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segunda-feira, 22 de julho de 2019

REPASSANDO: Operário faz as contas e constata que vai trabalhar mais e receber menos

I - OPERÁRIO FAZ AS CONTAS E CONSTATA QUE VAI TRABALHAR MAIS E RECEBER MENOS

Metalúrgico se preocupa com seu futuro profissional e, principalmente, com o dos filhos. "A gente vai virar escravo moderno. Isso vai mexer diretamente com a nossa saúde, nossos projetos de vida"

Washington Lopes Silva nasceu em Jaguaquara, interior da Bahia, trabalhou no Rio de Janeiro antes de chegar à região metropolitana de São Paulo, onde passou pela construção civil e por indústrias de laminados e de plásticos. Há 10 anos, trabalha na General Motors em Mogi das Cruzes, fábrica que produz componentes de veículos. É operador de produção. Antes, trabalhava em uma fornecedora de tecidos para uma empresa que montava os bancos dos automóveis. Nos últimos tempos, uma preocupação ronda o operário: a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 6, que mexe na Previdência Social, pode também mexer na sua vida, para pior.

“A aposentadoria vai ser bastante achatada”, diz o trabalhador, já fazendo as contas para estimar o prejuízo, caso o projeto seja aprovado da maneira que está. Ainda falta uma segunda votação na Câmara, antes de a PEC 6 rumar o Senado. Na primeira, foi aprovada por larga margem, 379 votos a 131 – eram necessários 308.

Com 41 anos, ele começou a trabalhar aos 19, em uma distribuidora Avon no Rio, vindo da Bahia. “Meu padrasto trabalhava na construção civil e mudava demais”, explica. À cidade natal, na região de Feira de Santana, ele tem um irmão e outros parentes, mas conta que não consegue ir muito. “A grana vai ficando curta. Cada ano que passa vai achatando o salário do trabalhador. Costumo dizer que a gente costuma fazer equilíbrio com elefante.”

Pelas suas contas, com as regras atuais ele conseguirá se aposentar aos 57 anos com aproximadamente 90% do teto. Ou seja, mais 16 anos. Se a reforma passar, estima que teria de trabalhar pelo menos mais 22 anos. Para pegar 100%, teria de ir hoje até 63 ou 64 anos. Com a reforma, até 70. Washington ainda não calculou o efeito sobre a remuneração, mas calcula uma perda em torno de 30%. E se mostra inconformado com a propaganda do governo: “Como trabalhador, eu não tenho nenhum privilégio”.

Maldade

Assim, em uma conta preliminar, já sabe que terá de trabalhar mais – e ganhará menos. Isso se conseguir se manter no mercado. O operário observa que sua atividade profissional tem consequências para a saúde, devido ao ritmo. É um setor em que as cirurgias decorrentes da produção não são incomuns.

Sua esposa, Patrícia, está mais distante ainda da aposentadoria. Tem 33 anos e 12 de contribuição. “Todos vão sofrer. Acredito que para a mulher vai ser muito mais difícil. Além de trabalhar, tem a jornada em casa”, lembra Washington. A mãe dele, de 63 anos, não se aposentou. Trabalhou em casa de família durante muito tempo, mas contribuiu pouco.

“Você vê a maldade embutida nisso”, diz ele sobre o projeto. Ele se mostra angustiado com quem ainda vai entrar no mercado, que poderá ser empurrado para o setor privado, ou desestimulado de contribuir para a Previdência pública. “Fico preocupado com meu filho e minha filha. Vai ser pior ainda. Tiago tem 11 anos e Isabela, 10. “Acredito que vai chegar o momento que a mídia vai bater forte na previdência privada, até para fazer a cabeça dessas futuras gerações.”

Washington conta que não gosta de “politizar” a discussão, mas está inconformado com um governo que “está rasgando a CLT, acabando com as aposentadorias”. E acredita que as autoridades contam com certa “inércia” da população, que não se informa como deveria. “A gente vai virar escravo moderno. Isso vai mexer diretamente com a nossa saúde, nossos projetos de vida”, diz.

II - COM MUDANÇA NO CÁLCULO, HOMENS VÃO TRABALHAR 5 ANOS A MAIS E RECEBER MENOS

Os homens serão ainda mais prejudicados porque, mesmo contribuindo por 16 a 20 anos, só terão mais 2% acrescentados ao valor do benefício por ano a partir do 21º ano. As mulheres, a partir do 16º ano

Durante a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 006/2019, da reforma da Previdência, a Câmara dos Deputados manteve o fim da  aposentadoria por tempo de contribuição, mas reduziu o tempo mínimo de contribuição ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) de 20 anos, como queria o governo de Jair Bolsonaro (PSL), para 15 anos. Os deputados também mantiveram no texto a idade mínima obrigatória de 65 anos para os homens e 62 anos para as mulheres terem direito à aposentadoria.

A mudança na forma de cálculo prejudica os trabalhadores e trabalhadoras porque leva em consideração todos os salários recebidos, inclusive os mais baixos, reduzindo o valor dos benefícios do INSS em média entre 20% e 30%.  Atualmente, o cálculo do valor do benefício leva em consideração apenas os 80% maiores salários desde 1994. Os 20% menores são descartados.

De acordo com o texto aprovado em primeiro turno na Câmara, o valor do benefício será calculado com base em 60% da média de todas as contribuições feitas a partir de 1994, mais 2% a cada ano que ultrapassar o tempo de contribuição mínima (15 anos).

Os homens serão mais prejudicados que as mulheres. Mesmo que tenham contribuído por 16 a 20, eles só terão mais 2% acrescentados ao valor do benefício por ano a partir do 21º ano.

Já as mulheres, vão receber os 2% a mais no benefício a partir do 16º ano de contribuição.

Com esta regra, as mulheres vão se aposentar com benefício integral com 35 anos de contribuição e os homens com 40.

Regra só vale para quem está no mercado

É importante ressaltar que a regra que permite ao homem se aposentar com 15 anos de contribuição, vale apenas para quem já está trabalhando e, portanto, contribuindo com o INSS.

O trabalhador que ingressar no mercado de trabalho depois que a reforma entrar em vigor, seja formal ou informal, só terá direito à aposentadoria quando completar 20 anos de contribuição e 65 anos de idade.

“Quem se filiar ao regime previdenciário após a reforma vai ter uma perda significativa ainda maior, pois já terá de contribuir por mais cinco anos, antes de ter direito de requerer a aposentadoria, mesmo que tenha atingido a idade mínima obrigatória”, diz Diego Cherulli, diretor do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP).

Para os futuros contribuintes do INSS, não assalariados, o especialista recomenda: quem quiser se aposentar faça as contas, um planejamento e veja o quanto poderá contribuir, já que a partir da reforma o benefício será calculado pela média geral das contribuições.

“Cada caso deverá ser calculado de acordo com a realidade financeira de cada um. Mas a relação contribuição/benefício ainda é muito boa e, por isso, o importante é se filiar ao regime previdenciário público porque nunca vai acabar, embora o governo tente”, acredita o diretor do IBDP.

Cherulli se baseia nos modelos dos países desenvolvidos que possuem um sistema híbrido previdenciário. De um lado há a previdência pública e solidária, do outro, a aposentadoria complementar.

“A reforma da Previdência no Brasil veio para incentivar a aposentadoria complementar, mas o governo seria muito irresponsável se acabasse com o modelo solidário da Previdência pública [em que os trabalhadores mais jovens contribuem para pagar o benefício de quem já se aposentou e, assim sucessivamente]“, analisa ao recomendar que todos, exceto servidores,se filiem ao Regime Geral da Previdência Social.

