ESPERAMOS QUE VOCÊ DEIXE SUAS OPINIÕES, IDÉIAS E QUE VENHA PARTICIPAR CONOSCO DEIXANDO SUAS PROPOSTAS

segunda-feira, 29 de julho de 2019

REPASSANDO: Atentado à memória dos que lutaram pela democracia e o povo brasileiro

NOTA PÚBLICA ASSOCIAÇÃO JUÍZES PARA A DEMOCRACIA

AJD se solidariza à família Santa Cruz e exige apuração e responsabilização do presidente da República por crime de responsabilidade por atentar à Constituição Federal

A Associação Juízes para a Democracia (AJD), entidade não governamental e sem fins corporativos, que tem dentre seus objetivos estatutários o respeito aos valores próprios do Estado Democrático de Direito, vem a público manifestar seu repúdio ao pronunciamento do Presidente da República acerca do desaparecido político Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, pai de Felipe Santa Cruz, atual Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil.

A prisão clandestina, tortura e ocultação de cadáver dos opositores da ditadura civil-militar instaurada no Brasil a partir de 1964 foram utilizadas sistematicamente como terrorismo praticado pelo Estado, quando não bastava eliminá-los fisicamente, mas apagá-los da memória e da história, prolongando a tortura sobre os familiares com a incerteza sobre o paradeiro de seu ente querido, a impossibilidade de prantear e sepultar seus mortos e de conhecer em que circunstâncias morreram.

A condenação do Estado brasileiro pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, proferida em 24 de novembro de 2010 (caso Gomes Lund e outros vs. Brasil) reconheceu que o desaparecimento de pessoas praticado como política de Estado viola tanto os direitos fundamentais da vítima desaparecida quanto dos seus familiares, por afronta à preservação da dignidade do corpo do finado e obstáculo à construção da memória deste pelos seus entes vivos.

O Presidente da República, seja nesta condição ou no exercício dos diversos mandatos na condição de parlamentar, coleciona uma longa lista de declarações que indicam o menosprezo pela vida humana, pelos direitos humanos e reiteradas formas de apologia à tortura, além de sistematicamente negar fatos já reconhecidos e comprovados no âmbito da Comissão da Verdade, relacionados à prática de terrorismo de Estado no Brasil.

À já longa lista de declarações vergonhosas e que demonstram profundo desconhecimento/indiferença perante a realidade brasileira, soma-se a proferida nesta data e dirigida ao Presidente da Ordem dos advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz. Em uma fala que já se delineava demasiadamente indecorosa à instituição representativa da profissão de advogado, essencial à realização da Justiça nos termos da Constituição Federal, o Presidente da República fez referência desrespeitosa ao desaparecimento de Fernando Santa Cruz, caso ainda investigado pela Comissão da Verdade.

A declaração do Presidente da República não somente escancara mais uma vez a sua total carência de valores e princípios éticos e inabilidade para o exercício do mais alto cargo do Poder Executivo, mas, concretamente, configura crime de responsabilidade nos termos do artigo 85, V da Constituição Federal.

A probidade no âmbito da administração pública excede o conceito da estrita legalidade e avança para a impor que todos os servidores, no cumprimento da função pública, em especial o presidente da república, atuem em atenção ao padrão de moralidade - regras que a sociedade tem como essenciais para o bom convívio e garantia do bem comum.

A infeliz declaração do Presidente da República banaliza o desaparecimento forçado e desrespeita a dor pungente de brasileiras e brasileiros que esperam e procuram por seus entes desaparecidos, registrando-se que grande parte dos desaparecimentos decorrem da ação das próprias forças de segurança do Estado, o que configura grave violação aos Direitos Humanos garantidos na Constituição Federal de 1988 e pela Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948.

Mais que isso, o Presidente Jair Bolsonaro vilipendia o senso de moral e ética, violando não o patrimônio material do Estado Brasileiro, mas o princípio máximo desta República: a dignidade da pessoa humana.

Por estas razões, a AJD, ao mesmo tempo em que se solidariza com a família Santa Cruz que, como tantas outras, vive até hoje o drama da busca de informações sobre as circunstâncias do desaparecimento de Fernando após sua prisão em 24/02/1974, EXIGE a apuração e responsabilização do Presidente da República pelo cometimento do crime de responsabilidade por atentar contra a Constituição Federal, nos termos do artigo 85, inciso V.

São Paulo, 29 de julho de 2019.

REPASANDO ‘Filé’ para Eduardo, ‘cana’ para Glenn e pai desaparecido na ditadura: a rajada verbal de Bolsonaro

Por Luis Carlos (comentário)

Bolsonaro é a mais perfeita essência da ideologia da classe dominante. Tudo que foi acumulado de ódio durante 519 anos contra o povo brasileiro é representado por Bolsonaro. Ninguém pode negar que este sujeito foi o único capaz, durante sua existência, de identificar no "imaginário" da elite seus traços mais violentos que a história dos dominadores podê registrar de si mesmo, na base da qual, projeta no presente toda astrosidade. Não tenho nenhuma duvida que esta alma sórdida, em corpo inanimado, se pudesse, seria capaz de matar todos os trabalhadores e excluídos de nosso país e ir viver com a escoria parasita de sua classe social em algum lugar em que não pudesse enxergar o diferente. Este sujeito personifica tudo o que foi capaz de se processar contra a própria humanidade.Bolsonaro é o inconsciente revelado da elite deste país.

Neste artigo jornalistico estão algumas das piores condutas assumidas pelo presidente fascista, neoliberal e, participe do exército, alma dos milicianos sanguinários.

===

BBC BRASIL
REPASANDO ‘Filé’ para Eduardo, ‘cana’ para Glenn e pai desaparecido na ditadura: a rajada verbal de Bolsonaro

UMA SEQUÊNCIA DE FALAS CONTROVERSAS, INCORRETAS E ATÉ PEJORATIVAS MARCOU OS ÚLTIMOS DIAS DO PRESIDENTE JAIR BOLSONARO.

Pouco depois de sair vitorioso em uma das votações mais importantes do seu governo - a reforma da Previdência, aprovada no Congresso em 10/7 -, o presidente engatou em uma série de falas e críticas que tinham como alvos figuras bastante variadas: os jornalistas Miriam Leitão, da TV Globo, e Glenn Greenwald, do site The Intercept Brasil; a exigência de cursos em autoescola para a obtenção da carteira de motorista; os governadores "de paraíba", termo pejorativo que o presidente usou para referir-se aos Estados do Nordeste.

O período intempestivo culminou na fala desta segunda-feira (29), quando Bolsonaro afirmou que "um dia" contará ao presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, como seu pai desapareceu na ditadura militar.

