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quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Brasil-EUA e seus riscos geopolíticos levado a efeito por um governo de entrega-pátria


Imagem dos facistas
I - O ACORDO COMERCIAL BRASIL-EUA E SEUS RISCOS GEOPOLÍTICOS, POR ANDRE MOTTA ARAUJO

Os grandes CLIENTES do Brasil são a CHINA e a ARGENTINA, países que serão NEGATIVAMENTE AFETADOS por um Acordo do Brasil com os EUA, verão com maus olhos esse Acordo.

Por Andre Motta Araujo - jornalggn

Aqui um resumo da extraordinária entrevista concedida pelo Ministro das Relações Exteriores Ernesto Araujo ao jornalista Andres Oppenheimer da CNN de Miami. As afirmações são espantosas e inacreditáveis e o que o Ministro pretende é ainda mais chocante, pelas razões mais ilógicas imagináveis e pelo cenário que ele desenha, todo recheado de ideologias conspiratórias e argumentos que agridem a História, a geopolítica e a diplomacia.

Segundo o Ministro, o povo brasileiro sempre esteve ansioso por um Acordo Comercial com os EUA, que só não foi celebrado porque os governos anteriores eram “anti-americanos”, e agora temos um governo pró-americano que pode realizar esse acordo. É uma leitura histórica descabida porque acordos comerciais não são “desejo” da população, são atos diplomáticos que têm que ter alguma lógica econômica e política e um Acordo com os EUA não interessou aos governos do Brasil desde o Governo militar de 1964.

Lembrando que o Governo Geisel rompeu o Acordo Militar com os EUA que vinha desde a Segunda Guerra, por razões objetivas. Os EUA eram contra toda uma política de pesquisa nuclear do governo brasileiro, contra ações diplomáticas do Brasil no Oriente Médio e África, como o reconhecimento do governo do MPLA em Angola, os acordos com os EUA TOLHEM E TRAVAM ações soberanas dos Estados que celebram esses acordos, que, sem exceção, ditam salvaguardas estratégicas aos interesses dos EUA em setores estranhos ao Acordo.

AS TRAVAS DE UM ACORDO COMERCIAL COM OS EUA

Os Estados Unidos historicamente têm uma visão messiânica superior quando celebram acordos com outros Estados, NÃO É UM ACORDO DE PARTES IGUAIS.

Os EUA, tradicionalmente, IMPÕEM cláusulas de veto e controle de ações sobre o Estado contraparte, amarrando esse Estado aos interesses dos EUA.

Por essa razão, a iniciativa da ALCA não foi aceita pelos países latino-americanos e morreu no berço. O único grande país latino-americano que tem acordo com os EUA é o México, parceiro do NAFTA, por razões geopolíticas especiais. O México tem fronteira com os EUA e existem 27 milhões de mexicanos morando nos EUA, MAS neste ano de 2019 o México colheu um amargo dissabor com esse tratado comercial. Trump AMEAÇOU impor tarifas não previstas no Acordo, de 5% dobrados a cada semana, SE O MÉXICO NÃO AGISSE COMO GENDARME DOS EUA barrando migrantes centro-americanos que atravessem o México em direção aos EUA. Um ato vexatório para a soberania mexicana e não previsto em nenhum Acordo. O México foi OBRIGADO a obedecer e, na semana passada, o Ministro do Exterior mexicano foi a Washington com uma delegação apresentar o relatório sobre a barragem de migrantes centro-americanos na sua fronteira sul. Dois ex-Ministros do Exterior, da outrora orgulhosa diplomacia mexicana, deram entrevistas na TV dizendo que essa exposição de “lição de casa” em Washington foi o momento mais vexatório da diplomacia mexicana em um século, um País obedecendo a outro contra sua vontade, para implantar a odiosa política anti-humanitária de Trump, o México servindo de “capitão do mato” para os interesses dos EUA.

ACORDO COMERCIAL COM OS EUA NÃO TEM LÓGICA ECONÔMICA PARA O BRASIL

A economia brasileira não é complementar à economia americana na pauta de exportações, o Brasil hoje importa muito mais dos EUA do que exporta porque não tem muito o que exportar. Os EUA são concorrentes do Brasil em soja, milho, algodão, aço, forjados. Os grandes CLIENTES do Brasil são a CHINA e a ARGENTINA, países que serão NEGATIVAMENTE AFETADOS por um Acordo do Brasil com os EUA, verão com maus olhos esse Acordo.