Como é hoje

Atualmente há duas formas de aposentadoria. Por tempo de contribuição, no caso dos homens depois de 35 anos de contribuição ao INSS; e mulheres, após 30 anos de contribuição. A segunda opção é se aposentar por idade. Neste caso, os homens têm de completar 65 anos e as mulheres 60, depois de contribuir durante 15 anos.

FONTE: cut

REPASSANDO: Incra diz que desapropriação de R$ 41 milhões no MT que beneficiou pai, tios e primos de Deltan Dallagnol foi ilegal

Presidente do órgão, general João Carlos de Jesus Corrêa investiga indenizações, diante dos “indícios de irregularidades” praticadas por servidores; família do procurador cedeu mais de 36 mil hectares para a reforma agrária e recebeu a maior bolada, R$ 37 milhões

O Conselho Diretor do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) abriu em maio um procedimento para investigar irregularidades na desapropriação dos imóveis que constituem a Fazenda Japuranã, em Nova Bandeirantes (MT), em região de floresta na Amazônia Legal. Entre os beneficiários da megadesapropriação estão pelo menos 14 parentes de Deltan Dallagnol, coordenador da Operação Lava Jato em Curitiba. Entre eles o pai do procurador da República, o ex-procurador Agenor Dallagnol. Somente a família de Deltan recebeu R$ 36,9 milhões em dezembro de 2016, durante o governo Temer, diante da desapropriação de pelo menos 37 mil hectares no município, no noroeste do Mato Grosso.

O presidente do conselho e do Incra, general João Carlos de Jesus Corrêa, definiu no dia 10 de maio, em uma resolução, o bloqueio dos bens depositados e apontou “indícios de irregularidades nos atos praticados por servidores públicos”. A decisão envolve uma área exata de 36.792 hectares, declarados de interesse social para fins de reforma agrária, ainda em 2013, e uma indenização total de R$ 41 milhões. A reportagem identificou que a maior parte desse valor foi destinada à família Dallagnol. Em uma das ações, capitaneada por uma tia do procurador, aparecem os 14 membros da família e outros fazendeiros da região interessados no desmembramento de suas terras.

De Olho nos Ruralistas pesquisa desde outubro a teia que envolve os latifúndios dos Dallagnol no Mato Grosso. Em uma série de dez reportagens, o observatório conta como boa parte da família do procurador se moveu para Nova Bandeirantes, em meio a um processo de colonização estimulado pela ditadura de 1964. Confira aqui o índice dos textos: “Desmatamento, disputa por terras, desapropriação ilegal: o que está por trás dos latifúndios dos Dallagnol na Amazônia?“. Alguns ainda irão ao ar.

Um estudo da Unicamp mostra que o clã chegou a ter 400 mil hectares somente naquele município, ocupado nos anos 80. Outras reportagens informam como esse processo está relacionado ao desmatamento, entre outras irregularidades protagonizadas ou defendidas pelo clã – uma família recheada de advogados e procuradores. Um resumo inicial foi publicado pelo observatório em edição da revista CartaCapital.
PRESIDENTE DO INCRA QUER BLOQUEAR GASTOS COM AS TERRAS

O Incra não atendeu aos pedidos de entrevista. Mas a resolução em maio se refere à identificação de irregularidades nas ações de desapropriação celebradas na sede do próprio órgão. Entre as 14 ações, quatro motivaram depósitos. Segundo o general, de acordo com as manifestações técnicas e pronunciamentos jurídicos foi feito um parecer em 2018, ainda durante o governo Temer, portanto, que orientou “pela reanálise dos atos administrativos praticados posteriormente ao ajuizamento das ações de desapropriação”. E pela suspensão das ações, “até que seja realizado o levantamento ocupacional do imóvel e sua interferência no valor de mercado”.

O presidente do Incra determinou ainda “tornar insubsistentes todos os atos administrativos realizados após o ajuizamento das ações de desapropriação” relativas aos imóveis da gleba Japuranã. E solicitar à Procuradoria Federal Especializada junto ao Incra o peticionamento, em juízo, “pela suspensão de todas as ações de desapropriação dos imóveis Japuranã”, “e o bloqueio do quanto depositado, até que o Incra conclua os levantamentos necessários para fins de apuração do justo preço de cada imóvel”. O documento solicita ainda à Corregedoria Geral do Incra que “instaure os procedimentos cabíveis, considerando a existência de indícios de irregularidades nos atos praticados por servidores públicos”.

Jesus Corrêa é um general de brigada e foi nomeado para presidir o Incra em fevereiro deste ano, pelo presidente Jair Bolsonaro. Confira o documento, com os destaques feitos pelo observatório:


FAMÍLIA RECEBEU PELO MENOS R$ 37 MILHÕES POR DESAPROPRIAÇÕES

Figuram na lista dos beneficiados pelas desapropriações os avós paternos de Deltan Dallagnol, Sabino e Mathilde Rovani Dallagnol, e os pais dele, o procurador de Justiça aposentado do Paraná Agenor Dallagnol e Vilse Salete Matinazzo Dallagnol, além de irmãos de Agenor (tios de Deltan) e seus sobrinhos (primos de Deltan). A ligação exata do procurador com seus parentes no Mato Grosso foi confirmada com o auxílio do Núcleo de Estudos Paranaenses (NEP), da Universidade Federal do Paraná. Confira a lista dos beneficiados:
  • Agenor Dallagnol -> Pai de Deltan. Mora em Curitiba. Recebeu R$ 8,8 milhões.
  • Xavier Dallagnol -> Tio de Deltan, irmão de Agenor. É quem cuida da parte jurídica da face agropecuária da família. Mora e tem escritório em Cuiabá.
  • Leonar Dallagnol -> Tio de Deltan, irmão de Agenor. Conhecido na Gleba Japuranã como Tenente. É ele quem controla as terras da família na região.
  • Maria das Graças Prestes -> Mulher de Xavier, tia de Deltan. É o nome que encabeça a ação principal, com 25 interessados nas desapropriações. Recebeu R$ 1,6 milhão por uma desapropriação.
  • Ninagin Prestes Dallagnol -> Filha de Xavier e Maria das Graças, prima de Deltan. É a recordista em valor de desapropriação, com R$ 17 milhões. Advogada, trabalha no escritório do pai em Cuiabá.
  • Belchior Prestes Dallagnol -> Irmão de Ninagin. Recebeu R$ 9,5 milhões pela desapropriação.
Agenor Dallagnol, portanto, recebeu cerca de 1/4 do total das indenizações relativas às desapropriações na área. Aqueles R$ 8,8 milhões foram pagos, em dezembro de 2016, no primeiro ano do governo Michel Temer. No mesmo dia, foram liberados, segundo o Portal da Transparência, ao menos R$ 36,9 milhões de indenizações do Incra para integrantes da família do procurador. Cerca de 3/4 do total, quase R$ 27 milhões, foram para Ninagin e Belchior, filhos de Xavier Leonidas Dallagnol – o líder de fato das desapropriações.

Dos 25 citados na principal ação de desapropriação da área, ao menos 14 fazem parte da família Dallagnol. Pelo menos um deles, o patriarca Sabino Dallagnol, já faleceu. Alguns ainda não tiveram as indenizações liberadas – pelo menos até onde a reportagem conseguiu alcançar. Outro nome listado na principal ação, Maria Osmarina Campestrini, é amiga da família.