A declaração foi dada quando Bolsonaro reclamava sobre a atuação do órgão na investigação do caso de Adélio Bispo, autor do atentado do qual foi alvo no ano passado. "Por que a OAB impediu que a Polícia Federal entrasse no telefone de um dos caríssimos advogados [do Adélio]? Qual a intenção da OAB? Quem é essa OAB?", perguntou o presidente.

Sem que ninguém o questionasse, o presidente passou a atacar o presidente da OAB e o pai dele.

'SE O PRESIDENTE DA OAB QUISER SABER COMO É QUE O PAI DELE DESAPARECEU NO PERÍODO MILITAR, CONTO PRA ELE'

Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira era funcionário público e militou na Ação Popular Marxista-Leninista (APML), movimento dissidente da Ação Popular, ambos contrários à ditadura militar.

Oliveira foi visto pela última vez em fevereiro de 1974, quando deixou a casa do irmão para encontrar o amigo Eduardo Collier Filho, que era alvo de um processo na Justiça Militar. Ao sair, avisou aos familiares que, se não voltasse até às 18h do mesmo dia, provavelmente teria sido preso. Fernando e Eduardo nunca mais foram vistos.

O presidente da OAB tinha pouco menos de dois anos quando o pai desapareceu. A Comissão Nacional da Verdade, órgão que atuou entre 2011 e 2014 para investigar casos de violações de direitos humanos, concluiu que Oliveira foi preso e morto por agentes do Estado brasileiro e permanecia desaparecido, sem que seus restos mortais tenham sido entregues à família.

Na manhã desta segunda-feira, no entanto, Bolsonaro disse saber informações de como Oliveira foi morto. "Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, conto pra ele. Ele não vai querer ouvir a verdade. Conto para ele", disse Bolsonaro. "Não é minha versão. É que a minha vivência me fez chegar nas conclusões naquele momento. O pai dele integrou a Ação Popular, o grupo mais sanguinário e violento da guerrilha lá de Pernambuco e veio desaparecer no Rio de Janeiro", continuou.

Horas depois, em uma transmissão ao vivo em sua página no Facebook, o presidente disse que Oliveira foi morto pelo "grupo terrorista" Ação Popular do Rio de Janeiro, e não por militares. "Onde eu obtive essa informação? Com quem eu conversei na época, oras bolas", disse. "Eles resolveram sumir com o pai do Santa Cruz", disse.

Em nota, Felipe Santa Cruz tachou a declaração de Bolsonaro de "crueldade".

"É de se estranhar tal comportamento em um homem que se diz cristão. Lamentavelmente, temos um presidente que trata a perda de um pai como se fosse assunto corriqueiro — e debocha do assassinato de um jovem aos 26 anos", escreveu.

Ao falar sobre o caso Adélio nesta segunda-feira, Bolsonaro criticou a OAB. Sem manifestações do presidente e do Ministério Público em Minas Gerais, a 3ª Vara Federal de Juiz de Fora anunciou o encerramento do caso em 16 de julho. Portanto, não cabem mais recursos à sentença proferida em 14 de junho, que considerou Adélio inimputável, ou seja, incapaz de responder por seus atos.

Em sua declaração hoje, o presidente questionou a atuação do órgão: "Por que a OAB impediu que a Polícia Federal entrasse no telefone de um dos caríssimos advogados? Qual a intenção da OAB? Quem é essa OAB?"

Não foi a primeira vez que Bolsonaro fez críticas à OAB. Em entrevista a rádio Jovem Pan em 28 de junho, ele disse que a instituição teria impedido o acesso da Polícia Federal ao telefone de Adélio.

"Sobre os vazamentos, olha o meu caso: o telefone do Adélio, por uma ação da OAB, a Polícia Federal não pode entrar nele. Não podemos saber com quem ele conversou naqueles dias quando tentou me matar. Que Justiça é essa? Não quero generalizar a Justiça brasileira. Quem está criticando ou tentando incriminar o Moro, que aliás eu não vi nada demais (nas supostas mensagens), poderia fazer uma campanha em cima da OAB", ele disse.

A informação dada por Bolsonaro, no entanto, está incorreta. O autor do atentado a Bolsonaro não teve os sigilos telefônico e bancário protegidos pela OAB. A atuação da Ordem dos Advogados do Brasil no caso se refere a uma medida de segurança impetrada pela organização em favor do advogado de Adélio, Zanone Manuel de Oliveira.

No ano passado, a PF fez uma operação de busca e apreensão no escritório do advogado para investigar quem estaria pagando por seus serviços e checar supostas ligações com a facção Primeiro Comando da Capital (PCC). Documentos e aparelhos eletrônicos de Oliveira foram levados pelos policiais.

Em janeiro, sob o argumento de que a ação violaria o sigilo profissional, a OAB de Minas Gerais impetrou mandado de segurança ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região pedindo a suspensão da análise dos materiais. O pedido foi atendido pelo desembargador Néviton Guedes, que proibiu a análise dos materiais até o julgamento do mérito da ação. A Advocacia-Geral da União (AGU) recorreu da decisão, mas o recurso ainda não foi analisado.

'MALANDRO, PARA EVITAR UM PROBLEMA DESSE, CASA COM OUTRO MALANDRO'

Questionado sobre uma portaria publicada na última semana, que estabeleceu condições para a deportação de estrangeiros no Brasil, Jair Bolsonaro negou no dia 27 de julho que o texto tenha sido motivado pela publicação de diálogos comprometedores atribuídos a seu ministro de Justiça, o ex-juiz federal Sergio Moro, pelo site The Intercept Brasil, fundado pelo jornalista americano Glenn Greenwald.

"Nem se encaixa na portaria o crime que ele está cometendo. Até porque ele é casado com outro homem e tem meninos adotados no Brasil. Malandro, malandro, para evitar um problema desse, casa com outro malandro e adota criança no Brasil", disse o presidente em agenda no Rio de Janeiro, onde participou de uma cerimônia de formatura de militares paraquedistas.

"Esse é o problema que nós temos. Ele não vai embora, pode ficar tranquilo. Talvez pegue uma cana aqui no Brasil, não vai pegar lá fora não."

No Twitter, o jornalista lamentou as falas do presidente: "Não acho que ele (Bolsonaro) entenda a Constituição e que ele não é um juiz ou um ditador".

Em entrevista à BBC News Brasil, o advogado uruguaio Edison Lanza, relator especial para a liberdade de expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da OEA, afirmou ver "com absoluta preocupação" a declaração de Bolsonaro no sábado.

'EU VOU NEGAR O HELICÓPTERO E MANDAR IR DE CARRO?'

Na mesma ocasião, no Rio, o presidente defendeu o uso de um helicóptero para transportar parentes vindos do Vale do Ribeira, em São Paulo, ao casamento do filho Eduardo Bolsonaro na capital fluminense em maio. O trajeto foi do aeroporto em Jacarepaguá ao Santos Dumont, na zona sul da cidade, portanto dentro do mesmo município. O caso foi revelado pelo site G1.

