letras das músicas de Gabriel, O Pensador, são importantes recursos didáticos para os educadores e instrumento de reflexão para todos os amantes de músicas com conteúdos de pensamentos críticos, pois abordam várias questões emblemáticas da sociedade brasileira, como a miséria, o rascismo, a violência, a corrupção, política, saúde pública, educação e outros problemas sociológicos.
Desde os bancos da Faculdade de Comunicação Social que Gabriel vem criticando alguns comportamentos da juventude como o Retrato de um Pleyboy e Loraburra. Politicamente criticou Fernando Color com a letra Tô Felix (Matei o presidente) – música censurada pelo Ministro da Justiça. Em Lavagem Cerebral nos proporciona a reflexão critica sobre o racismo; em Sem Saúde apreciar a situação caótica desta questão; em Estudo Errado considera a Educação e a relação de ensino aprendizagem; em o Resto do Mundo, 175 Nada Especial, Dança do Desempregado, Pão de Cada dia, dentre outras, aborda problemas sociais.
Pensando na importância destas letras e dos temas que captam, assim como, analises, criticas e reflexões trazidas, iremos expor alguma vídeos de músicas de Gabriel, O Pensador.

Gabriel o Pensador - Racismo É Burrice




Gabriel o Pensador O Resto Do Mundo



Gabriel, O Pensador - Dança do Desempregado


Gabriel O Pensador- Pão de cada dia


Gabriel O Pensador- Estudo Errado

Gabriel O Pensador -
Sem Saúde

Gabriel O Pensador -
175 Nada Especial

Gabriel O Pensador -
Tô Feliz (Matei o Presidente)

Gabriel O Pensador -
Retrato De Um Playboy

Gabriel O, Pensador - Lôra Burra

sábado, 9 de julho de 2011

Lei Obriga a Presença da Bíblia em Bibliotecas Escolares do Rio de Janeiro e Cria Diferenças entre Brasileiros não Cristãos


O século é grande... No espaço
Há um drama de treva e luz.
Como o Cristo — a liberdade
Sangra no poste da Cruz.


Castro Alves, O Século.



Foi aprovada no último dia 4 de julho de 2011, no Rio de Janeiro, pelo Governador em exercício Sérgio Cabral, uma Lei (Nº 5.998/11) que obriga todas as bibliotecas públicas do Estado a terem um exemplar da Bíblia. Caso uma delas venha a descumprir a determinação será multada no valor de R$ 2.130, se houver reincidência, a quantia será o dobro.

Desde que o acontecimento entrou para História do Rio de Janeiro muitas interpretações vem sendo realizadas sobre a questão. A primeira dela está relacionada ao laicismo do Estado. Isto significa, de um lado, que o mesmo está separado das igrejas e comunidades religiosas, bem como, neutro quanto à matéria de religião. De outro lado, isso acontece porque o Estado tem como princípios a liberdade de consciência, igualdade entre os cidadãos no que se refere à religião, origem humana e democrática, estabelecidos pela Constituição. A Carta Magna de 1988, reza no seu Art. 19 que:

Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público;

II - recusar fé aos documentos públicos;

III - criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si.

O Governo ao fazer a imposição as Bibliotecas Escolares do Estado, decisão que universaliza a obrigatoriedade da Bíblia Cristã em detrimento de outros Livros Sagrados, como por exemplo, o dos Espíritos, Alcorão ou Torá, está beneficiando um único livro, fundamentado no Cristianismo, ou seja, a obra que constitui a existência das instituições da Igreja Católica e as Igrejas Evangélicas. Diga-se de passagem, que o Deputado que elaborou o projeto de lei aprovado chega a pedir em outro, que ainda tramita na Casa Legislativa, que se aprove a obrigatoriedade das escolas públicas fazerem a “leitura da Bíblia antes do começo das aulas” e “inscrição da frase ‘Deus seja Louvado’ nas contas das concessionárias de serviços públicos” (2).