Essa “lista dos 25” tem ainda uma espécie de “núcleo Fabris”, referente à família de Euclides Fabris, um fazendeiro radicado no Mato Grosso do Sul. E, assim como Sabino, já falecido. Oito entre os 25 na ação principal pertencem a esse clã, que estende sua sede territorial até o Paraguai. De Olho nos Ruralistas contará ao longo da semana a história desses personagens secundários – mas tão interessados nas indenizações em Nova Bandeirantes quanto os parentes de Deltan Dallagnol.

Segundo a resolução, o Incra ajuizou 14 ações de desapropriação, mas “com o depósito inicial em somente quatro ações”.

DISPUTA JUDICIAL OCORRE DESDE 1996

O processo de desapropriação da gleba Japuranã, em Nova Bandeirantes (MT), tramita sem solução desde 1996. De um lado, 425 famílias lutam pelo reconhecimento formal de seu direito de permanecer na terra onde trabalham e produzem há mais de vinte anos, em uma área de 66,9 mil hectares – equivalente ao tamanho de Bahrein, país do Oriente Médio, e maior que Singapura, na Ásia. De outro, um grupo de antigos proprietários, boa parte deles ligada ao clã Dallagnol, disputa com o Incra qual o valor a ser pago.

O confronto fica mais complexo a cada dia. Atualmente, é difícil saber com clareza quem são os responsáveis por melhorias que aumentariam o valor da indenização a ser paga aos antigos donos. Isso sem contar a própria valorização que os proprietários têm em outras terras na região por conta do loteamento da área.

Agenor Dallagnol, sua mulher Vilse Salete e irmãos dele – como Veneranda (junto com o marido, Aglacir Sperança, dono de um escritório de contabilidade em Cuiabá), Leonar, Eduardo Carlos, Eliseu Eduardo e Xavier Leônidas – são sócios de terras na gleba. É um universo de latifundiários e de formados em Direito. A começar por Xavier, o advogado dos interesses da família na região, inclusive de Agenor. Eliseu, também advogado, aparece apenas como parte nos processos. Iolanda Dallagnol Caovilla, moradora de Renascença (PR), cidade próxima a Pato Branco, onde nasceu Deltan, também é uma das partes. A única das irmãs identificadas de Agenor que não consta no processo é Derci Dallagnol Bassani, também moradora de Renascença.

Eduardo Carlos Dallagnol, conhecido como Zuki, foi citado pelo sobrinho Deltan em conversas no Telegram publicadas pelo The Intercept Brasil e pela Folha de S. Paulo no dia 14, sobre a tentativa do procurador de montar uma empresa junto com Roberson Pozzobom, seu colega no Ministério Público Federal em Curitiba, em nome das esposas, para ganhar dinheiro com a repercussão da operação Lava Jato.

Eles conversaram, segundo o Intercept, no fim de 2018. “Vamos organizar congressos e eventos e lucrar, ok? É um bom jeito de aproveitar no networking e visibilidade”, escreveu Deltan Dallagnol. O tio Zuki é dono da Polyndia, empresa organizadora de eventos de Curitiba. “Eles [Polyndia] podem oferecer comissão pra aluno da comissão de formatura pelo número de vendas de ingressos que ele fizer”, afirmou o procurador. “Isso alavancaria o negócio. E nós faríamos contatos com os palestrantes pra convidar. Eles cuidariam de preparação e promoção, nós do conteúdo pedagógico e dividiríamos os lucros”.

Tia de Deltan, Adriana Vaz Dallagnol, também é sócia da Polyndia. E igualmente interessada nas desapropriações na Amazônia. Dos eventos à floresta.

No norte do Mato Grosso, Nova Bandeirantes está localizada no Portal da Amazônia, região da Amazônia Legal, a 2,5 mil quilômetros da cidade natal de Deltan e de Curitiba, onde ele trabalha atualmente. É um dos principais focos do desmatamento do país nos últimos anos.

O município, emancipado de Alta Floresta no início dos anos 1990, começou a ser formado a partir de 1982, em um processo de ocupação comandado pela empresa Coban, do empresário Daniel Meneghel, ainda durante a ditadura militar. Daniel e o irmão Serafim são empresários no Paraná. Em setembro, durante a campanha eleitoral, o general Hamilton Mourão, atual vice-presidente da República, viajou de carona em um avião dos empresários, ligados também à União Democrática Ruralista (UDR), com o atual secretário de política agrária, Nabhan Garcia e o ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB).

REPASSANDO: Família Dallagnol Obteve 400 Mil Hectares De Terras No Mato Grosso Durante A Ditadura


Pesquisa da Unicamp aponta família como principal latifundiária na região onde fica hoje Nova Bandeirantes, na década de 70; em 1978, propriedade foi regularizada; latifúndios superam aqueles adquiridos pelo empreiteiro Cecílio do Rego Almeida e pela família Junqueira Vilela

Um estudo coordenado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) informa que a chegada da família Dallagnol à região de Nova Bandeirantes (MT) foi anterior ao processo oficial de colonização do município, iniciado no começo da década de 80 pela Colonizadora Bandeirantes (Coban). O levantamento mostra que eles ocuparam a região antes da década de 70 e tiveram sob seu domínio um território do tamanho de Cabo Verde, ou cerca de dois terços do Distrito Federal: 400 mil hectares. Quase a metade da área do município de 953 mil hectares.

Em uma série de reportagens, De Olho nos Ruralistas mostra a face agrária dos Dallagnol. Confira o texto sobre os latifúndios da família que estão sendo desapropriados, sob contestação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra): “Incra diz que desapropriação de R$ 41 milhões no MT que beneficiou pai, tios e primos de Deltan Dallagnol foi ilegal”.

As propriedades em Nova Bandeirantes, segundo o relatório final do Projeto Governança Fundiária no Mato Grosso, publicado em dezembro de 2014, foram regularizadas junto ao Instituto de Terras do Mato Grosso (Intermat) em 1978, o que indica que o território, até então, era público. Nos anos 60 e 70 a proximidade com a ditadura era determinante para a obtenção de latifúndios nas regiões Norte e Centro-Oeste.

O tamanho das propriedades do clã no município – que na época ainda fazia parte de Alta Floresta – era maior do que o de famílias conhecidas pelo envolvimento em ocupação de terras devolutas, como o paranaense Cecílio do Rego Almeida, fundador da construtora CR Almeida, e a família paulista Junqueira Vilela, definidos em reportagem do Intercept como “os maiores pecuaristas e destruidores de florestas do Brasil”. Em Nova Bandeirantes, os Junqueira Vilela tinham 80 mil hectares e a CR Almeida, duas grandes glebas, de 150 mil e 65 mil hectares.

O estudo sobre a situação fundiária no Mato Grosso foi coordenado por Bastiaan Philip Reydon, professor titular do Instituto de Economia da Unicamp, no Núcleo de Economia Agrícola e do Meio Ambiente. É assinado ainda pelos pesquisadores Ana Paula Bueno, Roberto Resende Simiqueli e Vitor Bukvar Fernandes. O sobrenome Dallagnol aparece no documento como “Dallagnon”, mas há outros erros de grafia ao longo do texto. Os Junqueira aparecem como “Junqueria”, por exemplo. O levantamento foi feito pelo Programa Mato-Grossense de Municípios Sustentáveis, em parceria com a Unicamp e o Instituto Centro de Vida (ICV).