"Minha família da região do Vale do Ribeira estava comigo. Eu vou negar o helicóptero e mandar de carro? Não gastei nada além do que já ia gastar", disse.

Em nota, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência confirmou que o helicóptero foi usado pela família de Bolsonaro com a justificativa de "razões de segurança": "Conforme a Lei 13.844, de 18 de junho de 2019, o GSI é responsável por zelar pela segurança do presidente e vice-presidente da República, bem como de seus familiares".

No dia anterior, questionado por um jornalista do jornal Folha de S.Paulo sobre o uso do helicóptero, o presidente demonstrou irritação e classificou o questionamento como "idiota".

"Com licença, estou numa solenidade militar, tem familiares meus aqui, eu prefiro vê-los do que responder uma pergunta idiota para você. Tá respondido? Próxima pergunta", disse, interrompendo logo depois a entrevista.

'NÃO TEM QUE CURSAR AUTOESCOLA'

Em uma transmissão ao vivo em sua página no Facebook, no dia 25, Bolsonaro minimizou a importância das aulas teóricas e práticas de direção nas autoescolas, hoje parte do processo para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

O presidente comentava um projeto de lei para alterar o Código de Trânsito Brasileiro enviado ao Congresso em junho, defendendo as medidas propostas como forma de reduzir os custos de taxas administrativas e exames para motoristas.

Bolsonaro disse esperar que o Congresso não só acate integralmente o projeto, como apresente mais medidas para reduzir os encargos. Em uma fala hesitante e confusa, o presidente deu a entender que é favorável ao fim de aulas na autoescola.

"Eu seria favorável... Eu aprendi a dirigir na fazenda. Com dez anos de idade eu estava dirigindo trator, lá em Eldorado Paulista."

"Eu acho mais ainda: acho que nem devia ter exame de nada."

"Não tem que cursar autoescola, ter aula de uma coisa que já sabe. Então uma prova prática e uma prova escrita, teórica, seria suficiente para tirar a Carteira de Habilitação."

"Mas vamos deixar isso pra um próximo momento."

O projeto apresentado pelo governo em junho foi criticado por ativistas e especialistas em segurança no trânsito.
'Daqueles governadores de Paraíba, o pior é o do Maranhão'

Sentados à mesa aguardando o início de um café da manhã com jornalistas em Brasília no último dia 19, Jair Bolsonaro e o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, tiveram uma conversa informal captada por câmeras de TV.

"DAQUELES GOVERNADORES DE PARAÍBA, O PIOR É O DO MARANHÃO. NÃO TEM QUE TER NADA COM ESSE CARA", DISSE O PRESIDENTE AO MINISTRO.

Em algumas partes do Brasil, "paraíba" é um termo pejorativo usado para designar pessoas e lugares do Nordeste do país.

Poucas horas depois, governadores nordestinos assinaram uma nota conjunta exaltando a importância do diálogo entre as esferas federal e estaduais: "Recebemos com espanto e profunda indignação a declaração do presidente da República transmitindo orientações de retaliação a governos estaduais (...) Aguardamos esclarecimentos por parte da presidência da República e reiteramos nossa defesa da Federação e da democracia".

No dia seguinte, o presidente afirmou a jornalistas que sua fala foi mal interpretada e que ele se referia apenas aos governadores da Paraíba e do Maranhão.

'FALAR QUE SE PASSA FOME NO BRASIL É UMA GRANDE MENTIRA'

No mesmo café da manhã, o presidente classificou como uma "grande mentira" que haja fome no Brasil.

"Falar que se passa fome no Brasil é uma grande mentira. Passa-se mal, não se come bem, aí eu concordo. Agora passar fome, não. Você não vê gente, mesmo pobre, pela ruas com o físico esquelético como se vê em outros países pelo mundo", disse o presidente.

Criticado pela declaração, Bolsonaro reviu sua opinião horas depois, em outro evento, reconhecendo que "uma pequena parte (dos brasileiros) passa fome".

Conforme mostrou a BBC News Brasil, os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o assunto, de 2013, 3,6% dos brasileiros apareciam sob insegurança alimentar grave. É provável que o índice tenha aumentado nos últimos anos, acompanhando o crescimento da pobreza verificado a partir de 2016.

Já um relatório de 2018 da FAO (agência da ONU para agricultura e segurança alimentar) colocou o Brasil na categoria dos países com o menor índice de fome no planeta.

'É LÓGICO QUE EU VOU CONVERSAR COM O PRESIDENTE DO INPE'

Também no dia 19, o presidente questionou em dois momentos dados sobre desmatamento no Brasil.

No café da manhã com jornalistas, Bolsonaro disse: "Com toda a devastação de que vocês nos acusam de estar fazendo e ter feito no passado, a Amazônia já teria se extinguido".

Depois, durante agenda no Ministério da Cidadania, o presidente afirmou que iria conversar com Ricardo Galvão, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Segundo balanço parcial do órgão divulgado no início de julho, o desmatamento na Amazônia cresceu, em junho deste ano, quase 88% em relação ao mesmo mês de 2018.

"É lógico que eu vou conversar com o presidente do Inpe. Matérias repetidas que apenas ajudam a fazer com que o nome do Brasil seja malvisto lá fora", declarou o presidente.

"Vou conversar com qualquer um que esteja a par daquele comando, onde haja a coisa publicada, que não confere com a realidade, vai ser chamado para se explicar".

Em entrevista à BBC, o ministro-chefe do GSI, o general da reserva Augusto Heleno, havia dito que os índices de desmatamento da Amazônia são "manipulados": "A Amazônia é brasileira e quem tem que cuidar dela somos nós. Esses índices de desmatamento são manipulados. Se você somar os porcentuais que já anunciaram até hoje de desmatamento na Amazônia, a Amazônia já seria um deserto".

Depois das declarações de representantes do governo, o diretor do Inpe deu entrevista a diversos veículos da imprensa rebatendo as críticas de Bolsonaro. Galvão defendeu a qualidade dos dados produzidos pelo instituto.

"Pode haver consequências para mim, ser demitido. Mas para o instituto não pode haver. Primeiro porque o orçamento já está estabelecido para este ano; estamos preparando o orçamento para o ano que vem. E a situação ficou tão clara, foi tão incrível a quantidade de apoio, até do exterior, que fica impossível para o governo, na minha opinião, fazer algum tipo de retaliação, o que seria ainda mais contundente contra o governo", disse Galvão à Folha de S.Paulo.

'SE EU PUDER DAR UM FILÉ MIGNON PARA O MEU FILHO, EU DOU'

A indicação de um dos filhos de Jair Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), para o cargo de embaixador brasileiro nos Estados Unidos teve defesa reforçada pelo presidente em outra transmissão ao vivo, no último dia 18.