O pomo da discórdia não está no fato de que as bibliotecas tenham a Bíblia, pois, além de ser um livro religioso é, também, de valor histórico, nisso concordo com Nelson Gulson, citado por Washington Luis: “Nenhuma descoberta arqueológica jamais contradisse qualquer referencia bíblica. Dezenas de achados arqueológicos foram feitos que confirmam em exato detalhe as declarações históricas feitas pela Bíblia. E, da mesma maneira, uma avaliação própria de descrições bíblicas tem geralmente levado a fascinantes descobertas no campo da arqueologia moderna”(2). Mas, todo fel do pomo está em que a Lei criou distinções ter os brasileiros ao fazer preferência deste livro em relação a outros livros também importantes. Isto é estabelecer constrangimento aos não cristãos. Nelsen Gulson, neste ponto discordo radicalmente, usa um argumento falho, demagógico, sem valor nenhum, quando afirma que:

“O texto não tem a intenção de estabelecer qualquer obrigatoriedade ou constrangimento àqueles que vivem sua espiritualidade em comunidades não cristãs. O que se pretende é garantir o acesso à Bíblia àqueles que assim o desejarem”.

Vamos considerar por outro ângulo, dentro do contexto, os brasileiros indígenas e os afro-descendentes. Sabemos que os povos indígenas não têm um livro especifico que sintetize princípios religiosos fundamentais e universais para todos eles, uma vez que são diversos os modos de rituais e crenças. O que falar então do Candomblé e da Umbanda dos afros brasileiros? Como ficarão diante daquela imposição de um só livro? Por um acaso não se está partindo do principio de que todos estes são católicos ou protestantes? A Lei não contempla, igualmente, a religiosidades destes brasileiros (não quero aqui entrar nos meados dos povos indígenas serem separados por especificidades do povo brasileiro representado por um Estado de sujeito único). Bueno Pessoa (2) falando a respeito da Lei, da Bíblia, das Bibliotecas e de outras religiões diz :

“Nada contra a Bíblia nem muito menos contra a presença dela em bibliotecas. Mas ela pode estar lá pelo simples fato de ser um livro, assim como a série do Harry Potter, por exemplo.

Não há sentido em criar uma lei para garantir o acesso a qualquer que seja o livro. Muito menos um livro religioso. E se a Constituição proíbe distinção entre os brasileiros, acredito que pela lógica as bibliotecas deveriam ser obrigadas a terem (...) de tudo quanto é religião. No fim das contas, provavelmente não ia sobrar muito espaço pra literatura de verdade. Mas e daí, né? Deus é brasileiro e ele há de ajudar.”

Ao que pese tudo isso, deveriam aprovar uma lei que proibissem os católicos e protestantes de doarem dinheiro as suas instituições religiosas. Ai, íamos ver muitos pastores e padres ficarem desesperados sem recursos financeiros. Esse ponto é uma causa pétrea e de maneira nenhum querem deixar de roer o osso. Um exemplo disso está na ação politica do Deputado Edson Albertassi (PMDB) – responsável pelo projeto de lei sancionado por Sergio Cabral - quando apresentou (como foi mencionado acima) aquele outro projeto a Assembleia Legislativa pleiteando a “inserção de IPVA as igrejas e de ICMS na compra de automóveis”. Íamos tirar as provas dos noves, no sentido de serem fies mesmo, caso não tivesse tanto apego aos “valores materiais”, assim como pedem aqueles aos quais solicitam tantos sacrifícios. Será que iriam se sacrificar ao ponto de não terem apego também ao dinheiro? Ademais, para acreditar em Deus, isso, aprendi com meu pai, não se precisa estar dentro das instituições religiosas e muito menos dando dinheiro as mesmas, uma vez que o Deus que lá está também estar do lado daqueles que Nele acredita, sem pedir sequer um real em troca.

REFERENCIAS:

1. http://blogdopablobrandao.blogspot.com/2011/07/lei-de-evangelico-multa-no-rio.html

2. http://www.momentoverdadeiro.com/2011/07/biblia-sagrada-bibliotecas-terao-que.html

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Curta-Metragem “A Flor Maior Do Mundo” Baseado no Conto de Jose Saramago







E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar?

A história “infantil-adulta”, que serviu como pano de fundo ao curta-metragem denominado de “A Maior Flor do Mundo”, veio à humanidade por intermédio de uma semente criadora, brotada também de uma flor maior da literatura mundial: José Saramago, escritor português, ganhador do Nobel de Literatura em 1998.