“Antes dos anos 1980 a União dava uma matrícula ao Intermat e este vendia as áreas para as pessoas interessadas”, escrevem os economistas. “Em 1978, uma área de hectares foi arrecadada e legalizada pela família Dallagnon [sic] junto ao Intermat”. Eles informam que nos anos 80 as áreas começaram a ser demarcadas com base em pontos geodésicos. E que a colonização pela Coban foi iniciada em 1982. “A família Dallagnon também fez uma colonização com os hectares que foram adquiridos do Intermat”.

MUNICÍPIO FOI FUNDADO POR MENEGHEL, O ‘TIGRÃO’

Os pesquisadores contam ainda que a Colonizadora Bandeirantes surgiu de uma iniciativa de empresários paranaenses:

– O dono da companhia, Daniel Meneghel, além de colonizador é diretor da Usina Bandeirantes, na cidade de Bandeirantes, norte do Paraná. Seguindo a vocação de desbravador de novas fronteiras, Daniel Meneghel implantou e desenvolveu na região o Projeto de Colonização Nova Bandeirantes. Ele investiu em estradas e pontes, além de outras providências necessárias à consolidação do projeto. A denominação Nova Bandeirantes foi homenagem à cidade de Bandeirantes-PR, especialmente pela origem do fundador do lugar – Daniel Meneghel.

Foi por causa de Meneghel que o De Olho nos Ruralistas chegou aos latifúndios dos Dallagnol. Em novembro, o observatório publicou a seguinte reportagem: “Usineiro que bancou voo de Mourão tem histórico ligado à ditadura; vice foi apoiar o genro dele, ruralista“. O texto trata de Serafim Meneghel, o Tigrão, dono de time de futebol e amigo do vice-presidente Hamilton Mourão. Em 1993, contava a Veja, Meneghel resolvia “tudo com seu Schmith & Wesson 38”.

Tigrão presidiu por 30 anos, no Paraná, a Usina Açúcar e Álcool Bandeirantes S.A., agora em nome de um de seus irmãos, Daniel Meneghel. Ela foi aberta em 1966, dois anos após o início da ditadura de 1964 – a quem a família estendeu seus tapetes. É no nome de Daniel Meneghel que estão a Usina Bandeirante e a Coban, uma das empresas que, durante a ditadura, prestou-se a “colonizar” o norte do Mato Grosso. Desse processo se formaram municípios como Colniza, Confresa, Colíder e – em homenagem ao município do empresário – Nova Bandeirantes, no noroeste do estado, a segunda terra dos Dallagnol.

A Colonizadora Bandeirantes tem filiais em Cuiabá e em Alta Floresta (MT). Chegou ao Mato Grosso em 1982, durante o governo Figueiredo. Uma das fazendas de Daniel Meneghel, de 328 hectares, foi confiscada pela Justiça. Avaliada em R$ 12,3 milhões, ela chegou a ir a leilão em 2017, mas os lances foram suspensos. Ela fica em Nova Mutum (MT), ao norte da Terra Indígena Santana, do povo Bakairi.

Outro estudo do Instituto Centro de Vida (ICV), específico sobre a situação fundiária em Nova Bandeirantes, identificou, em 2015, que a soma das propriedades privadas totalizava 113% da área do município. Ou seja, existe sobreposição, declaração de terras – pelos fazendeiros – em quantidade maior do que a real, fisicamente possível. Detalhe: o Parque Nacional do Juruema ocupa 6,5% da área municipal.

A tabela abaixo mostra a extrema concentração fundiária em Nova Bandeirantes. Apenas 72 proprietários com mais de 2,5 mil hectares cada um – caso de boa parte da família Dallagnol – possuíam, naquele ano, 50% da área do município. Em contraposição a 900 proprietários com propriedades menores que 50 hectares, todos eles em 2% da área do município. Somando-se os 72 proprietários que tinham entre 1 mil e 2,5 mil hectares – a maioria do restante da família Dallagnol -, o levantamento mostra que 144 latifundiários detinham, em 2015, 76% da área do município.

EMPREITEIRO TEVE ÁREA AINDA MAIOR EM OUTROS MUNICÍPIOS

Definido uma vez como “o maior grileiro do mundo”, Cecílio do Rego Almeida protagonizou aquele que foi considerado o maior caso de grilagem do Brasil. Localizada no sudoeste do Pará, a Fazenda Curuá, na região conhecida como Terra do Meio, tinha 5 milhões de hectares. A propriedade foi contestada em uma ação da Justiça Federal que tramitou no município de Santarém. O MPF entendeu que a fazenda tinha incidência na Reserva Extrativista do Riozinho do Anfrísio, Floresta Nacional de Altamira, Terras Indígenas Xipaya, Kuruáya e Baú, além da gleba onde estão os projetos Nova Fronteira e Santa Júlia, de assentamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Almeida foi acusado de grilagem em outra região da Amazônia, no município de Apiacás, no Mato Grosso, na divisa com Nova Bandeirantes. A propriedade tem área de 300 mil hectares. Em 2009, a Procuradoria Geral do Estado do Mato Grosso moveu uma ação civil contra o grupo e outros envolvidos para reaver 579 mil hectares de área grilada.

Alguns dos integrantes da família Junqueira Vilela foram presos, sob a acusação de grilagem, na Operação Rios Voadores, em junho de 2016. Antônio José Junqueira Vilela Filho foi apontado como chefe de um esquema de grilagem e desmatamento na região de Altamira (PA). Acusada de participar das fraudes, Ana Luiza Junqueira Vilela Viacava foi detida sob suspeita de tentar destruir documentos que comprovavam as fraudes.

Foram denunciados também pelo Ministério Público Federal o marido de Ana Luiza, Ricardo Viacava, e mais uma irmã de Antônio e Ana Luiza, Ana Paula Junqueira Vilela. Na mesma área no Pará, eles responderam por crimes de trabalho escravo praticado contra 11 trabalhadores.

FONTE: deolhonosruralistas

REPASSANDO: Nordeste Declara Guerra A Bolsonaro

Há quem ache Bolsonaro “genial” por vencer uma eleição em que bastava propor rupturas para vencer. Pois é muito burro. Tumultua seu governo com uma encrenca nova por dia. Mas ao insultar TODO o Nordeste ele se superou. Só na Câmara, pôs 216 deputados contra si.

A psicopatia de Bolsonaro só não é maior do que a daqueles que o seguem, por isso continua trabalhando duro para se tornar impopular. Por exemplo: em um momento de grave crise econômica, com muita gente perdendo o emprego, ele propõe acabar com a multa de 40% do fundo de garantia do trabalhador que não for demitido por justa causa.

Quando dizem a Bolsonaro que sua popularidade está derretendo, segundo as pesquisas, ele faz pouco. Nesta segunda-feira  22 de julho, por exemplo, o instituto Datafolha informa que incríveis  39% dos brasileiros dizem que ele “não fez nada” nos seus primeiros seis meses de governo.

Porém, os sinais de que sua popularidade está virando pó ficam patentes quando você vê o que aconteceu no último programa Sílvio Santos, quando uma participante da plateia que respondia a perguntas do apresentar disse que o nome Bolsonaro era sinônimo de “bandido, valentão e marginal”

Aí vai Bolsonaro, do alto de sua burrice, e faz um ataque aos Nordestinos que está gravado em áudio e vídeo para todo mundo ver e, apesar disso, insulta a inteligência de todo mundo negando que tenha insultado o nordeste

Faz piadas sem graça e ofensivas com nordestinos, orientais, negros… Após ter insultado os nordestinos e dado ordens para que sejam discriminados na distribuição de verbas, Bolsonaro debocha do “tamanho da cabeça” do povo nordestino, atribuindo-lhes uma característica física em comum, em ato flagrantemente racista.