"Lógico que é filho meu, pretendo beneficiar filho meu sim. Se eu puder dar um filé mignon para o meu filho, eu dou, mas não tem nada a ver com filé mignon essa história aí. É realmente nós aprofundarmos um relacionamento com um país que é a maior potência econômica e militar do mundo", defendeu.

Alguns juristas, como o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello, avaliaram que a indicação configura nepotismo.

O presidente argumentou que o filho é qualificado para assumir a embaixada por já ter trabalhado no Estados Unidos durante intercâmbio, por falar inglês e espanhol e por acompanhar como político pautas referentes às Relações Exteriores.

"Está preparado sim para ser nosso representante, um bom cartão de visita."

Em entrevista à BBC News Brasil no dia 12, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, também defendeu que a indicação não se trata de nepotismo.

A indicação de Eduardo deve passar por sabatina e votação na Comissão de Relações Exteriores e no Plenário do Senado. A tramitação deve avançar a partir da volta dos parlamentares do recesso, no início de agosto.

'ESTOU PROCURANDO O PRIMEIRO MUNDO PARA EXPLORAR ESSAS ÁREAS'

Em participação no último dia 27 de uma formatura de novos paraquedistas das Forças Armadas, no Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro defendeu mais uma vez o nome do filho para a embaixada justificando que a presença do hoje deputado federal contribuiria para a exploração de minérios, inclusive em terras indígenas no Brasil.

"Terra riquíssima (referia-se à reserva indígena Ianomami). Se junta com a Raposa Serra do Sol, é um absurdo o que temos de minerais ali. Estou procurando o primeiro mundo para explorar essas áreas em parceria e agregando valor. Por isso, a minha aproximação com os Estados Unidos. Por isso, eu quero uma pessoa de confiança minha na embaixada dos EUA", afirmou o presidente, segundo reportagem do jornal O Globo.

No dia seguinte à declaração, o Conselho das Aldeias Wajãpi divulgou nota denunciando uma série de ataques a aldeias do Amapá nos últimos dias - na segunda-feira, Emyra Waiãpi, chefe da aldeia Waseity, foi encontrado morto e, no fim de semana, membros das aldeias Yvytotõ e Karapijuty disseram ter visto invasores armados.

Em entrevista à BBC News Brasil, o senador Randolfe Rodrigues (Rede), de oposição, afirmou que um incidente assim indica "claramente que há um incentivo à atividade garimpeira em terras indígenas pelo próprio governo".

A Constituição de 1988 prevê a exploração mineral em terras indígenas desde que seja regulamentada por leis específicas. Desde 1996, tramita no Congresso um projeto sobre o tema. Mas, como até hoje leis desta natureza não foram aprovadas, a atividade é ilegal.

FONTE: BBC BRASIL

domingo, 28 de julho de 2019

REPASSANDO: Ruralistas investem na propaganda contra o aquecimento global

Ganham espaço na agenda da bancada ruralista posições "negacionistas” dos efeitos da má gestão ambiental sobre o clima. Mas os cientistas já fazem o contraponto

Cida de Oliveira, da RBA

São Paulo – Em meio ao desmatamento recorde na Amazônia, que Jair Bolsonaro (PSL) tenta ofuscar com seus ataques ao respeitado Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que faz o monitoramento das florestas, os ruralistas se articulam em busca de dados que os absolvam de sua participação na alteração climática com a derrubada de florestas. E que ao mesmo tempo isentem o avanço de pastos e da monocultura. Uma espécie de propaganda para encobrir os efeitos nocivos da destruição ambiental sobre o clima.

De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), as florestas são aliadas no combate ao aquecimento global, absorvendo por ano cerca de 2 bilhões de toneladas de gás carbônico, um dos gases de efeito estufa. Mas quando desmatadas, transformam-se em motores do aquecimento global.

A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado já autorizou a realização de um seminário para reunir pesquisadores brasileiros e estrangeiros contrários à tese do impacto da ação humana, por meio do desmatamento, mineração e outras atividades agressoras. E por tabela, contra o Acordo de Paris, pacto entre os países para combater o aumento da temperatura do planeta.
Seminário

Proposto pelo agropecuarista e senador Marcio Bittar (MDB-AC), da bancada ruralista, o seminário é desdobramento de uma audiência pública realizada em 28 de maio, que contou com a participação do climatologista Luiz Carlos Molion, professor da Universidade Federal de Alagoas, de Évora (Portugal) e de Western Michigan (Estados Unidos). E o geógrafo Ricardo Felício, da Universidade de São Paulo (USP). Clique aqui para acessar as notas taquigráficas da audiência.

Molion afirma que a tese do aquecimento global é frágil e que serve mais a interesses geopolíticos e econômicos.  Candidato do PSL paulista à Câmara em 2018, obtendo apenas 11.163 (0,05% dos válidos), Felício diz que o aquecimento é “uma farsa”.

Embora haja pesquisas sérias e respeitadas, segundo Bittar, pode existir manipulação e falsificação de dados e resultados com o intuito de legitimar uma “agenda ideológica desconectada da realidade”. O parlamentar defende um amplo debate sobre o tema e que o Ministério das Relações Exteriores explicite o atual quadro das discussões, no âmbito dos órgãos internacionais competentes.

Além dos dois nomes presentes à audiência pública, o requerimento do seminário traz ainda os do geólogo japonês Shigenori Maruyama, professor na Universidade Tecnológica de Tokyo e autor do livro Aquecimento Global?; do físico estadunidense Richard Lindzen, professor no Massachusetts Institute of Technology (MIT), que já admitiu receber dinheiro da indústria do petróleo para dar palestras, e ex-colaborador do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). Devem participar também o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, muito próximo dos ruralistas e distante dos direitos dos indígenas, e o ministro-chefe do gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Augusto Heleno. O general também acredita que os dados do desmatamento são “manipulados“.
Coalizão

Ainda sem data definida, o seminário que segundo o Senado vai ser realizado neste semestre terá uma forte concorrência: A Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) vão reunir no mesmo período diversos especialistas no tema.

“A ideia é discutir, entre outras questões, para onde o país está indo do ponto de vista das mudanças climáticas e quais podem ser as consequências para a nossa sociedade. Mas fazer uma discussão realmente decente com cientistas. O formato do evento da ABC e da SBPC ainda não foi definido, mas será algo como um evento paralelo, para fazer o contraponto”, disse à RBA o físico Paulo Artaxo. Professor do Instituto de Física (IF) da USP e membro permanente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, ele tem se dedicado ao estudo da política ambiental e das mudanças climáticas.

Artaxo integra ainda a Coalizão Ciência e Sociedade. Trata-se de um movimento que une cientistas de todos os setores e de várias partes do país frente aos ataques desferidos pelo governo de Jair Bolsonaro contra a pesquisa, a ciência, a educação e a eles próprios. A estratégia é contrapor posicionamentos, leis e medidas socioambientais sem fundamentação científica que tem sido adotadas de janeiro para cá. Na prática, um observatório.