ARGENTINA E MERCOSUL

O Brasil hoje NÃO PODE CELEBRAR acordo comercial com os EUA, só o MERCOSUL pode. O Brasil não pode celebrar acordos isoladamente a não ser que saia do Mercosul e ai perderá o mercado argentino, que compra do Brasil 4 vezes mais do que vende, gerando um excelente saldo para o Brasil.

Sair do Mercosul, implodindo o bloco, dará ao Brasil um megaprejuízo, além de ter implicações geopolíticas imensas. A Argentina é nosso vizinho, com ou sem Mercosul, é um país estratégico para o Brasil há 200 anos, não se pode mudar a fronteira, esta é uma realidade geográfica e política.

Se o Brasil romper o Mercosul, a Argentina se aliará à China, que já é o primeiro parceiro comercial da Argentina e aumenta a cada dia sua influência no País vizinho, onde está fazendo grandes investimentos. O Brasil perde um parceiro e vizinho, um desastre diplomático e geopolítico.

BRASIL E CHINA

A China é de longe a maior parceira do Brasil. É graças à China que o Brasil tem saldo comercial enorme e construiu suas reservas cambiais. Um Acordo com os EUA será, antes de mais nada, ANTI-CHINA, e assim será visto em Pequim. Os EUA estão em GUERRA COMERCIAL com a China e, com esse Acordo com os EUA, o Brasil estará tomando lado nessa guerra. E a batalha começará logo, fazendo o Brasil arriscar a perda do mercado chinês para seu agronegócio e minérios. Os EUA já declararam que o Brasil NÃO DEVE OPERAR com a empresa chinesa de tecnologia HUAWEI, que é o centro de sua guerra comercial com a China. Essa empresa pretende construir uma mega fábrica no Brasil. O Brasil vai vetar essa fábrica? Os EUA vão exigir isso para fazer o Acordo. Como fica?

A UNIÃO EUROPEIA E OS EUA

Os EUA têm sérias divergências comerciais com a União Europeia, ainda não é uma guerra, mas caminha para ser. A União Europeia ofereceu um acordo com MERCOSUL, em grande parte, para aumentar suas forças frente aos EUA. Um Acordo Brasil EUA vai na contramão desse objetivo e a União Europeia pode pensar duas vezes antes de aprovar esse acordo com o MERCOSUL, especialmente após os problemas ambientais do Brasil.

UM ACORDO COMERCIAL COM OS EUA TERÁ FOCO EM SERVIÇOS, PATENTES E FINANÇAS

É da lógica dos acordos comerciais com os EUA uma série de vantagens e garantias que os EUA exigem de países contratantes nos temas de SERVIÇOS, PATENTES, GARANTIAS PARA INVESTIMENTOS. O malfadado ACORDO JUDICIÁRIO BRASIL-EUA DE 2001 já custou ao Brasil mais de US$5 bilhões em multas ao Departamento de Justiça, indenizações e honorários, mais a obrigação de aceitar escritórios de advocacia americanos para caríssimas tarefas de compliance e monitoramento da PETROBRAS. Em um acordo comercial novo eles vão exigir de tudo, especialmente na área de tecnologia, vão amarrar o Brasil dos pés à cabeça, especialmente contra a China. O Brasil vai hipotecar seu futuro nesse acordo, um puro ato ideológico que não atende ao interesse nacional, às relações do Brasil com a América do Sul, com a Europa, com a China e mais ainda, tudo atrelado ao Governo Trump que pode ou não ser reeleito e cuja confiabilidade a nível mundial é zero. O Brasil atrelado a um político controvertido em seu próprio Pais e que já chutou um de seus braços direitos, John Bolton, exatamente um dos principais elos de ligação com o governo Bolsonaro, hoje expelido assim como Steve Bannon, também anterior elo com o grupo no poder no Brasil. Trump tem uma corte instável, inconfiável como ele, o Brasil vai se amarrar nesse time?