Até por isso, as reações já começaram. Parlamentares nordestinos de direita já anunciam que não querem conversa com Bolsonaro, como o deputado Otto Alencar, do PSD baiano, que diz que não participará de cerimônia com Bolsonaro no seu Estado porque “não tem sangue de barata”

O governador da Bahia também cancelou participação em evento ao lado de Bolsonaro.

O cantor Lenine, em show recentíssimo, protestou contra os insultos de Bolsonaro, sendo ovacionado pela plateia.

Para que Bolsonaro tenha uma ideia da encrenca que comprou, a região Norte do país tem 65 deputados federais e a região Nordeste tem 151. São 216 parlamentares que querem se reeleger e que têm seus eleitores furiosos com Bolsonaro.

FONTE: blogdacidadania

ENTRELINHAS: Perseguição a Glenn Greenwald é mais grave que o suposto hacker de Moro

Por Luis Carlos

Um tema jornalistico que tem sido recorrente e que vira e mexe volta a ser mencionado como uma ladainha sem fim é a historia do “hackeamento”, uma hipótese lavajatina que passará a história como uma das maiores fraudes processuais praticada por agentes da burocracia estatal no Brasil.

Pelo momento, não vou fazer deste tema mais um objeto de analises, vou disponibilizar um pequeno texto que escrevi a alguns dias, porque, penso que o mesmo basta para tirar o véu de mentira da Operação Lava Jato e Ministério da Justiça sobre a questão enganosa do tema harcker, abaixo deixo um artigo do portal Carta Capital:

A versão dos Promotores da Lava Jato e do então Ministro Sérgio Moro, a época Juiz, é de que um hacker foi o responsável pelo "vazamento" das informações ao The Intercept Brasil , referentes ao coluio antidemocrático no tribunal de exceção de Curitiba. Adestrados nas interpretações de como ludibriar as entrelinhas do ordenamento jurídico em beneficio das forças conservadoras e reacionarias da direita, e sempre atentos aos princípios discursivos destinados a fraudar a opinião publica, não poderiam deixar de justificar, levianamente, que as mensagens foram adulteradas pelos jornalistas, todavia, sem negar a veracidade do conteúdo das próprias mensagens. Quem leva a efeito ações, intencionalmente induzindo outrem  ao erro, ao passo que, transformando-as em fatos jurídicos, a tendencia será continuar defendendo a mentira, os sofismas mais fraudulentos para encobrir a essência original do crime.

O Jornal GGN diz que The Intercept Brasil, somente em mensagens, possui em suas mãos mais de "1 milhão de mensagens, totalizando 30.000 páginas"

Imagine o trabalho que seria adulterar esta quantidade de mensagens, que a julgar pela média de paginas de um livro, com 300 páginas, isso seria o equivalente a 100 tomos. Ademais, o hacker não teria de ter apenas conhecimentos em engenharia de programação e sistemas operacionais, principalmente em Linux, mas, igualmente, ter a capacidade de historicizar, minuciosamente, todos os acontecimentos políticos, econômicos e judiciais, principalmente, concernentes a atualidade, sem falar do domínios das categorias da ciência dos juristas, a jurisprudência, tudo isso, para saber os meios e formas de como proceder a manipulação das mensagens.

Digo sem medo de errar, inclusive desafio algum hacker leitor destas palavras a nos dizer, ademais do enorme trabalho de hackeamento, se seria possível em riqueza de detalhes operacionalizar uma manipulação tão sofisticada como esta que a PF, o Ministério da Justiça e a Rede Globo têm divulgado a opinião pública brasileira, levando-se em conta que, os envolvidos nas analises do material recebido, dizem que se necessitaria de anos para terminá-las, isto é, compará-las contextualmente com os acontecimentos que envolvem as operações, com todas as suas relações possíveis .

Está explicito que a justificativa dos criminosos promotores e do juiz Sérgio Moro não se sustentam de pé, pura manipulação mediática, aprenderam com o Pinóquio que é a Rede Globo.

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"PERSEGUIÇÃO A GLENN GREENWALD É MAIS GRAVE QUE O SUPOSTO HACKER DE MORO

Pululam na mídia notícias de que as movimentações financeiras do jornalista estariam sob investigação do Coaf

Uma das questões levantadas sobre a chamada Vaza Jato é a suposta ilegalidade das mensagens, pelo fato de que poderiam ter sido obtidas por ação de hackers. Organismos do governo federal, em especial o Ministério da Justiça e a Polícia Federal, e outra parcela da mídia se apressaram em atribuir o vazamento a conduta criminosa, conclusão, no mínimo, precipitada.

Não há dúvida de que é necessário investigar se houve efetivamente o hackeamento de aplicativos de mensagens dos envolvidos. É preciso que se esclareça se as conversas foram obtidas por interceptação de sistema informático ou vazadas de outra forma, por exemplo, por algum de seus interlocutores ou até mesmo por funcionário do próprio Ministério Público Federal que a elas tenha tido acesso.

Mais grave, porém, do que falar em hackeamento criminoso é a investida contra o jornalista Glenn Greenwald, do The Intercept Brasil. Embora ele não seja oficialmente alvo da Polícia Federal, pululam na mídia notícias de que as movimentações financeiras do jornalista estariam sob investigação do Coaf.

Como vivemos tempos em que o óbvio precisa ser dito e redito, é preciso deixar claro que qualquer tentativa de incriminar o jornalista pela divulgação das mensagens é uma arbitrariedade. No exercício da sua atividade, o jornalista não comete crime ao divulgar o conteúdo das mensagens, da mesma forma que não cometeram crime os jornalistas que divulgaram informações vazadas pela Lava Jato durante as investigações dos casos de corrupção. É da função do jornalismo, no sistema democrático, a divulgação de informações de interesse público. Quem hackeia e transfere as informações é o responsável eventual pelo cometimento de crime, nunca o próprio jornalista. Logo, essa tentativa de intimidação é uma ofensa grave ao direito à livre expressão de pensamento, à livre circulação de informações e ao direito de imprensa livre. A investigação contra Greenwald, neste contexto, vulnera frontalmente a nossa Constituição e os valores da democracia e da vida civilizada, inaceitável no plano jurídico.

De volta à ação de suposto hacker, é preciso considerar um aspecto que é apontado e que importa a uma análise mais ampla da questão. Mesmo que se confirme a ocorrência de interceptação indevida, não se pode inferir de imediato que houve conduta criminosa, pois alguns fatores tornam esse caso especial.

Deve-se ponderar é que as divulgações revelam diálogos entre servidores públicos que, inclusive, se utilizaram de equipamentos (telefones e computadores) públicos para tratar de assuntos que deveriam ter sido abordados em processos judiciais, nos quais a defesa dos investigados também tivesse acesso às informações. Curiosamente, segundo divulgado, em 2018 o próprio Deltan Dallagnol, no contexto das discussões sobre a legitimidade de vazamentos da Lava Jato, em grupo no Telegram chamado “Liberdade de expressão CF”, afirmou que “autoridades públicas estão sujeitas a críticas e têm uma esfera de privacidade menor do que o cidadão que não é pessoa pública”. De fato, no exercício da função, o agente público lida, ou deveria lidar, com o interesse público, e não com o interesse privado.