Para o cientista, a pressão social é importante para conter retrocessos impostos pelo governo, especialmente na questão ambiental. No entanto, como Bolsonaro se mostra mais sensível aos interesses dos ruralistas do que da sociedade como um todo, é daí que devem vir mudanças de postura.“Quando o agronegócio começar a perceber que está sendo prejudicado pela própria degradação ambiental, e começar a fazer pressão, é que teremos mudança de mentalidade. A pressão do agronegócio será mais bem sucedida”.

redebrasilatual

REPASSANDO: Deltan gravou vídeo publicitário para empresa delatada na Lava-Jato - vídeo

Em nova delação da Vaza-Jato, do site Intercept, o procurador da República, Deltan Dallagnol, coordenador da Lava-Jato, grava um vídeo publicitário exaltando as qualidade de uma empresa que havia sido delatada durante depoimentos. E, ato contínuo, a empresa não é investigada ou sofre qualquer ação. Trata-se da companhia de tecnologia Neoway, delatada na operação, de acordo com nova reportagem do site Intercept Brasil.


"A tecnologia é essencial para podermos avançar contra a corrupção. Lidamos com uma imensa massa de dados em investigações e que pode ser usada para avaliar potencial fornecedores. Isso nos faz precisar, se queremos investigar melhor, usar sistemas de Big Data", afirmou o procurador em vídeo.

"Se queremos um País com menos corrupção, precisamos caminhar na direção da formação de um consenso e caminhar no sentido de que todos nós busquemos autar contra a corrupção não só coletivamente, mas também individualmente dentro das empresas promovendo ética e integridade", acrescentou.

A matéria do Intercept destaca: "Quando finalmente percebeu que havia recebido dinheiro e feito propaganda grátis para uma empresa investigada pela operação que comanda no Paraná, o procurador confessou a colegas: 'Isso é um pepino para mim'. Mas só escreveu à corregedoria do Ministério Público Federal para prestar 'informações sobre declaração de suspeição por motivo de foro íntimo' quase um ano depois, quando o processo foi desmembrado no STF e uma parte foi remetida à Lava Jato de Curitiba".

De acordo com a reportagem, o "procurador Deltan Dallagnol foi pago para dar uma palestra para uma empresa investigada por corrupção pela Lava Jato, operação que ele comanda em Curitiba. Dallagnol recebeu R$ 33 mil da Neoway, uma companhia de tecnologia, quando ela já estava citada numa delação que tem como personagem central Cândido Vaccarezza, ex-líder de governos petistas na Câmara que foi preso em 2017, e em negociatas na BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras privatizada na terça-feira".

"Não ficou só na palestra, realizada em março de 2018. Deltan também aproximou a Neoway de outros procuradores com a intenção de comprar produtos para uso da Lava Jato. Ele chegou a gravar um vídeo para a empresa, enaltecendo o uso de produtos de tecnologia em investigações - a Neoway vende softwares de análise de dados".

Segundo a matéria, "a primeira citação à Neoway nos chats secretos da Lava Jato aconteceu dois anos antes da palestra de Deltan, em 22 de março de 2016, em um grupo no Telegram chamado Acordo Jorge Luz. O grupo fora criado para que os procuradores da Lava Jato discutissem os termos de delação de Jorge Antonio da Silva Luz, um operador do MDB que tentava negociar uma delação com a força-tarefa. Dallagnol participava ativamente do grupo".

"Naquele dia, o procurador Paulo Galvão mandou um documento que trazia a primeira versão do que viria a ser o depoimento de Luz sobre diversas empresas, entre elas a Neoway. No documento, o candidato a delator narrava: 'Lembro-me ainda de um projeto de tecnologia para Petrobras com a empresa Neoway que recorri ao Vandere Vaccarezzapara me ajudarem agendando uma reunião na BR Distribuidora. Houve esta reunião e recebi valores por esta apresentação e destas repassei parte para eles. Posteriormente a tecnologia foi contratada sem minha interferência ou dos deputados'".

REPASSANDO: dia em que comemoramos o deserto da Amazônia, a nona maravilha do mundo

Por Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy

Na literatura, mais do que na vida, tudo é possível. Mas na vida, às vezes tanto quanto na literatura, o impossível ocorre. Imaginem que a Amazônia virou um imenso deserto. Imaginem que esse deserto foi anunciado como a nona maravilha do mundo. Imaginem que essa tragédia foi comemorada. Leiam Não Verás País Nenhum, um livraço de Ignácio de Loyola Brandão, publicado em 1981[1], e essa imaginação pavorosa se tornará uma descrição real, assustadora.

O livro é originado de um conto, no qual Souza, o personagem central, descobriu que tinha um furo na mão. Sua vida então mudou. Não Verás País Nenhum é uma obra imperdível da literatura brasileira contemporânea. É um livro absolutamente atual. Comprova que nossa literatura também conta com uma obra de distopia muito bem elaborada, igual ou superior a 1984, de Orwell, a Admirável Mundo Novo, de Huxley, ou mesmo a alguns filmes, como Blade Runner, de Ridley Scott. Neste último, um estranho vilão, Rutger Hauer. Na distopia de Loyola, o vilão é o próprio ser humano. O livro é de tirar o fôlego. Pode parecer, no entanto, e muitas vezes, que se lê um jornal em tempo próximo, ou amargamente presente. Confiram.

Ambientado em uma São Paulo futurista, o romance aterroriza. Souza é um professor compulsoriamente aposentado, que vive com Adelaide. O aquecimento global fez com que a temperatura alta fosse insuportável. Não havia mais água. Bebia-se urina reciclada. Não havia mais frutas ou verduras ou carnes ou peixes. Comia-se produtos industrializados, que imitavam sabores que um dia se conheceu. Devorava-se uma saladinha de brotos artificiais com salsichas sintéticas. Havia feijão, fabricado em laboratório, que virava sopa, borracha, cola, gelatina, que era pegajosa na boca. Os odores da natureza e da memória desapareceram. Comprava-se, em lojas superlotadas, e mediante o uso de fichas, o cheiro de flores, da chuva, da terra molhada.

A sociedade era controlada pelos Civiltares, policiais temidos pela excelente pontaria e rapidez. A cidade era dividida em zonas impenetráveis. Os Bairros Privilegiados — como não poderia deixar de ser — abiscoitavam tudo o que podiam. Os cientistas viraram uma categoria mínima e marginalizada. Para que ciência?, perguntavam os líderes do Esquema, grupo que exercia o poder. As opiniões e jornais não circulavam, proibidos que estavam pelos Interditos Postais.