A animação reproduziu sinteticamente o fruto da criação maior deste escritor para propagar as imaginações férteis e floridas das crianças outras possíveis sementes de esperança e otimismo no que se diz respeito a perpetuação da natureza, e, de novas posturas da humanidade em relação a si mesmo e dela com o meio ambiente. Se a criança protagonista da história, de um lado, cresceu num mundo quebrantado de sofreguidão, individualismo e falta de ideais dos adultos, de outro lado, souber ser capaz de observar a vida e aprender solidariedade, sentimento de comunhão com a natureza, esperança no futuro e no trabalho ao tempo em que esperava pelo revigoramento e animação da flor, tornada maior, pois, transformou-se num ensinamento de tais valores e ideais, que os adultos acham em ensinar as crianças, não obstante, quase sempre não vivendo e não praticando. Penso que é neste sentido, que José Saramago diz: “E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente, o que há tanto tempo têm andado a ensinar?”.

O curta cheio de enigmas e símbolos, que compõem o contexto da história, tem a presença narrativa e personagem “animada” do próprio José Saramago. Foi baseado no Conto que traz o mesmo nome “A maior flor do mundo”. A animação gráfica (curta) foi dirigido por Juan Pablo Etcheverry, que também foi roteirista, contou como a Ilustração de Diego Mallo, Música de Emilio Aragón e produção de Chelo Loureiro.

Seria outra a história da nossa humanidade se nós adultos juntos as crianças e jovem terminássemos aprendendo o que ensinamos e ensinando o que aprendemos se por uma acaso chegássemos, como na ultima imagem, unidos, olhando para um novo futuro, como uma flor regada e florida pela ação coletiva e não individualista.



domingo, 3 de julho de 2011

“Eu falo de amor (...) de política (...) de problemas sociais” e “(...) vou aonde o povo está”: letra Psicografo de Carlos Caetano.


Carlos Caetano, pelo que parece, é um exemplo de artista que não esqueceu de suas raízes, ao contrário de muitos outros, para quem, povo, é apenas aquilo que pode lhes dá "status".

Tomei conhecimento da música “Psicografo”, composta por Carlos Caetano, através de um link exposto no Facebook. E, após assistir o vídeo e lê a letra, fique motivado em responder uma indagação que a canção lança ao ouvinte.

Antes das apreciações é importante conhecermos a autobiografia do compositor que encontrei no blog do Palco MP3.

“Wednesday, 13 de October de 2010

Ele tem histórias pra contar

Vendeu balas nos trens,

Picolé na praia,

Foi catador de ferro velho,

Flanelinha, fazia carreto na feira, no supermercado.

Foi ajudante de pedreiro, de carpinteiro, de pintor, de mecânico e virou vidraceiro.

Foi muito discriminado

Mais seu destino já estava traçando

Sem duvidou da Fé

Cravou seu nome na história

Quando teve suas músicas gravadas pelos principais

Nomes da música popular brasileira

Hoje ele é chamado de poeta da canção

Inspirado em toda sua história de vida

Lança seu mais novo trabalho

{O povo quer paz}

Um cd recheado de sucessos

E com uma energia incontestável

O cantor e compositor

Carlos Caetano é um exemplo da superação

Um legítimo filho da luz.

Bom galera, sou novo aqui no blog e resolvi postar um pensamento sobre minha vida. Espero que gostem e se divirtam bastante com o que eu postar aqui. Beijos do Carlos Caetano!!!

Postado por Carlos Caetano”.

Carlos Caetano, pelo que parece, é um exemplo de artista que não se esqueceu de suas raízes, ao contrário de muitos outros, para quem, povo, é apenas aquilo que pode lhes dá "status".


Na primeira parte da letra há dois “versos” que dizem: “Eu deixo o coração falar” e “Psicografo”.


Neles, o ato de escrever (psicografo) vem de uma consciência (coração) que fala a partir da permissão do eu (canal receptível), que por sua vez, é conectado com “aquele que me deu o dom”. Daí “Vai saindo vai fluindo, Bem ao natural, É assim que eu faço”.