O que se extrai das mensagens “vazadas” é, ao menos, a suspeita de que houve manipulação de investigações e processos com a finalidade de se obter a condenação de alguns réus, o que implicaria condutas muito incorretas por parte dos agentes estatais que delas participaram, resultando em grave vulneração dos direitos fundamentais dos investigados.

Diante desses fatos, mesmo que tenha havido conduta ilegal por parte de um hacker, há que se levar em conta a figura da legítima defesa de terceiro. O direito reconhece como legítima a conduta, a priori ilegal, realizada para defender o próprio direito ou de um terceiro. É possível, embora não provável, que as investigações levem à conclusão de que o hacker agiu para poder revelar a atuação ilegal de agentes públicos, que se utilizaram da força do Estado contra os direitos dos cidadãos. Um eventual hackeamento em face da ofensa ao direito essencial de liberdade, que, depois do direito à vida, é o mais relevante a ser protegido, significa uma infração de potencial agressivo muito menor.

Como afirmamos, e agora fica evidente com as revelações trazidas pelo The Intercept, a Lava Jato produziu processos penais de exceção – expressão cunhada pelo professor Fernando Hideo Lacerda –, que, embora em sua forma tivessem uma aparência de cumprimento da lei, da Constituição e dos valores da democracia, traziam conteúdo autoritário, de persecução política, tratando réus como inimigos, e não como seres humanos detentores de direitos. Por tudo isso é preciso ter cautela ao se afirmar, antes de investigação e devido processo legal, que houve crime na forma de obtenção das conversas divulgadas pela mídia".

FONTE: CartaCapital.

Manifesto em Defesa do Ensino Superior Público e Gratuito

Entidades de professores, estudantes e servidores de instituições federais publicaram um manifesto conjunto em Defesa do Ensino Superior Público e Gratuito.

Confira a íntegra:

Manifesto em Defesa do Ensino Superior Público e Gratuito

A educação no Brasil vem enfrentando grandes ataques por parte do governo federal: cortes financeiros que ameaçam o tripé da universidade brasileira (ensino, pesquisa e extensão), desvalorização do trabalho dos docentes e dos técnico-administrativos, campanhas difamando o papel de escolas, institutos federais e universidades, perseguição a professores e cientistas. Apesar do papel estratégico das instituições de ensino para o desenvolvimento da ciência e tecnologia no país, assim como para a formação de qualidade e a oferta de serviços necessários para a sociedade brasileira, o atual governo escolheu a Universidade como inimiga de sua gestão.

Nos últimos dias, a grande imprensa vem noticiando sobre um projeto de reforma da “autonomia financeira” para a educação superior pública federal imposta pelo Ministério da Educação. Embora as informações ainda sejam difusas, trata-se do maior e mais profundo ataque à autonomia das instituições de ensino, abrindo caminho para a privatização do ensino superior e cobrança de mensalidades. Trata-se de mais um passo rumo à destruição de todo nosso sistema educacional.

Em uma só medida, Bolsonaro e Weintraub pretendem:

  • desresponsabilizar o Estado na garantia do financiamento da educação superior, aprofundando os cortes e contingenciamento já iniciados;

  • pôr fim à carreira pública de servidores federais da educação, estimulando a concorrência perversa com novos ingressos pelo sistema de contratação privada, sem qualquer garantia ou estabilidade de emprego;  

  • reverter a democratização da universidade que permitiu nos últimos 15 anos a entrada de milhares de estudantes de segmentos historicamente excluídos, como pobres, negros, índios, mulheres.

É importante ressaltar que os cortes nos orçamentos das universidades atingem não apenas o ensino, mas também o desenvolvimento científico de pesquisas que, por exemplo, contribuem para o descobrimento de vacinas, medicamentos e a produção de alimentos, assim como a extensão da universidade, por meio da qual estudantes, professores e técnicos prestam serviços para as comunidades (por exemplo, hospitais universitários e escolas)

Esses ataques contra as instituições de ensino superior fazem parte de um projeto político que mata os sonhos da juventude brasileira e o futuro do país ao destruir serviços públicos e retirar direitos sociais. Parte desta mesma agenda é a Reforma da Previdência que, após ser aprovada em primeiro turno, será votada em 6 de agosto.

Diversas universidades já alertaram que não conseguem chegar ao próximo semestre se os cortes não forem revertidos. Agências de fomento não conseguirão pagar as bolsas de estudos de pós-graduação. A UFMT, por exemplo, teve sua energia elétrica cortada, significando que aulas não serão dadas, pesquisas não serão concluídas e a prestação de serviços será prejudicada. Além disso, estudantes que dependem de políticas públicas não conseguirão permanecer na universidade.

A política que Bolsonaro e seu ministro vem apresentando caminha na contramão da valorização do Ensino Superior. Países desenvolvidos investem em educação e ciência públicas e em momentos de crises financeiras contribuem para a retomada do desenvolvimento brasileiro. Enquanto anuncia cortes na educação e ciência, o governo triplica o orçamento para propaganda do governo, compra parlamentares para aprovação de seus projetos e permite o gasto de mais de R$ 1 bilhão de reais por dia para o pagamento de juros da dívida pública brasileira.

Diante desse cenário, precisamos estar atentos e preparados na resistência e em defesa da educação e da ciência públicas. Precisamos mobilizar cada vez mais a sociedade para lutar contra as medidas do governo Bolsonaro, dentre elas a sua tentativa de destruir a Previdência Pública por meio da PEC 6/2019 e a Educação Pública por meio de cortes orçamentários e do novo Programa Ministerial.

Em defesa da educação pública e gratuita conclamamos a todos e todas para a construção da Greve Nacional da Educação em 13 de agosto. Também destacamos a necessidade de uma Greve Geral para derrotar a política de privatização dos serviços públicos e a destruição dos direitos e conquistas da classe trabalhadora e do povo brasileiro.

Em defesa da educação pública e gratuita!
Contra a privatização e os cortes nos investimentos em educação!
Construir a Greve Nacional da educação em 13 de agosto!
Combater a retirada de direitos e a destruição dos serviços públicos!

Assinam este Manifesto: Andes-SN, ANPG, CNTE, Fasubra, Fenet, Proifes, SINASEFE, Ubes e Une

FONTE: esmaelmorais

domingo, 21 de julho de 2019

Sociedade Brasileira de Física deplora ataque de Bolsonaro a diretor do INPE

A diretoria e o conselho da Sociedade Brasileira de Física (SBF) vêm a público se manifestar sobre o recente ataque do Presidente da República  ao Diretor-Presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais  (INPE), Professor Ricardo Galvão, a respeito dos dados de satélite  obtidos pelo INPE, que mostram aumento de 68% no desmatamento da  Amazônia em relação a julho/2018.

O Presidente colocou em dúvida, de  forma leviana, não apenas os dados científicos obtidos pelo INPE como  também a idoneidade do seu Diretor-Presidente, Prof. Ricardo Galvão.  O INPE surgiu no início dos anos 1960, motivado pelas expectativas que  se criaram em torno das primeiras conquistas espaciais. Em 1974, o INPE  passou a utilizar as imagens do satélite LANDSAT para mapear o  desmatamento na Amazônia. As atividades experimentais sempre foram um  ponto forte do INPE e o Instituto trabalha em colaboração com a NASA e  outras organizações nacionais e estrangeiras.

A história de grandes  iniciativas do INPE traduz a sua capacidade em dar respostas científicas  às demandas da sociedade e dos desafios científicos e tecnológicos.