A quantidade de automóveis chegou a tal ponto que um congestionamento intenso, interminável e estático tomou conta das ruas. Por isso, os veículos foram abandonados, todos, em filas intermináveis. Tornaram-se cemitérios, devassados por todos, que dos imprestáveis automóveis furtavam tudo, pneus, bancos, espelhos. Não havia mais buzinas. Os Departamentos Circulantes regulavam o trânsito de pessoas, fixando Áreas de Circulação, com entradas rigidamente controladas, denominadas de Bocas de Distrito. O caos urbano era absoluto.

Havia ratos por todas as partes. Eram combatidos com um Sônico Antirratos, que reproduzia, em som de alta frequência, o guincho que um rato produz após a cópula. Lê-se no romance que a rata entende o recado, porque o rato quer ficar só, justamente porque, satisfeito com o impulso sexual, precisa se recuperar. É esse o barulho (talvez inaudível para nós humanos) que espantava os roedores. Não se precisava saber ler. Tudo era explicitado por sinais, “nenhuma palavra, mas um código específico que o povo aprendeu (...) um símbolo para cada coisa, banheiro, bar, restaurante, centro, dentista, farmácia, viaduto, ponte, túnel, perigo, favela, escola”[2]. Frases, períodos, ideias, conceitos, objetos, conexões tornaram-se símbolos. Se Não Verás País Nenhum fosse escrito hoje (porque toda ficção é na verdade uma leitura do próprio tempo), talvez esses símbolos reproduziriam figurinhas de telefones inteligentes, que identificam sorrisos, beijos, piscadas, apreensões e corações. Comunicam. Porém encolhem as capacidades de comunicação.

Intrigante a passagem do livro quando se anunciou a derrubada da última árvore da Amazônia[3]. O governo (Esquema) estava orgulhoso com a grande conquista. Era um feito digno dos governos que pensam no futuro, assinalava o romancista. O governo dava ao país uma das grandes maravilhas do mundo. Não apenas a África podia se orgulhar de possuir o seu deserto do Saara. Também podíamos contar com um deserto maravilhoso, “centena de vezes maior do que o Saara, mais belo (...) magnificente”[4]. Que maravilha, as dunas, o leito seco dos rios. Possuíamos o maior e mais belo deserto do mundo. Os ricos iriam se divertir, passeando pelo deserto da Amazônia, em grandes caravanas, “fantasiados de árabes”[5]. Segundo o romancista, helicópteros desceriam nas areias mornas do deserto da Amazônia, trazendo “a elite misturada a dançarinas de ventre”[6].

Literal e literariamente, transformamo-nos em uma terra das mil e uma noites. Não Verás País Nenhum é um livro imperdível, que revela a agudeza, a premonição e a sensatez de um de nossos maiores escritores. Estamos avisados.

===

[1] Tenha cá comigo uma belíssima edição da Global. Ignácio de Loyola Brandão, Não verás país algum, São Paulo: Global, 2008.
[2] Ignácio de Loyola Brandão, cit., p. 59.
[3] Essa fascinante e aterrorizante narrativa está nas pp. 65 e ss.
[4] Ignácio de Loyola Brandão, cit., p. 65.
[5] Ignácio de Loyola Brandão, cit., p. 66.
[6] Ignácio de Loyola Brandão, cit., loc. cit.

FONTE: conjur

REPASSANDO: Hugo Chávez: o homem que mudou a história da Venezuela

Neste 5 de março de 2019, completam-se seis anos da morte do ex-presidente da Venezuela

Por Fania Rodrigues - correspondente especial na Venezuela

Lea este reportaje especial en español

Nos murais, nas estampas de camisetas, nos quadros de paredes, nos debates das praças públicas, nas rodas de cerveja… Lá está Hugo Chávez. Presente na vida dos venezuelanos e venezuelanas. No dia 5 de março de 2019, completam-se seis anos da morte do ex-presidente da Venezuela. Relembre aqui o especial que o Brasil de Fato preparou no ano passado para marcar a data, quando a reportagem conversou com integrantes de movimentos da base da Revolução Bolivariana e cidadãos para saber qual o legado do líder venezuelano para a população.

As políticas sociais de Chávez mudaram a vida de gente simples, como dona Eddy Asuaje, moradora do bairro de Antímono, na zona oeste de Caracas, região popular da capital. “Ele se foi fisicamente, mas ainda o temos nos nossos corações. Chávez, em cada passo que damos, aqui está nosso presidente nos apoiando”, diz a dona de casa.

Enquanto mostra sua casa, construída pelo programa social de casas populares criado por Chávez, Misión Vivienda, dona Eddy conta que sua condição financeira jamais permitiria a compra de um imóvel como esse. São três quartos, dois banheiros, uma sala grande e uma cozinha estilo americana. “Nós somos a prova de que é possível ter uma casa própria. Às vezes, estou aqui na minha casa e penso: não acredito que estou aqui.” Ela faz parte das 2 milhões de famílias beneficiadas com o programa de casa própria do governo venezuelano, entre 1999 e 2018.

No setor rural, a distribuição de terras também gerou impactos positivos, segundo a camponesa Mareli Ramírez. Ela conta que, no campo, o legado do ex-presidente foi destinar terras para a reforma agrária. “Chávez declarou guerra ao latifúndio. No campo, existiam grande extensões de terra produtivas, mas que os grandes latifundiários as mantinham improdutivas. E nesses setores haviam camponeses que queriam trabalhar, mas não tinham acesso à terra. Isso mudou quando o presidente Chávez implementou a Lei de Terra”, destacou Mareli.

O comunicador popular, Pablo Kunich, um dos coordenadores do canal comunitário Alba TV, dá um panorama dos principais legados dos 13 anos do governo Chávez. “Se pensamos no legado do presidente e comandante Hugo Chávez, podemos destacar algumas políticas importantes. Uma delas foi a democratização da comunicação, que garantiu às comunidades o acesso a meios de comunicação comunitários e alternativos”, afirma. Ele também destaca a importância das políticas educativas e de saúde. “Na educação, o plano de alfabetização eliminou o analfabetismo na Venezuela. Em matéria de saúde, se criou uma rede nacional de atenção primária em todo o país”, destacou.
Processo histórico

Para Aquiles Navarro, porta-voz da Esquina Caliente, ponto de encontro de trabalhadores na Praça Bolívar, centro de Caracas, o ingresso de Hugo Chávez na política é fruto de um processo histórico que tem em sua origem os protestos populares conhecidos como “Caracazzo”, de 1989. Frente às medidas neoliberais do governo de Carlos Andrés Pérez, como corte de gastos, retiradas de direitos dos trabalhadores e aumento dos custos de vida, a população da capital venezuelana saem às ruas em uma jornada de protesto. As manifestações foram duramente reprimidas pelas forças de segurança do Estado. O resultado foram 276 mortos e milhares de feridos, segundo dados oficiais.