Levado a efeito a psicografia, vem à re-ligação da mensagem para os outros corações. Do que trata a mensagem? De amor, política e problemas sociais. Pari passu as idéias vem à ação – “Eu vou aonde o povo está”. Após, isso, complementa que vai “Aonde o ‘destino’ mandar meu coração”, indagando em seguida aos receptores da canção: “E você... O que é que faz, O que é que faz”?


Este “E você... o que é que faz”, é instigante!


Responderia (salvo a inspiração metafísica que anima a consciência a falar e psicografar) antes de qualquer coisa, que ir (Eu vou aonde o povo está) se remete a uma ação posterior de estar, no que se diz respeito a mim, já estou no ceio do povo, uma vez que faço parte dele, sociologicamente falando. Como partícipe e consciente da minha identidade de classe, posso falar aos meus pares de amor, política e dos problemas sociais. O sentido da ação verbo “vou” no contexto da letra dá a impressão de que o compositor está deslocado socialmente daquele a quem está indo ao encontro.


Neste sentido, a indagação feita dirige-se a outrem que não a “gente”. Senão a quem vai o vocativo? A classe média, da qual participa o compositor, após ter saído do povo.


A intenção e o motivo do músico-compositor (“Eu vou aonde o povo está”) é “nobres” porque demonstra que não perdeu suas raízes, que aliais é muito tênue na linha divisória entre um e outro setor social, bem como, contraditória no que se diz respeito aos valores de classes – há pessoas da classe média que só pensam ser burguesa e odeiam ser pobres, não obstante, há pessoas que buscam manter seus status e sabe ficar do lado do povo.


O chamamento, também, se dirige aos demais cantores ou músicos, “artistas”, para irem até o povo ao invés de se dirigem aos palcos a busca do cachê ou aos reais das propagandas de jingles de empresas privadas, como um Zeca Pagodinho da vida. (Jingle é uma mensagem publicitária musicada e elaborada com um refrão simples e de curta duração, a fim de ser lembrado com facilidade pelos consumidores, em outras palavras, é uma música feita exclusivamente para um produto ou empresa).


Ao contrario deste papel social, deveriam olhar (não de passagem) e captar os aspectos da vida da “gente” e trazer para o texto “cantado”, passando mensagem que falem de amor, política e dos problemas sociais do povo. Exemplos disso não faltam: Chico Science, Gabriel, O Pensador, G.O.G, Face da Morte, Racionais, Bezerra da Silva, João Nogueira, Martinho da Vila, Seu Jorge, Nei Rosa, Leci Brandão, Nei Lopes, Milton Nascimento, Chico Buarque, Elis Regina, Luis Gonzaga, Gonzaguinha, Olodum, Raul Seixas, Zé Ramalho, Zeca Baleiro, dentro outros.


Portanto, a letra da composição de Carlos Caetano nos trás uma reflexão sobre quem falar ao povo de amor, política e dos problemas sociais. Não obstante, o povo (milhões) que vive inserido nesta ultima realidade, sem eira e beira, vivendo com um salário que mal dá para viver, sem falar daqueles que nem isso possui e que vivem como o resto do mundo cujo sonho é morar numa favela, como diz Gabriel, não deixa de vê que é diferente dos poucos que tem tudo e dos intermediários que tem alguma coisa. Ao se vê como diferente, tem conhecimento de que sua situação é política. A questão fundamental é participarem de ações políticas que envolva o conjunto cada vez maior para fazerem valer seus interesses contra os exploradores de seu suor, que sugam seu sangue, pois, sabem que produz toda a riqueza, que não lhe pertence, apenas migalhas, enquanto que a maior parte vai para o bem estar dos que não têm problemas sociais: os problemas que têm são ocasionados por eles próprios. A classe média, (cujo “habitantes é preciso sumularem semblantes de prazer, transformando a desdita num sorriso”, “Onde vemos um rosto prazenteiro, Ocultando uma dor que o excrucia, e onde vemos também um cavalheiro, Usar terno de linda fantasia, Como o bolso vazio de dinheiro, Pra poder trajar bem, até se obriga, Dar, com jeito, um prega na barriga” - Patativa do Assaré), tem de tomar a posição do povo, seja falando ao mesmo através dos letras das canções, seja através de diferentes canais de dialogo e interação, levando em consideração que ele não é apenas paciente, mas também, agente da história.

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