O  INPE tem hoje competência adquirida e reconhecida internacionalmente nas  áreas de atividade de Ciências Espaciais e Atmosféricas, Ciências  Ambientais e Meteorológicas, e Engenharia e Tecnologias Espaciais.  Ricardo Galvão, atual Diretor-Presidente do INPE desde 2016, é Professor  Livre-docente do Instituto de Física da USP, membro da Academia  Brasileira de Ciências, ex-diretor do Centro Brasileiro de Pesquisas  Físicas (CBPF), e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Física.  (SBF). O Prof. Galvão é reconhecido tanto no Brasil como no exterior por  sua qualificação acadêmico-científica bem como por sua competência e  seriedade como gestor.

Questionar sua postura ética é não apenas um  ataque a todos os pesquisadores altamente qualificados no INPE mas  também um ataque à ciência e tecnologia no Brasil. Somam-se a esta  declaração irresponsável do presidente os recentes ataques às  universidades públicas e os recentes cortes de recurso para educação,  ciência e tecnologia no Brasil.  De fato, o desmatamento da Amazônia traz um grande prejuízo para a  imagem do Brasil no exterior.

No entanto este desgaste não será  revertido com a omissão na divulgação de dados científicos, mas sim  através de políticas de desenvolvimento sustentável para a região, que  preservem a Amazônia para as futuras gerações de brasileiros. Atribuir  este problema internacional à obtenção e divulgação das informações pelo  INPE é como tentar curar a febre quebrando o termômetro. 

A SBF assim conclama a sociedade brasileira a apoiar o INPE e o seu  Diretor-presidente, e a se mobilizar para que o governo não manipule nem  impeça a divulgação de dados de satélite sobre o desmatamento da  Amazônia.  Exigimos respeito pela seriedade do trabalho do INPE, que é  um patrimônio do país, e pela integridade dos cientistas que tanto  contribuem para a nação, a exemplo do Professor Ricardo Galvão. 

São Paulo, 21 de julho de 2019  Conselho e Diretoria da Sociedade Brasileira de Física (SBF)

Diplomacia ambiental brasileira está em risco real de extinção


Por Luis Carlos

A afirmação que o STF é guardião da Constituição tem um lugar comum bem a direita das mesas de redação dos grande meios de comunicação. Deixando de lado maiores detalhes sobre o conceito de guardião, que vêm dos títulos que recebiam certos superiores dos conventos franciscanos, o fato é que não se evidencia, igualmente, que além do poder judiciário, o executivo é responsável por "guardar" o "pacto social" firmado pela Constituição de 1988, enfim, que deve utilizar todos os meios possíveis para fazer cumprir as leis.

Contam um história que durante as eleições o "povo" escolhe o presidente para que esse venha obedecer ao pacto social, precedentemente, criado para servir como ossadura do Estado, de modo que, o governo guie sua administração segundo a normativa constitucional.

Pois bem, continuemos.

Caso o cidadão leia o Capitulo VI, do Meio Ambiente, Art. 225, onde diz um dos seus incisos: 

"A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais. São indisponíveis as terras evolutas ou arrecadadas pelos Estados, por ações discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais".

E, venha depois da leitura se questionar, será que o governo eleito está cumprindo com a missão institucional de "guardar" a "preservação do meio ambiente", em toda estas áreas mencionadas?

Penso que o texto seguinte respondo em grande medida o questionamento:

"DIPLOMACIA AMBIENTAL BRASILEIRA ESTÁ EM RISCO REAL DE EXTINÇÃO

[...]

De acordo com dados do Inpe, porém, o desmatamento total no mês de junho de 2019 foi de 920,4 km², aumento de 88% em relação ao mesmo mês de 2018

[...]

Em seus primeiros atos no governo, o presidente começou por um desmonte da burocracia governamental existente. Especialmente quanto aos Ministérios do Meio Ambiente (MMA) e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), modificações afrouxaram os critérios de licenciamento e os instrumentos da preservação ambiental do país, subtraindo poderes e competências do MMA. Além disso, em tempo recorde o governo liberalizou o uso de 239 agrotóxicos apenas nos seis primeiros meses de 2019, dentre os quais 66 considerados extremamente tóxicos, na sua grande maioria proibidos no exterior – inclusive na União Europeia (UE), onde a aplicação do Princípio de Precaução sobre riscos à saúde da população pode complicar as expectativas de exportações brasileiras.

Por aqui, também na esfera ministerial do governo a insensatez que espanta o mundo prossegue: o excêntrico chanceler Ernesto Araújo se destacou ao contrariar a ONU, afirmando que “o aquecimento global é uma trama globalista” e o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, ao mandar os europeus “procurarem a sua turma” e deixarem de criticar a política ambiental do atual governo.

O próprio ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou que “a mudança climática é uma questão secundária”. Não é coincidência portanto que, neste reformulado MMA, Salles tenha extinto o Departamento de Políticas em Mudança do Clima e o Departamento de Monitoramento, Apoio e Fomento de Ações em Mudança do Clima, reduzindo em 95% a verba destinada às políticas de mudanças climáticas.

Já o presidente Bolsonaro, se esforçando para imitar Trump, criticou repetidas vezes o Acordo de Paris sobre o Clima e ameaçou a comunidade internacional com a saída do Brasil. As declarações foram criticadas pela sociedade civil brasileira e também no exterior, mas o governo só recuou desta decisão como condição imposta pela União Europeia (ironicamente capitaneada por Alemanha e França) para a assinatura do acordo de comércio com o Mercosul, um compromisso crucial do governo com os interesses dos setores ruralistas que lhe dão sustentação.

Como não fosse suficiente, ao buscar refomar e depois extinguir o Comitê Orientador do Fundo Amazônia, Salles entrou em rota de colisão com os países doadores do Fundo – Noruega e Alemanha – que financiam projetos de preservação e desenvolvimento sustentável na floresta. O governo chegou a fazer o papelão de propor gastar os recursos com o pagamento a fazendeiros que hoje ocupam áreas de conservação ou terras indígenas, ou seja, indenizar grileiros. Foi novamente a UE que provocou, em julho, uma intervenção direta da presidência sobre o ministro, que foi aparentemente enquadrado.

Ao longo de sucessivos governos, o Brasil veio conquistando credibilidade internacional por ser parte ativa da busca de soluções multilaterais para o meio-ambiente e a crise do clima. Hoje, é visto como parte do problema. Recentemente, numa histórica convergência de visões entre todos os ex-ministros do meio-ambiente do Brasil nos últimos 25 anos, o ex-embaixador Rubens Ricupero foi categórico: estamos diante da destruição do que foi criado em matéria de política ambiental desde os anos 1980 no Brasil e de um “esforço sistemático de antagonismo à participação da sociedade civil”. Publicações estrangeiras especializadas também já apontam que, sob o governo Bolsonaro, o Brasil deixa de ser um líder nas negociações do clima para se converter em uma ameaça à sustentabilidade. O Itamaraty pode colocar as barbas de molho, a sua própria diplomacia ambiental está em risco de extinção".