Indignado com o massacre da população, o então tenente-coronel do Exército, Hugo Chávez, começou a organizar um grupos de militares ligados a setores progressistas e nacionalistas para derrubar o presidente e tomar o poder.

O movimento fracassa, mas lança ao cenário da política nacional o nome de Chávez. Depois dessa tentativa de tomar o poder, ele fica dois anos preso e sai em 1994, fundando o Movimento Quinta República. Viaja pelo país defendendo a necessidade de “reformar a Constituição e refundar a República”.

Vinte anos após o ex-presidente vencer as primeiras eleições, em 1998, a Venezuela passa por novos desafios. Segundo Aquiles Navarro, “são muitíssimos os desafios, porque estamos a caminho do socialismo, em um processo de transição ao socialismo. Queremos uma Venezuela pós-petroleira, que seja produtora da maioria dos produtos que consumimos no país”.

 
O ex-presidente Chávez deu início a uma série de reformas do Estado, mas também inaugurou um novo modelo político que, em seu conjunto, foi chamado de Revolução Bolivariana. Um dos maiores desafios da Venezuela, que sofre hoje com um bloqueio internacional e o isolamento político promovido pelos Estados Unidos, é a superação da dependência do petróleo, construída historicamente desde os anos 1920.









Fafá de Belém repudia Ministra Damares Alves

Fafá de Belém critica o posicionamento de Damares Alves, Ministra da Mulher, Família e dos Direitos Humanos, do governo Jair Bolsonaro, que colocou na falta de calcinhas — e não nos criminosos  —  a culpa pela exploração sexual das meninas da Ilha do Marajó, Pará.

"Meu total repúdio à declaração da Ministra Damares Alves. As crianças vítimas de exploração sexual na Ilha do Marajó não precisam de uma fábrica de calcinha. Elas precisam que a Ministra faça o trabalho dela, promovendo políticas públicas de garantia de direitos fundamentais".


O pensamento exteriorizado pela Ministra, no seguinte vídeo, se baseia em ideias completamente divorciadas do que seja concreto, nele tudo são meras invencionices, e no discurso que faz, simplesmente, projeta na realidade loucuras proveniente de uma mente insana, certamente, alimentado pelos preconceitos da Igreja Universal do Reino de Edir Macedo.


ENTRELINHAS: Tudo dominado: Globo, Record e SBT formam a rede de proteção de Moro e Bolsonaro

Por Luis Carlos

Este texto do jornalista Ricardo Kotscho me fez lembrar de uma passagem escrita por um dos grandes revolucionários da Revolução Russa, importante teórico do direito operário de seu país, Petr Ivanovich Stucka.

"[...] a classe dos capitalistas e o seu Estado têm à sua disposição a Igreja, a ciência, a escola e a imprensa, que educam e persuadem e, por vezes, quando necessário, aterrorizam. Cada uma destas instituições, servindo-se dos meios que dispõe, procura ocultar as contradições de classe, aplaudir o progresso e a união, a paz e a concórdia, a verdade e a justiça da sociedade burguesa. E, uma vez que a mente humana se deixa influenciar pelo meio ambiente, na mente dos oprimidos prevalece, na melhor das hipóteses, no lugar da consciência de classe, o vazio. A essência de todas as formas de coerção e persuasão burguesas consiste, exatamente, no fato de ocultarem e disfarçarem, o mais que podem, o caráter classista do poder".

Quando Ricardo Kotscho mostra que "Globo, Record e SBT" formam uma "rede nacional" de "noticiário único", defendendo a ordem vigente do governo classista encabeçado por Bolsonaro e sua ponta de lança policial, personificado em Sérgio Moro, que vive com os dentes serrados, sangue escorrendo em torno da boca e os olhos ofuscantes de pura violência, deixa claro o jornalista, comparado-o com as observações de Stucka, que estes meios de comunicação não estão fazendo nada mais que defender, frente aos brasileiros das demais classes sociais, o Estado fascista, ao tempo que, procurando levar aos mesmos brasileiros a ideia de que, assim como eles das classes dominantes, devem de igual maneira seguir levantado suas bandeiras, custe ou que custar, inclusive, se possível for, contra seus próprios interesses, mas acima de tudo, contra todo cidadão desconte com a situação política que os vela a enquadrar na escravidão assalaria.

Não podemos deixar nossas consciências serem preenchidas por tais mentiras e persuasões  ideologias da burguesia e de um governo neoliberal e fascista que odiá o povo, na mais genuína essência que aponta para a realidade esse conceito.

===

Por Ricardo Kotscho

Tudo dominado: Globo, Record e SBT formam a rede de proteção de Moro e Bolsonaro

"Globo, Record e SBT deixaram o jornalismo de lado para formar uma rede nacional com noticiário único, pautado somente por seus interesses comerciais e políticos, assim como fizeram durante a última campanha presidencial", avalia o jornalista Ricardo Kotscho, do Jornalistas pela Democracia

Sábado, 27 de julho de 2019.

O sujeito liga para um Disque-Denúncia qualquer e avisa que um carro está sendo roubado na esquina da casa dele.

Em vez de mandar uma patrulha atrás do ladrão, a polícia resolve investigar o autor da denúncia.

É isso que está acontecendo no Brasil bolsonariano, com essa história rocambolesca dos hackers fajutos de Araraquara, para esconder o que já foi apurado e denunciado pelo The Intercept e outros veículos sobre o modus-operandi do ex-juiz Sergio Moro e seus procuradores amestrados.

Mas essa blindagem só é possível porque as três grandes redes de TV do país formaram uma rede de proteção, que esconde o mais importante _ o conteúdo tóxico dos diálogos de Moro com os procuradores da Lava Jato _ para noticiar à exaustão o modus-operandi dos hackers tabajaras.

Globo, Record e SBT deixaram o jornalismo de lado para formar uma rede nacional com noticiário único, pautado somente por seus interesses comerciais e políticos, assim como fizeram durante a última campanha presidencial.

Varia apenas a forma de manipular as notícias, com as características de cada emissora, mas o resultado é o mesmo.

Record e SBT são mais escrachados. Fazem questão de assumir o papel de porta-vozes do governo e se vangloriam disso.

Já a Globo, como de costume, é mais sofisticada, mais sinuosa, dá um ar de seriedade olímpica aos Bonners do JN, e não perde a chance de publicar editoriais sobre a sua “isenção e imparcialidade”, como se todo mundo fosse idiota.

Daqui a 50 anos, quem sabe, se ainda existir, a Globo vai pedir desculpas ao país, como fez por ter apoiado o golpe de 1964 e a ditadura militar, e escondido a campanha das Diretas Já, em 1964, pela redemocratização do país.

Até lá, muitos de nós já terão morrido e os mais jovens nem se lembrarão do que eles fizeram em 2019, para avacalhar e colocar em risco a jovem democracia brasileira, ameaçada pela ditadura da Lava Jato, de braços dados com o boçalnarismo em marcha.