OS RISCOS DE NEGOCIAÇÃO

Esse Acordo será negociado pelo lado brasileiro por representantes ansiosos para agradar a Casa Branca, mostrar uma amizade forçada e um certo prazer na submissão, por um pseudo companheirismo ideológico que só existe em mentes confusas. Os EUA, como País, não são fanáticos conservadores, é só uma parte minoritária da população mais atrasada que é, os grandes núcleos de pensamento e liderança intelectual e social dos EUA nos Estados de Nova York, da Nova Inglaterra, da California, são liberais no sentido americano de abertura à diversidade. Os EUA não são Trump, um acidente de percurso histórico que passará. O Brasil não se ofereceu de graça aos EUA nem durante o drama da Segunda Guerra, entrou ao lado dos Aliados porque navios brasileiros foram afundados e mandou tropas à Itália mediante um alto preço exigido e pago pelos EUA. Vargas foi um duro e exigente negociador e o Brasil colheu da vitória dos Aliados um enorme capital diplomático e geopolítico, nada disso está à vista agora.

Um Acordo Brasil EUA trará pouco ou nenhum ganho ao Brasil, vai criar imediatos problemas com a China, criar atritos óbvios com a União Europeia, pode significar a implosão do MERCOSUL e o afastamento imperdoável da Argentina, seria um rosário de perdas para o Brasil, para nada, tudo o que precisamos dos EUA podemos ter sem Acordo, como temos tido há décadas, um Acordo de graça onde só temos a perder o selo de uma diplomacia competente e independente para se mostrar ao mundo como uma colônia disfarçada dos EUA, uma espécie de Porto Rico sem passaporte.

FONTE: jornalggn

O ministro Ernesto Araújo, em Brasília no dia 5.EVARISTO SA (AFP)
II- A DESAFINADA ORQUESTRA DE BOLSONARO QUE TENTA ATRAIR INVESTIMENTOS

Em encontro com investidores, ministros do Governo Bolsonaro apontam da redução de criminalidade à “falsa crise” da Amazônia como argumentos para atrair capitais, mas não recuam de discurso que já paralisam negócios

Por redação de Elpais

Enquanto economistas se perguntam como o país pode atrair investimento internacional em um curto prazo, ministros do governo Jair Bolsonaro (PSL) convidados para falar a investidores demonstram não estar em total sintonia sobre o tema. Pelo contrário. Pareciam destoar nas leituras de cenário, numa espécie de orquestra desafinada.  Na última quinta-feira, 130 potenciais investidores estrangeiros e nacionais acompanharam, em Brasília, os discursos de quatro ministros, o presidente do Banco Central e dois governadores – Flávio Dino (PCdoB), do Maranhão, e Eduardo Leite (PSDB), do Rio Grande do Sul.

No evento “Agenda do Brasil para Crescimento Econômico e Desenvolvimento”, promovido pelo Council of The Americas, dois ministros apresentaram o que tem sido feito em suas áreas: Sergio Moro (Justiça) e Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia). A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, por sua vez, procurou reforçar a importância do comércio com os norte-americanos e pincelou críticas a ambientalistas. Já o ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, demonstrou porque faz parte da ala ideológica da gestão Bolsonaro. Defendeu que o aumento dos incêndios florestais na Amazônia são uma crise falsa, criticou a alta comissária das Nações Unidas, Michele Bachelet (que, segundo ele tem um discurso totalmente absurdo quando disse que há uma redução do espaço democrático no Brasil) e insistiu que o debate ambiental está baseado em ideologia, não em fatos.

“De repente, as pessoas dizem que a Amazônia está sendo consumida pelo fogo, que a Amazônia está queimando e de que é culpa do governo brasileiro. Uma crise falsa, uma interpretação falsa da situação e uma falsa atribuição de motivos”, disse Araújo, em inglês. O chanceler não notou que a imensa maioria dos espectadores falava português, conforme uma enquete feita por Marcos Pontes mais tarde. E os que não sabiam o idioma local usavam um aparelho no qual era possível ouvir a tradução simultânea.