FONTE: Carta Capital

Há fome no Brasil: 3 dados alarmantes que Bolsonaro deveria conhecer


Por Luis Carlos

Jesus Cristo foi um cidadão do povo e sua visão de mundo esteve sempre coerente com a defesa dos interesses daqueles que, por definição do Dicionário Aurélio, eram despossuídos de bens materiais, ou seja, de terras, principalmente, além de meios como barcos mercantes e instituições comerciais. Por isso mesmo, nunca se conformou que os governadores de Jerusalém, através de implacáveis impostos, tirassem dos camponeses os já pequenos excedentes produzidos para sobreviverem. Mas, insensíveis, seguiram as autoridades, submetidos ao Império Romano, maltratando o povo da Antiga Israel, visando acumular a riqueza de poucos sujeitos locais e dos estrangeiros, como os patrícios romanos e seu imperador César Augustos. Quando a popularidade de Jesus se tornou conhecida, com uma multidão de seguidores, de imediato, o poder provinciano começou vê nele uma ameaça, logo prendendo e o matando, evitando maiores sublevações e assim continuar a exploração.

Toda pessoa que se diz seguidor de Jesus Cristo devia seguir no mesmo caminho político do seu mestre, bem como, sendo porta-vozes do pobres explorados e estar sempre do lado dos mais fracos em comparação com os pouquíssimos que têm o poderio e a força do capital.

O presidente do país diz ser um seguidor de Jesus Cristo, que pelo sobrenome fala até ser cristão. Mas, como isso é possível, se antes mesmo do galo cantar três vezes, destrói todos os direitos do povo brasileiro e vende seus interesses por menos de 30 moedas? E o que mais chama a atenção é negar sem constrangimento algum que no Brasil não existem podres! Inacreditável! Somente pessoas moralmente hipócritas, igualmente, sem pudor, dirão que isto é normal, que este fariseu tem "razão". O que dizer, no sentido do que sua ação governamental é completamente conetado com a atuação política de Jesus em relação as camadas mais excluídas do sociedade?! Desnecessário dizer que “bunda suja” [como o chamaram os militares] passa longe disto...

Não conheço nenhum exemplo de aplicação prática na atualidade, mesmo utópica, daquilo que os antigos membros da assembleia comunitária, dos Atos dos Apóstolos, fizeram, efetivamente, quando  compartilharam em comum todos os seus meios de sobrevivência, numa especie de comunismo primitivo, para dizer assim, estamos dando exemplo. Pelo contrario, criam igrejas para vender ilusões e aprisionar os seus próprios membros ao individualismo mais egoísta que possa imaginar. Da mesma forma que a publicidade faz em relação as mercadorias, prometendo o hedonismo terreno, as igrejas da prosperidade, no seio da classe média, o fazem em nome de cristo. Já nas periferias das grandes cidades, pregam que os pobres sejam miseráveis porque depois da morte, lá no além que ninguém sabe sequer aonde fica, terão melhores condições de vida: nas duas formas, algo é comum: o fato de orientarem os seus membros a defenderem os governos dos ricos [Bolsonaro], assim como, continuarem sem perspectiva, no que diz respeito, a algum projeto politico [democrático e progressistas], sem que os exemplos dos apóstolos tenham significado na vida prática.  Sem mais palavras.

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PRESIDENTE DECLAROU NA MANHÃ DESTA SEXTA-FEIRA 19 QUE ‘PASSAR FOME NO BRASIL É UMA GRANDE MENTIRA

O presidente Jair Bolsonaro declarou na manhã desta sexta-feira 19 que “passar fome no Brasil é uma grande mentira”. Projetada no horizonte, a declaração é algo que todos gostariam que fosse verdade. Para tanto, o País teria que superar o quadro de desigualdade social e econômica. Hoje é apenas um blefe descolado da realidade.

No início da tarde, o presidente ensaiou um recuo. Durante evento em que o Ministério da Cidadania celebrou o Dia Nacional do Futebol, em Brasília, ele voltou a falar sobre o tema: “É um país aqui que a gente não sabe por que uma pequena parte passa fome e outros passam mal ainda”. Mas, o que dizem os dados?

1. ENTRE 2015 E 2017, 5,2 MILHÕES DE PESSOAS NO BRASIL ESTAVAM EM ESTADO DE SUBALIMENTAÇÃO

A afirmação é do relatório Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional na América Latina e Caribe 2018, divulgado no ano passado pela FAO (órgão da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura). O estudo aponta que no triênio entre 2015 e 2017, 5,2 milhões de pessoas no Brasil estavam em estado de subalimentação, ou seja, não contavam com alimentos suficientes para satisfazer suas necessidades energéticas.

O estudo também atesta que fome e pobreza estão diretamente associadas e que o crescimento crescimento econômico nem sempre beneficia de forma igual os lares, mais pobres, os indivíduos e os territórios. Nesse sentido, as políticas de proteção social são importantes para darem um piso de segurança, sustento e promoção para a redução da fome e da pobreza. “Do contrário, os lares em situação de pobreza se veem forçados a investir seu tempo e seus recursos em atividades pouco rentáveis ou prejudiciais, ficando, assim, imersos na pobreza, sem capacidade de aquisição de bens básicos ou de fortalecer seus meios de subsistência”, aponta o relatório.

2. O BRASIL FLERTA COM A VOLTA AO MAPA DA FOME

Em 2014, o País saiu do Mapa Mundial da Fome, como apontou o relatório global da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Na época, o indicador de Prevalência de Subalimentação, medida empregada pela FAO há 50 anos para dimensionar e acompanhar a fome em nível internacional, atingiu no Brasil nível menor que 5%, abaixo do qual a organização considera que um país superou o problema da fome.

No entanto, ainda que a fome tenha se mantido relativamente em patamar baixo desde o começo da década de 2010, a ameaça do crescimento do número de pessoas subalimentadas é real, segundo especialistas, muito por conta do quadro de estagnação econômica – após dois anos de recessão, o país voltou a crescer economicamente em 2017, mas apenas 1% – que gera desempregos e aumento de subempregos, que estão diretamente relacionados com a insegurança alimentar.

Também pesa sobre o cenário a quantidade de pessoas sem nenhuma forma de rendimento e que não estão associadas a nenhuma política social de transferência de renda, como o Bolsa Família e a aposentadoria rural. Mais de 7 milhões de pessoas estão nessa situação, segundo a FAO. Essas pessoas, se não passam fome, sobrevivem por meio de doações de instituições ou repasses de familiares.

3. EM FÉRIAS ESCOLARES, CRIANÇAS NÃO TÊM O QUE COMER

Uma reportagem elaborada pela BBC investigou a vida de famílias pelo Brasil que, durante o período de férias escolares e sem acesso à merenda servida pelas unidades, não têm o que dar de comer às suas crianças. Os casos são narrados em São Paulo e em Brasília. As unidades escolares convivem diariamente com crianças que vão às unidades em busca de alimentação, fator que incide negativamente sobre a aprendizagem delas.

Em 2017, ganhou a imprensa o caso de um garoto de 8 anos que desmaiou enquanto assistia aula em uma escola do Cruzeiro, no Distrito Federal. O garoto, morador do Paranoá Parque, um empreendimento do Minha Casa, Minha Vida, chegava a se deslocar 30 km para chegar à escola todos os dias. O motivo do desmaio foi fome, conforme atestou a equipe do Samu que prestou atendimento à criança.

A realidade também encontra respaldo em números. De acordo com a Fundação Abrinq, que fez cálculos a partir de dados do IBGE, 9 milhões de brasileiros entre zero e 14 anos do Brasil vivem em situação de extrema pobreza. O Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional do Ministério da Saúde (Sisvan) identificou, no ano retrasado, 207 mil crianças menores de cinco anos com desnutrição grave no Brasil.

FONTE: CartaCapital
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