A grande farsa só será desmascarada, se nas próximas revelações da Vaza Jato aparecerem os diálogos de Moro e os dallagnois com seus chefes e jornalistas, em que eram acertadas de comum acordo as pautas e as edições.

É esse o grande medo dos empresários da mídia e dos seus profissionais, que para garantir seus empregos foram assessores de imprensa da República de Curitiba, não repórteres.

Sem se importar com nada disso, Silvio Santos acha graça da grande pantomina e até se sente horado por sua rede ser chamada de SBT – Sistema Bolsonariano de Televisão.

A Record do bispo Edir Macedo e sua igreja, apoiadores de primeira hora, só quer saber das verbas oficiais de publicidade do governo, que ajudou a eleger, para investir em novos templos e fiéis, a serviço do seu próprio projeto de poder.

Posso estar enganado, e geralmente estou, mas diante de tanta hipocrisia, omissão e mentira, acho que até os Bonners já estão um pouco incomodados com a desfaçatez do noticiário que são obrigados a ler todas as noites.

Por mais que se disseminem as redes sociais, a maior parte do eleitorado, que não lê jornais nem tem acesso fácil à internet, ainda se informa pelo Jornal Nacional e suas contrafações mambembes da Record e SBT.

É a desinformação que garante ainda o apoio de um terço da população ao mito Bolsonaro e ao herói Moro, os protagonistas da grande tragédia bufa.

Tenho certeza que milhões de pessoas pelo Brasil afora já não conseguem entender como a polícia está investigando o denunciante do carro roubado e nada informa sobre o ladrão _ no caso, os muitos criminosos que, em nome do combate à corrupção, destruíram empresas e empregos, e faturaram alto com a fama de heróis.

Com a grande mídia (e suas raras exceções), o Judiciário e o Legislativo irmanados na defesa do governo e da Lava Jato, e a oposição batendo cabeça, sem achar o rumo, está tudo dominado.

Por isso, eles têm um grande objetivo em comum: não deixar Lula sair da cadeia tão cedo.

Esse é o grande pavor dos que deram o golpe de 2016 e levaram o país para o fundo do buraco, primeiro com Temer, e agora com o inacreditável capitão Bolsonaro.

Para garantir esse domínio absoluto, danem-se as leis, o Estado de Direito e a Constituição. Vale tudo.

E vida que segue.

FONTE: BR247

sábado, 27 de julho de 2019

REPASSANDO: Moro e o fracasso do estado policial

Por Emir Sader

O projeto de construção de um Estado policial é um dos três eixos fundamentais do governo e tem no juiz Sérgio Moro seu agente. Um eixo é o do ultraneoliberalismo de Guedes, que garante o apoio do grande empresariado e de todos os porta-vozes do neoliberalismo. Um eixo que avança na destruição do pais, independentemente de apoios no Congresso ou na opinião publica. O segundo eixo sao os militares. Como Bolsonaro não tem partido, buscou reaproximação com os militares, para ter seu apoio e preencher cargos importantes no governo.

O terceiro eixo se deu em torno da nomeação de Moro para o Ministério da Justiça, para levar a Lava Jato para o governo, com o objetivo de construir um Estado policial no Brasil. Se trata de criminalizar os movimentos sociais, os partidos de esquerda, entidades do campo popular, personalidades de esquerda. O objetivo é blindar o Estado de tal forma que não seja possível um novo 2022, isto é, um retorno da esquerda ao governo.

Um dos instrumentos disso, herdado diretamente dos governos norte americanos, é a caracterização como “terrorismo” dos movimentos sociais que supostamente atentam contra o direito da propriedade privada – especialmente o MST e o MTST -, para atacá-los e tentar liquidá-los. O pacote que Moro enviou ao Congresso retoma varias medidas repressivas que ele tentou fazer aprovar no auge da Lava Jato, que incluía até a tolerância com a tortura.

O governo retomou uma forma ainda mais radical de politica econômica neoliberal, com a dilapidação do patrimonio publico, a liquidação dos direitos dos trabalhadores e o congelamento dos recursos para politicas sociais. E’ uma politica que só atende os interesses dos bancos, que vivem das altas taxa de juros e do endividamento de governos, de empresas e de famílias. Os balanços dos bancos privados são um escândalo, demostram que dinheiro no pais ha, só que está nas mãos de quem não investe para gerar desenvolvimento econômico e empregos. Quando a Bolsa de Valores de São Paulo anuncia seu movimento diário, as cifras gigantescas não supõe a criação de nenhum bem e nenhum emprego. E’ uma economia centrada no capital especulativo.

Um modelo antipopular e antinacional como esse, precisa de um regime politico antidemocrático, que tente impedir sua derrota eleitoral, como aconteceu de 2002 a 2014, em disputas democráticas. Dai a ruptura da democracia com o golpe que tirou a Dilma do governo sem nenhuma razão constitucional, que contou com o silencio cúmplice do Judiciário. Se colocava em pratica a guerra híbrida, a nova estratégia da direita em escala internacional, que inclui a perseguição politica pela instrumentalização das leis e pela judicialização da politica, com o Judiciário substituindo a soberania popular por suas decisões arbitrarias.

A derrubada da Dilma representou a ruptura da democracia e a instauração de um regime de exceção no Brasil. O projeto do governo Bolsonaro representa a tentativa de passar do regime de exceção ao Estado de exceção, fechando todos os espaços democráticos subsistente e impondo efetivamente uma ditadura.
Um tipo de Estado indispensável, para que a impopularidade da politica econômica neoliberal não leve, mediante eleições democráticas, a derrotas sistemáticas da direita, como aconteceu desde 2002. Foi necessário apelar a instrumentos antidemocráticos tanto no golpe contra a Dilma, como na perseguição ao Lula e na vitória fajutada nas eleições de 2018 contra o Haddad.
O enfraquecimento do Moro representa o enfraquecimento desse projeto da direita. O pacote que enviou ao Congresso tem cada vez menos possibilidades de ser aprovado, assim como esse decreto esfarrapado com que ele pretende impor medo ao Glenn e outras medidas desastradas que lhe orientaram nessa viagem apressada aos Estados Unidos e que falharam estrepitosamente. Agora o máximo que o Moro pretende é se safar das situações embaraçosas em que ele se meteu, desde as revelações – das que ninguém mais duvida – do The Intercept. (STF então nem pensar, subiu no telhado.)

Quebrar essa perna do governo de exceção e’ um objetivo importante para as forcas democráticas, tanto para brecar o projeto de construir um Estado de exceção, como para ampliar os espaços democráticos, que são aqueles em que as maiorias podem se expressar livremente e decidir o futuro do Brasil.

FONTE: BR247
Página Anterior Próxima Página Home