“Há um livro, do doutor Evaristo Miranda, chefe da Embrapa Territorial, que é um tremendo estudo sobre o meio ambiente brasileiro, sobre como nossa cultura ocupa 9% do território brasileiro, como ele é sustentável, como é nossa abordagem da Amazônia, como protegemos a floresta. Dizemos que esse livro deveria ser jogado de helicópteros na Europa. Mesmo se fizéssemos isso, as pessoas não acreditariam”, ressaltou Araújo. A referência, aparentemente, era ao livro “Tons de Verde”, que defende que os produtores rurais são os maiores agentes de preservação no país. A publicação, no entanto, é contestada por cientistas e ambientalistas, embora seja celebrada pela frente ruralista do Congresso.

Há fatos, no entanto, incontestáveis, como o aumento dos incêndios no mês de agosto, confirmados até pela Nasa. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) do Brasil detectou mais de 76.620 focos desde o começo do ano, quase o dobro que no mesmo período de 2018 (41.400), ainda que seja uma cifra não tão distante dos 70.625 registrados em 2016. O problema é o discurso agressivo do Governo presidente Jair Bolsonaro, que a todo instante assegura que pretende abrir terras indígenas para exploração de minério, chegou a acusar ONGs de promoverem incêndios e rebate todas as críticas como se o seu Governo nada tivesse a ver com o assunto. O episódio do Dia do Fogo, quando no início de agosto produtores rurais de Altamira e Novo Progresso, no Pará, se disseram incentivados pelas palavras do presidente para aumentar queimadas, também coloca o Governo num papel delicado. Houve efeitos práticos nos negócios, como a gigante da moda H&M que suspendeu a compra de couro brasileiro em função dos incêndios.

“Esse chanceler está nos fazendo passar vergonha”, dizia um dos participantes do evento. Enquanto o outro lhe respondeu: “Depois que ele falou da dor de nascer, desisti de acompanhar a fala, me concentrei nos e-mails que tenho para responder”, disse outro. Ambos, executivos de multinacionais falaram à reportagem sob a condição de não terem seus nomes publicados. Em dado momento, Araújo associou o quadro que o país vive, de “mudança”, com um nascimento, que traz dores do parto.

As dúvidas, nesse sentido, é compreender qual país o Governo Bolsonaro pretende colocar de pé, uma vez que a economia em marcha lenta requer muito mais diplomacia do que o presidente e seus ministros vêm empregando. O presidente ligou uma metralhadora verbal nas últimas semanas, atacando da Alemanha, à França, e remexendo em memórias dolorosas da ditadura chilena quando atacou a ex-presidente Michele Bachelet. “Senhora Michele Bachelet, se não fosse o pessoal do [Algusto] Pinochet derrotar a esquerda em 1973, entre eles seu pai, hoje o Chile seria uma Cuba”, disse Bolsonaro. O pai de Bachelet, Alberto, um brigadeiro que se opôs ao golpe de Pinochet em 1973, foi torturado e morto. Reportagem do Valor Econômico reforça que o discurso bélico do presidente afasta investidores em um momento de baixo crescimento.
O inominável

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, procurou defender em seu discurso que a redução de 22% dos homicídios no país neste ano ajuda a atrair investimentos. Moro comparou a taxa de assassinatos no Brasil (27 mortes por 100 mil habitantes) e em Portugal (de 0,97), e acabou fazendo uma referência velada ao cantor e compositor Chico Buarque, dizendo que esperava que o “Brasil se torne um imenso Portugal” (da música Fado Tropical). Também afirmou que a facção criminosa PCC parecia o vilão de Harry Potter, Lord Voldemort, que não podia ser nominado por determinados governos ou órgãos da imprensa. “As coisas têm de ser chamadas pelos seus nomes”, afirmou arrancando discretos risos da plateia.

O mais técnico dos representantes do Governo na apresentação aos investidores foi o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Em tom realista, afirmou que espera que a economia brasileira só ganhe fôlego a partir do quarto trimestre deste ano e que estima receber a auspiciosa marca de 500 bilhões de reais em investimentos nos próximos anos. “O crescimento está aquém do que nós gostaríamos. Temos na margem uma recuperação pequena. Acho que é importante olhar mais a médio e longo prazo”. A projeção de crescimento do PIB deste ano é de menos de 1%.

Nenhum representante do Ministério da Economia, do Programa de Parcerias e Investimentos (PPI) ou do Ministério da Infraestrutura, os principais responsáveis por tocam as privatizações de empresas estatais, participaram do evento. A orquestra ainda desafina.

FONTE: elpais

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